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quarta-feira, março 28, 2007

Inverno Rigoroso se Aproxima



"Pra sempre é pra sempre"




As previsões para o inverno desse anos são de ventos fortes e chuvas. É, chuva de água também, mas me referia à chuva de granizo. Provavelmente alguma estiagem ou neve. Provavelmente a cidade ficará coberta de neblina. E estará tão frio que nem o sol a pino do meio dia conseguirá dissipá-la completamente. Pessoas se perderão por aí. Já pensou?

Sim, estou falando de João Pessoa, a tal "cidade onde o sol nasce primeiro". Aquela mesmo, que fica ali, pertinho do Equador, longitude oeste 34º47'30" e latitude sul 7º09'28. Só sete graus de distância da linha imaginária. Já pensou?

Você não, mas minha imaginação voou longe na hora em que entrei numa loja de departamentos (que ninguém sabe que era a Riachuelo, porque não vou dizer) e me deparei com... luvas. Não, não eram luvas quaisquer. Eram luvas de lã, e lã grossa. Do lado, claro, cachecóis e gorros do mesmo material.

Aí eu me pergunto: por quê essa invenção, agora? Será que eles realmente prevêem um inverno rigoroso numa cidade aonde só com muita sorte conseguiremos atingir os 25ºC? Ou estão pensando nas pessoas que vão viajar?

Ah, é uma possibilidade! Que bonzinhos, que gentil da parte deles. Viu? Quam for pra Ushuaia esse ano não precisa se preocupar em comprar tudo lá. Pode sair daqui com luvinhas e cachecol para conhecer a Terra do Fogo. Só se lembrem de comprar uns casacos impermeáveis lá, tá?

Hm... Mas eles nunca fizeram isso. Nunca vi roupas de lã naquela loja antes. E, pensando bem, na outra loja de departamentos do shopping (também conhecida como C&A) não tem luvas e não espera uma nevasca em plena capital paraibana. No entanto, outras lojas do shopping esperam, no mínimo uma ventania.

Ainda é Março. O que aquela menina está fazendo com uma jaqueta? Bem, quem sabe tenha ido ao cinema. E aquela... de botas? Botas de camurça? Em pleno verão? Sério? Querida, o sol tá quente lá fora, são duas horas da tarde, tenha pena dos seus pés! Suas botas são lindas, estão absolutamente perdoadas para a noite, mesmo aqui. Mas para a noite!

Bem, preparem seus casacos forrados, luvas e gorros. O inverno será rigoroso. Ao menos é o que as lojas dizem, né?

Fernanda tem uma séria e perigosa paixão por botas e trench-coats. Perdoem-na.

Tema da quinzena: vetores. Seja lá o que isso queira dizer. Presumindo que seja "imagem vetorial ou vetorizada", aqui vai a desta autora.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Festa Estranha, com Gente Esquisita





As hard as diamonds.




Aquela tinha tudo para ser uma noite normal. Sabe, tudo mesmo. A lua estava no céu, naquele estágio que ninguém consegue dizer se está cheia ou não, mas que todos sabem que ela não está; as estrelas ali também, mas aparecendo só de vez em quando - o que me leva a perguntar por que as estrelas se escondem da gente, mas acho que isso não vem ao caso. Não tem nada a ver com a história.

O fato é que aquela deveria ter sido uma noite normal. Sim, normabilíssima. Dessas que você chega em casa do trabalho, tira os sapatos, fica andando de meia pela casa e ouvindo sua esposa reclamar do lamentável gosto musical da vizinha que não pára de ouvir: "É na sola da bota, é na palma da mão... bote um sorriso na cara e mande embora a solidão...", e dizer que não agüenta mais isso, e que quer se mudar dali. E então, você, ignorando de uma maneira carinhosa, "sim, querida, eu concordo. Mas não podemos nos mudar agora, você sabe", se senta na frente da tv e assiste o jornal, falando da conjuntura política do país, que nunca muda. Uma noite bem normal, não concorda?

Bem, eu estava voltando no meu carro - um carro modesto, mas bem conservado, que funciona bem a maior parte do tempo. Isso porque eu sou um cara cuidadoso, que prefiro cuidar sempre do carro a deixá-lo por aí, sabe? Justamente para ele não quebrar nos piores momentos. Como aconteceu naquela noite.

O pior é que eu resolvera fazer um trajeto diferente. Estava justamente numa rua que eu achava que já havia passado por algum momento da minha curta vida, mas algo dentro de mim dizia que eu estava perdido. Eu devia confiar mais nessas coisas de intuição masculina.

A rua era escura, daquelas que tem um monte de postes de iluminação, mas cujas lâmpadas só funcionam ocasionalmente, seguindo provavelmente uma complicada relação entre a posição astral e a tabela de marés, resultando que elas raramente funcionam. E claro, não iriam funcionar quando eu estivesse ali.

Liguei os faróis, peguei o triângulo de sinalização, conforme todas as leis do trânsito. E só pra previnir, liguei também aquelas luzes que sempre ficam piscando, e que eu nunca aprendi o nome. Peguei o celular e disquei o número que estava no adesivo colado no porta-luvas, que era do reboque. Estariam chegando em vinte minutos.

Me tranqüilizei, e fiquei dentro do carro, com a porta aberta, e um pé no asfalto ainda quente àquela hora da noite. Engraçado, aquela rua não era movimentada. Por que diabos o asfalto estaria quente num horário onde até fazia um ventinho frio?, me peguei comentando com os meus botões.

Não, os meus botões não me responderam. Mas o susto que eu tomei foi equivalente.

- Bem, por quais diabos eu não sei, mas esse lugar sempre foi esquisito. Asmodeus, muito prazer.

Ainda olhei para os botões da minha camisa, pensando que eles poderiam ter me respondido, e então eu realmente estaria louco. Mas então notei que um destinto senhor estava parado do lado de fora do meu carro, estendendo uma mão com unhas esquisitas, e usando roupas que pareciam ter saído de um guarda-roupa do século XIV.

Me apresentei, ele retirou um cigarro do bolso e me ofereceu num gesto silencioso. Engraçado, nunca fumei, mas naquele momento senti uma vontade enorme de experimentar. Peguei o cigarro entre os dedos - daquele jeito que eu sempre vi nos filmes e achava tão estiloso - e ele prontamente acendeu um daqueles esqueiros prateados, que devem custar uma nota.

- O que houve com o carro?
- Hum, não sei. Apenas *cof cof cof* quebrou sozinho. Liguei pro reboque, acho *cof cof* que estarão chegando *cof cof* em breve.
- Nunca fumou antes?
- Bem, não realmente. Mas é... agradável.

O sujeito sorriu de um jeito quase imperceptível. E então eu consegui notar que o lugar inteiro estava mudando. O céu - se é que eu poderia chamá-lo assim - começou a mudar de tom, chegando a um vermelho que parecia ter saído de um daqueles filmes de terror de baixo orçamento. As tintas das paredes caíram de repente, e tudo parecia cheirar a tétano.

- Bem parecido com um filme que eu vi recentemente...
- É. Eles fizeram uma pesquisa de campo.
- Você está me dizendo que... Ah, bem, você só pode estar brincando, não é?
- Claro - uma pausa, que quase me tranqüilizou. - que não. Vamos, ligue o carro. Vamos fazer um tour pelo meu lar. Mas conhecido como Inferno.

Algo me dizia que se eu não ligasse logo o carro, ia acabar carbonizado como um pássaro que acabava de cair na estrada, com um grunhido alto e agudo. Esperei que entrasse no carro e girei a chave. Funcionou perfeitamente.

E lá estava eu, andando pelas ruas de um asfalto perfeito, apesar de um tanto quentes demais. No toca-fitas que já não funcionava tinha uns meses, tocava algo que parecia pop dos anos 80. Eu sempre achei que aquilo era coisa do demônio mesmo.

- Hum, eu achava que os buracos no asfalto eram coisa... de vocês. - falei, tentando quebrar o silêncio.
- Não, não somos nós que fazemos chover. Além do quê, é muito mais tentador uma pista em linha reta com um asfalto perfeito, não? Sim, sim. Os rachas foram inventados por nós.
- Hum, faz sentido... Mas... por que me trouxe aqui?
- Porque você foi o azarado de estar no meu perímetro quando eu estava passando por perto.
- Ah... Que sorte. - pausa. - Hum, mas eu vou voltar?
- Ainda não sei. Apenas continue dirigindo.

Eu podia saltar do carro. Mas com certeza não saberia fugir daquele lugar. Minha esposa devia estar muito brava comigo, pois completávamos... quantos anos de casamento mesmo? Ou era o aniversário dela? Bem, não importa. Ela realmente ficaria muito brava comigo. E minha esposa brava com certeza era pior que qualquer outro demônio.

- Bem, sabe, é que eu tenho compromissos... sabe, minha esposa. Bem, é uma data especial, e nós íamos sair para jantar... e...
- Ah, claro. Sexo. Bem, essa invenção não é nossa, mas certamente foi uma bela idéia deles. Eu entendo. Bem, você pode voltar aqui outro dia. E provavelmente será para todo o sempre. Então, terá muito tempo para conhecer tudo aqui.

E então o cenário mudou com a mesma rapidez. Estava na mesma rua escura e esquisita, e minha carona já não estava no carro. Mas as notas de "Jones, Jones, come doctor Jones, doctor Jones, doctor Jones wake up now..." ainda soavam na minha cabeça.

O carro funcionou e eu voltei pra casa. E não precisei pagar o reboque.

- Querido, que cheiro esquisito é esse na sua camisa? Parece enxofre...

  1. Isso é uma velharia, logo, uma republicação, embora nunca tenha aparecido aqui no Membrana. A questão é que Allana queria estar com humor e cabeça para escrever um texto digno de comemorar as 100 postagens do blog, mas não está com o mínimo humor/inspiração para isso. E como esse é um texto relativamente bom, e relativamente engraçado, então merece relativamente estar nesta ocasião tão especial para o blog.
  2. Allana queria saber fazer aquelas notas bonitinhas que Fernanda faz, mas não é uma blogueira profissional e a dita cuja não se encontra disponível para ensinar-lhe.
  3. Allana acha muito estranho falar de si mesma em terceira pessoa.
  4. 100 posts na Membrana que de Seletiva não tem nada! A equipe Membrana está preparando algumas surpresas, mas aparentemente só preparando mesmo. Sem previsão de quando vão ficar prontas.

sexta-feira, agosto 11, 2006

Não consegue colocar as crianças para dormir? Tudo bem, o Nabastag faz isso por você!

Título no maior estilo "seus problemas acabaram", não?

Mas é mais ou menos isso. O coelhinho de formato cônico, Nabastag (coelho em armênio), tem orelhinhas que funcionam como antenas, são capazes de ler e-mails, mensagens de celular, cantar, dizer para os pivetes que está na hora de eles irem dormir e ainda consertar as besteiras que você (homem) fizer com sua esposa/namorada. Tá bom ou quer mais?

Ok, então eu ainda digo que ele poderia se o companheiro de alguma garota mágica num anime.

De acordo com esta matéria, o bichinho tem uma influência maior sobre as crianças e, por ser "bonitinho", sobre as mulheres, tornando mais fácil que a palhaçada seja perdoada e que as crianças finalmente parem de pular no sofá e se deitem. Será que ele também lê historinhas? Deve ler, né!

Claro que, como o fantástico vibrador que funciona à base de música (e duas pilhas AA não inclusas), não há previsão para lançamento no Brasil.

Além de servir como babá, você pode programar o coelhinho para receber as mensagens que deveriam ir para o celular ou e-mail e ele lê em voz alta para você. Também te dá informações atualizadas da bolsa de valores, previsão do tempo e, por uma taxa, você pode enviar e-mails e mensagens de celular atravéz dele.

Vai chegar um dia em que a gente vai nascer e a mãe não vai estar nem do lado, porque uma babá-robô-loba vai estar próxima ao berço e atender nossas necessidades a cada choro. Sim! Ela reconhecerá a diferença entre "tô com fome", "fiz caquinha", "tô com sono" e "estou com raiva, me tire desse berço".

E viva a tecnologia, que um dia vai eliminar todas as relações humanas.

quinta-feira, agosto 10, 2006

Sexo+Música?

Todo mundo sabe o que é um mp3player. Imagino também que todos conheçam o IPod. Inclusive, quem estiver montado na grana e quiser me dar um IPod branco, sinta-se bem vindo, meu aniversário é em menos de um mês.

Imagino que todos saibam o que vem a ser um vibrador.

Estamos bem? Todo mundo acompanhou? Viram a ligação entre um e outro? Eu também não, até ler a matéria completa.

Uma empresa, a Suki, lançou um vibrador para ser acoplado ao IPod, o OhMiBod. O design é até parecido com o do aparelho: branquinho, bonitinho, aparentemente discreto, mas obviamente um vibrador... a não ser que uma avó inocente confunda com uma caixinha de escova de dentes. Aí você sorri, diz que é, ela diz que é bonita e pergunta onde você comprou e você diz que ganhou de preente do namorado e dá sumiço no objeto.

Seria realmente engraçado se isso acontecesse com alguém, mas prometo que vou torcer pra que as vovós bisbilhoteiras mantenham-se longe de gavetas e armários duvidosos.

Situações embaraçosas a parte, o aparelho funciona com outros tipos de mp3 players. O objetivo do brinquedo é unir as duas grandes paixões da população sexualmente ativa: música e sexo.

Quem tiver interesse que veja o site.

E eu ainda não acredito que tenham lançado tal aparelho... Cada um com sua maluquice, né!