quarta-feira, junho 13, 2007

Valentine's Day. Ou quase.


"Pleonasmo é quando você é redundante: hemorragia de sangue, subir pra cima, descer pra baixo, mulher burra..."



No carro, de noite, muita chuva. Saí mais cedo do trabalho, tomei aquele banho e passei mais de meia hora na frente do guarda-roupa, encarando minhas roupas. No final, escolhi um conjunto de saia-e-blusa que ele havia me dado de presente de... aniversário de namoro, e que eu já tinha usado algumas milhões de vezes.

- Amor, eu tava pensando, a gente nunca...

Olhei de soslaio, levantando uma sobrancelha, do jeito que ele batizara simplesmente de cretino. Acho que se olhares tivessem legendas, o meu teria uma de: "Seu cretino, você não está pensando em me levar para um motel imundo, está?"

- Não, amor, eu não estava falando da estrada de Cabedelo. Mas se você quiser...

Frequentadores de motéis que não se sintam ofendidos, mas acredito que é fisicamente impossível um motel ser um lugar limpo. Mas eu tenho uma mórbida curiosidade de conhecer um. Devo admitir, no entanto, que fiquei aliviada quando ele disse isso.

- E o que era, então?
- Eu lembrei que você nunca comeu comida japonesa. Não tem vontade?
- Vontade, vontade não... mas uma curiosidade...

Minha frase terminou aí, porque percebi que era a mesma posição que eu tinha em relação a motéis. E a comida japonesa combinado com o que se costuma fazer em motéis me remeteu automaticamente aos hentais. Desde monstros de tentáculos (o que todo mundo sabe que é básico na pornografia japonesa) até moças nuas servindo de bandejas para sushis e sashimis.

É, eu viajo.

Mas a noite pode se resumir em: de soja, só o óleo; consegui comer o sushi de primeira (apesar de ter vontade de cuspir logo em seguida); e por fim, eu tenho muito jeito com pauzinhos.


Esses pauzinhos.


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terça-feira, junho 12, 2007

Voilá L'Invern



"Ni!"


Chove. Chove cântaros. Lembrei de um conto de Lygia Fagundes Telles, "Apenas um Saxofone", que além de falar de inverno no início, não tem absolutamente nada a ver com o que eu vou escrever aqui.

Eu não entendo muito bem essa coisa de alguém dizer que há quatro estações aqui no Brasil. Na maior parte dele só tem verão e inverno. No Nordeste, especialmente no litoral, tem estação de sol e estação de chuva(e ainda querem nos vender luvas...).

Com essa chuvarada toda, acordei tarde. E, ao ouvir o barulho da água batendo na pedra e sentir o friozinho ao qual só tenho direito no meio do ano, dormi ainda mais um pouco.

Quando finalmente me levantei, pensei na academia, que já tinha ido pelos ares, pelos menos o horário da manhã. Enquanto encarava calças de lycra, tops, tênis, meias de algodão pensava que a estação da chuva não fora feita para queimar calorias, mas para adquirir mais algumas. Não que eu realmente queira uns quilinhos a mais (senão estava minha alimentação básica seria batata frita e meu único exercício seria dirigir até o fast food mais próximo), mas certos prazeres da vida foram criados para o inverno.

Não estou falando apenas das confortáveis blusas de manga comprida, do dvd assistido agarrada com o namorado ou das horas a mais embaixo das cobertas toda manhã. Acho que todos sabem que comer é uma das coisas mais prazerosas e que graça tem dividir um fondue de queijo ou chocolate com os amigos em pleno verão? Ou um café com biscoitos doces, quem sabe um bolinho, numa tarde de fofoca com as amigas mais proximas?

Inverno é época de comer essas coisas. De tomar aquele chocolate quente que queima o esôfago de tão quente (mas cujo sabor compensa) na entrada do cinema. De dividir um petit gateau e um capuccino com o namorado. Ou de comprar trocentos gramas de pastilhas de chocolates naquela loja de chocolates caros e se deliciar com cada uma delas. Nada acompanha melhor que um belo prato de macarrão ao molho de quatro queijos do que a chuva tamborilando na janela.

Em compensação não é muito interessante trocar todo o guarda-roupa por outro dois números maior quando overão chega. Se esforçar mais nos exercícios pra se sentir a vontade naquela blusinha linda. Readquirir fôlego para agüentar o passeio light de tarde, a balada de noite, o longo passeio na praia. Tudo isso requer uma disposição que 5Kg a mais não me proporcionariam.


Fernanda não gosta da idéia de fazer exercícios na chuva, mas adora poder comer um extra no fim de semana e não está nem um pouco disposta a brincar de "io-io" novamente.


Que tal exercitar a sua imaginação e nos escrever um conto? Pode ser uma cronica também. Quem sabe uma fábula... Esforços mentais também gastam calorias! Clique aquie participe do nosso concurso! Garantiremos a diversão do verão para o nosso ganhador. ;)

sábado, junho 09, 2007

Awakening - Part I


"Give me Cersei Lannister and I'll show you how a woman can be gentle".
(George RR Martin, A Game of Thrones)


Os uivos soavam alto, e tudo o que eu podia fazer era fechar a boca com mais força para não ouvir meus dentes se batendo. O apartamento cheirava a mofo, mas também a éter e drogas como maconha e cocaína. O reboco descascava nas minhas mãos, e eu não precisei fazer esforço para ver que havia preservativos espalhados e pedaços de agulhas usadas no chão. Não que aquilo importasse agora, pois tudo o que eu sentia era o meu coração acelerado e uma vontade imensa de não estar ali.

- O que está acontecendo por lá? – ouvi Simon perguntar a Mike, que acabara de voltar. Os uivos pararam por um momento, e dessa vez eu quase podia ouvir meus ossos se batendo.

- Um... lobisomem. Eu nunca achei que fosse dizer isso com tanta certeza, mas tem um lobisomem na entrada. De quem foi a idéia maluca de vir nesse lugar mesmo?

- Acho que temos coisas mais importantes para nos preocupar agora...

Todos nós temos momentos de questionar nossas ações e escolhas. As minhas escolhas tinham me levado àquele lugar, e àquela situação. Um lobisomem, ele havia dito. Desde aquele dia na igreja o mundo deixou de ser o que parece – alguém que vê gente morta sabe que há muito mais atrás dos bastidores. E se eu estava lá, que fizesse aquilo direito. Um lobisomem. Se ele estava lá, eu queria vê-lo.

Aproveitei o momento de distração dos dois, a escuridão do apartamento e passei despercebida. O mundo, as coisas... tudo funcionava de alguma maneira. Nada acontecia de graça. Se eu estava ali, tinha algum motivo. Coincidência? Definitivamente não. Coincidência, sorte e azar são palavras que as pessoas usam para explicar o que elas não conseguem entender. Nossas escolhas nos fazem. Se não as escolhemos, elas nos escolhem. O próprio Simon havia me dito isso.

O corredor estava tão escuro quanto o apartamento, mas havia iluminação no lado de fora. Barulho de lataria amassada, talvez? Jurava que podia ouvir também uma conversa. Uma voz gutural, certamente inumana, falava algo, embora eu não pudesse entender daquela distância. Dei mais um passo, queria chegar mais perto, queria ver...

E então tudo mudou. Eu ainda estava no prédio, mas agora as paredes eram verdes e o chão de metal. Eu já não ouvia os uivos, nem as conversas, nem nada. Simon e Mike não estavam lá. Toquei na parede, e ela era real. O que teria acontecido?

Não tive muito tempo para pensar, pois logo ouvi um grito alto e desesperado, além de muito familiar. Procurei as escadas e subi apressada, meus passos soando alto conforme eu quase corria. Botas tinham estilo, mas definitivamente não eram nada práticas.

Nada no primeiro andar, embora eu já soubesse disso. Os gritos vinham de cima, do terceiro andar. Continuei correndo, mesmo que eu não soubesse bem o motivo. Eu apenas tinha que estar lá, precisava ajudá-la.

- Nicole? Nicole, é você?

Parei, quase tropeçando. Aquela voz, aquele tom... Olhei para trás e não vi ninguém, mas sentia a presença. Saberia quem era mesmo que eu estivesse drogada. Richard, irmão mais velho que morreu baleado na última “negociação calorosa” do meu pai. Nosso último encontro não foi dos mais amigáveis, devo confessar. Mas ele era o meu irmão, e isso que importava. Ele precisava de ajuda.

- Rick, onde... onde você está? Cadê você?

- Nicole, eu preciso... me ajude... isso é terrível... ME AJUDE!

E então eu pude sentir seu desespero, uma dor indescritível. Por uma fraqueza minha, o ar saiu dos meus pulmões e minhas pernas fraquejaram. A voz dele reverberava na minha cabeça, e por instantes o mundo pareceu rodar a uma velocidade vertiginosa. Quase agradeci quando ouvi novamente o grito alto da mulher, que me tirou daquele torpor. Voltando a mim, tornei a correr. Não sabia bem como, mas aquilo era um teste. Eu tinha que chegar a ela, precisava...

Os gritos do meu irmão ainda ecoavam na minha mente quando voltei a subir os degraus. Por Deus, aquela escada não acabava nunca? Quando finalmente cheguei ao último andar, meus passos ecoavam no metal. Os gritos haviam parado, mas eu sabia que ela estava ali, em algum lugar. Comecei a andar pelo corredor, olhando para os lados sem saber ao certo o que esperar.

Então eu vi algo... ou talvez alguém. Era um homem, ou ao menos eu tinha a impressão de que fosse. Conforme se aproximava, parecia ganhar tamanho, se agigantar diante de mim. Por instinto, ou medo, eu recuei um passo. E como se acionando um gatilho, gritos vários começaram a soar na minha mente, e por uma fração de tempo indefinida, me vi em uma igreja de arquitetura mista. Não, aquele lugar de novo não...

- Você não devia estar aqui. Este não é o seu lugar!

Embora ele abrisse a boca para falar, a voz não parecia vir dele. Ecoava por todo o andar, todo o prédio. As paredes pareciam se avantajar, me sufocando, me abatendo... e o homem se aproximava, os gritos se juntando à voz ininterrupta, minha visão turvava... Caí de joelhos, fraquejando. Senti o chão gelado na minha pele, baixei os olhos e de relance percebi que ele não tinha sombra. Ele não tinha sombra! Não era real! Consegui me colocar de pé e passei por ele, fazendo assim todas as ilusões desaparecerem.

Mas o pior ainda estava por vir.

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sexta-feira, junho 08, 2007

1 Ano de Membrana: O Concurso



"Ni!"




Estamos a dois meses do primeiro aniversário do Membrana Seletiva e, para comemorar, resolvi lançar um concurso, com o apoio de Allana e o consentimento de Denise (quem cala, consente, oras!).

O Tema: Fantasia.
Pode ser conto, crônica, fábula... O formato tanto faz, desde que seja em prosa, por favor.
Os textos devem ter em média 800 palavras (o Word conta por vocês) e não deve conter erros gramaticais, para facilitar a nossa vida. Queremos ler os textos, não corrigi-los. =)

Os textos podem ser enviados a partir de... hm... hoje, 08/06/2007. Receberemos todos até o dia 01/08/2007 no e-mail membrana.seletiva@gmail.com. Mandem com o Assunto "Concurso Membrana Seletiva" ou algo parecido para podermos identificar. No e-mail, além do seu texto, inclua o seu nome completo e o endereço do seu blog, caso possua um.

Escolheremos 5 textos para publicar e o melhor será publicado no dia 08/08/2007, além de ganhar uma cópia do filme "O Senhor dos Anéis" e uma do livro "Entrevista com o Vampiro". (Nenhum dos dois originais, sinto muito... Mas é melhor do que um bombom xáxá!)

Esperamos ansiosas os textos de vocês e que vença o melhor, o mais engraçado, o mais sensível ou... enfim... o que acharmos que mais vai agradar nossos leitores e o que mais vai merecer nossos lindos prêmios.
Crédito da foto: Fernanda Eggers.

terça-feira, maio 29, 2007

Bom dia

Para Gustavo





Criatividade é bicho ruim, nunca aparece quando você chama.






Seis da manhã. O sol iluminava timidamente o quarto através das frestas da janela fechada, dando a ele um tom levemente alaranjado. O cômodo estava frio, foi a primeira coisa que ela notou, ainda num estado entre o sono e a vigília.

O frio a fez estranhar o ambiente, antes de abrir os olhos, antes mesmo de pensar em algo. Seu quarto não era frio, normalmente.

Ligeiramente mais desperta, considerou abrir os olhos. Antes que o fizesse, numa fração de segundo, a memória da noite anterior veio à sua mente. Mexeu-se de leve e sentiu um outro corpo na cama, deitado ao seu lado. Sorriu.

Só então abriu os olhos, vagarosamente, e encarou a luminosidade pálida do quarto. Uma luminosidade acolhedora, delicada. Até mesmo morna, aconchegante, apesar da temperatura.

Encolheu-se um pouco mais na coberta e virou-se devagar, com cuidado para não acordar o rapaz ao seu lado. Encarou-o por longos minutos, observando cada detalhe do seu rosto. Rapaz... Ou seria um homem? Evidente que sua postura era de homem, é um adulto, são ambos adultos. Mas esse rosto... esse rosto parece até mais jovem do que a verdadeira idade dele. Sorriu ao pensar nisso, nessa dicotomia.

Notou que ele estava descoberto, com as costas expostas ao frio gerado pelo ar-condicionado e abraçou-o, beijando o seu rosto, procurando não acordá-lo. Ele sorriu, beijou-a de volta sem abrir os olhos e virou-se, para encaixar-se melhor no abraço.

Ele dormiu mais um pouco, ela manteve-se cochilando e acordando periodicamente, pensando sobre onde estava e o que era aquilo tudo, sempre com o mesmo sorriso bobo. O mundo poderia desabar assim que se levantasse daquela cama, mas estava confortável ali. E, acima de tudo, estava feliz.

Por fim dormiu novamente. Enquanto ela dormia, ele acordou, virou-a cuidadosamente e abraçou-a, invertendo a posição em que estavam. Ela acordou com o movimento, mas preferiu manter seus olhos fechados e simplesmente sentir. Sentir o calor dele contrastando com o frio do quarto, sentir o cheiro e o toque de sua pele, sentir que ele estava tão satisfeito quanto ela própria se sentia.

Passou-se algum tempo. Poderia ter sido alguns minutos ou algumas horas, não havia ninguém contando ou se preocupando realmente com isso. Ele ergueu-se ligeiramente, tocou o nariz dela com o seu e deu-lhe um beijo.

- Bom dia.



Edicão do conto meio que feita em cima da hora e com sono, vontade de publicar logo...
Perdoem qualquer coisa.

quinta-feira, maio 24, 2007

Causos








"Os opostos se distraem; os dispostos se atraem".








A quantidade de histórias que se passam na rua Odylon do Egito é inversamente proporcional ao seu tamanho. As casas pintadas de branco, de telhas na cor laranja, e calhas metálicas para a chuva abrigam, na extensão de pouco mais de 100 metros, uma roda de samba semanal, um velho meio senil que apronta algumas diariamente, e é também ponto de operações ilícitas às quais todos se fazem de desavisados.

As rodas de samba já são quase atrações turísticas para aqueles do ramo. Iniciam-se normalmente com um churrasco, nos meados da manhã (horário em que qualquer cidadão deveria estar dormindo, em se tratando do merecido domingo), e estendem-se até o final da tarde, às vezes entrando pela noite. A ruas de distância, e essas certamente com suas próprias histórias para contar, o barulho dos instrumentos desritmados e a cantoria previsível, quase agourenta, pode ser ouvida. Mas que se pode fazer? A vida em comunidade tem dessas coisas.

Pena que quase nada dessas coisas sejam agradáveis. O senil, por exemplo, era famoso por paquerar, nada discretamente, qualquer mocinha que passe por perto. E isso aconteceu até com a minha namorada, que sem graça e educada demais para xingar o dito cujo, sorriu amarelo e seguiu seu caminho. Até que certo dia a síndica do prédio onde moro foi alvo dessas investidas. Ele não deveria ficar impune, afinal. Os porteiros resolveram se juntar e dar uma lição no chamado Doido, que depois desse episódio não voltou mais por estas bandas.

Outra particularidade dessa lendária figura era seu hábito de conversar com o nada – ou melhor, de gritar com ele. Não que fosse possível entender tudo o que ele dizia, mas as crises seguiam o ciclo das cigarras: bastava o sol começar a se pôr e a ladainha começava. Mas havia algumas situações engraçadas, como quando ele ameaçou matar o padeiro da esquina. Doido saiu correndo, esquecendo um chinelo roído, na base do rolo de macarrão.

E não esquecendo as negociações a céu aberto, tenho quase certeza: meu vizinho é um traficante. E eu não digo isso somente pelas músicas de Bob Marley que ele escuta o dia inteiro, nem pelo cheiro forte que incensa o corredor do prédio no meio da tarde, mas pelas vendas que realmente acontecem, coincidentemente nos dias de roda de samba. Esses acordos, no entanto, não são feitos na Odylon do Egito, mas em uma rua transversal, que nem nome tem. Cercada por dois prédios, e com aproximadamente o dobro do tamanho da primeira, a ruazinha decadente é quase uma boca-de-fumo.

Aproveitando a oportunidade, a tal rua sem nome também serve de motel barato para casais de variados tipos. Não que eu tenha visto nada explícito, mas as várias provas físicas, de risco biológico para toda a comunidade, não deixam dúvidas: os preservativos usados, acompanhados de suas respectivas embalagens, já fazem um bom retrato.

E falando em retrato, para terminar, tentou-se fotografar os cenários onde se passam esses fatos. A presença, no entanto, de uma quadrilha profissional que realiza roubos montados em bicicletas financiadas pelo narcotráfico da região, assustou o fotógrafo que temeu pela sua segurança e de sua máquina.


Créditos da imagem: Thalweg's Gallery

terça-feira, maio 22, 2007

3 Segundos






Criatividade é bicho ruim, nunca aparece quando você chama.






- Vai pra aula hoje? (clic)

- Não. (clic)

- Beleza. (clic)

Nós, pobres estudantes universitários sem crédito conhecemos bem isso. O famoso sistema de dar recados em 3 segundos, extremamente útil em situações como a descrita acima. Ou pra dizer coisas simples, como "A aula é na Biblioteca" ou "Vai pra P.A.".

Eu odeio quem tenta conversar de 3 em 3 segundos, me dá uma agonia muito grande, mas pra recadinhos simples assim, é uma beleza. Você comunica o que precisa sem gastar nada e acabou-se. Simples, prático e rápido. Talvez não tão prático assim, mas funciona, não é mesmo?

Infelizmente não funciona mais. Hoje eu estava conversando com uma colega que ficou com o celular bloqueado por 24 horas depois de fazer chamadas de 3 segundos pela 3ª vez consecutiva. Ela não tentou enviar mensagem, mas o celular não funcionava para ligar nem à cobrar, a não ser para o número de atendimento ao cliente da operadora.

A operadora informa, quando você liga, após ter o celular bloqueado, que são as novas normas, você vai passar 24h sem poder ligar, apenas receber chamadas e se vire, tenha um bom dia.

Bem... O valor mínimo que eu pago é 44 centavos, por menos de 30 segundos de ligação. O minuto custa uns 68 centavos, se não me engano. É caro. Aí, imagina... Para não ter o telefone bloqueado, tenho que demorar pelo menos uns 30 segundos para dar um recado besta a alguem (e fazer valer meu dinheirinho, afinal, pago a mesma quantia por menos de 30 segundos).

- Ei...

- Oi...

- Sabe a aula de hoje?

- O que tem?

- Vai ser na Biblioteca Central, viiiiu?

- Tá, tá certo.

- Tchau.

- Tchau.

Essas operadoras de celular... Sempre arrumando um jeito de fazernos gastar mais e mais dinheiro.

Para ler um texto de verdade, clique aqui e deixe seu comentário após o sinal.

Perguntas Escabrosas








"Os opostos se distraem; os dispostos se atraem".









- Pai, a lua é feita de quê?

Chegou o momento que ele tanto temera: a idade das perguntas. Não que ele se importasse de ter filhos - até gostava de crianças, principalmente se elas estivessem quietinhas na frente da TV se empanturrando se pipoca e refrigerante. No entanto, estavam os dois, pai e filho, caminhando calmamente pelo parque. Aquele garoto gostava muito do parque - temia que um dia ele fosse um ativista do Greenpeace. Ou um hippie. Não que houvesse muita diferença.

- De queijo. - respondeu o pai, sem se preocupar nem um pouco com a verdade. Um dia ele estudaria na escola, e outra pessoa - bem mais preparada que ele, por sinal - revelaria a cruel verdade: a lua era só uma grande bola de pedra lunar que refletia a luz do sol.

- Queijo, pai? Tem certeza?
- Sim, queijo. E digo mais: queijo suíço.
- E como os suíços levaram todo aquele queijo, lá longe no céu?
- Você por acaso sabe onde é a Suíça?
- Não, mas...
- Pois então! Os suíços são um povo alienígena, que nos dias de outrem...
- Pai, quem é esse tal de Outrem?
- Eu quis dizer que há muito tempo, eles tentaram dominar a terra. No entanto, falharam miseravelmente, e então...
- Pai, a Suíça não era um país?
- ...
- Pai?
- Quem foi que disse a você que a Suíça era um país?
- A mamãe... e disse mais, disse que era um país frio, e com montanhas, e com o melhor chocolate do mundo... e ela disse também que não é ela quem mente, e sim você.
- Sua mãe não disse nada de queijo suíço, disse? - odiava quando ela falava a verdade. Enquanto ele lá, tentando estimular a imaginação do garoto, talvez transformá-lo numa das forças criativas que irá dominar o sistema capitalista mundial, ela fazia o papel de boa mãe e contava a verdade pro garoto. E que história era aquela de que ele era mentiroso? O fato era que a verdade era muito mais sem graça que a imaginação.

- Não, pai, ela não disse nada sobre queijo suíço, mas...
- Pois então! O que sua mãe não sabe, e você deve jurar solenemente que...
- O que é solenemente, pai?
- É só jurar, meu filho. Bem, você deve jurar que não vai contar sob nenhuma tortura ou nenhuma chantagem que não vai contar nada do que será revelado aqui.
- E se ela me fizer cócegas?
- Você me chama e nós fazemos cócegas nela.
- E se ela me der chocolate suíço?
- Você inventa uma história e come o chocolate.
- E se ela me der coca-cola?
- Você inventa outra história, pega a coca-cola e vem dividir com o seu pai.
- E se vocês estiverem no quatro, trancados, fazendo aqueles barulhos estranhos e...
- Você vai pra frente da TV ver Procurando Nemo.
- Tá bom! - o sorriso quase reluzia no rosto do garoto.
- Mas... do que eu estava falando mesmo?
- Acho que era sobre os cruzadores espaciais dos Rebeldes e a Estrela da Morte do Império...

segunda-feira, maio 14, 2007

Os Donos do Mundo



"Tu peux, si tu veux"




O quarto recebeu uma boa dosagem de veneno para insetos. As janelas e portas foram fechadas. Quem sabe assim eu me livraria da quantidade monstruosa de mosquitos que me atormentam nas noites úmidas e chuvosas do inverno.
Depois de uma hora, voltei ao quarto e acendi a luz. Ótimo! Alguns mosquitos mortos no chão, uma aranha e um besourinho. Primeiro pensamento: até que enfim, uma noite de paz! Dormir sem zumbidos incômodos no ouvido e acordar sem milhares de picadas coçando. Aí pensei no lugar em que fui me enfiar; um lugar onde preciso lutar contra insetos quase todo dia.

Já ia desforrar a cama para dormir, quando vi uma coisinha marrom cruzando o chão do quarto. Uma barata! Uma maldita barata!Corri para pegar o inseticida e um chinelo. Depois de “embebedar” a barata, consegui matá-la. Ou acho que consegui. Por via das dúvidas, deixei o chinelo em cima dela, afinal, nunca se sabe se ela foi esmagada o suficiente.

Baratas são um inferno! Não morrem com qualquer inseticida, são capazes de viver sem cabeça até que a fome as mate e é necessário esmagá-las umas três vezes para ter certeza de que realmente morreram.

Uma vistoria no ambiente me garantiu que só havia aquela barata. E nada de mosquitos ou aranhas ou... O besouro se mexeu! Ele não deveria estar morto? Vai ver é mais um daqueles insetos viciados. Os inseticidas estão se transformando no álcool deles. Na cocaína, talvez. Nada de chinelo, um tamanco vai garantir minha segurança com mais eficiência.

Nada mais balançou as patinhas nojentas. Imaginei que pudesse dormir em paz, finalmente. Até ouvir um zumbido. Um mosquitinho. Não, dois. Eles estão chegando! Poderia colocar mais inseticida no quarto, mas estou com muito sono. Realmente preciso dormir.


O jeito é ligar os dois ventiladores, me cobrir dos pés à cabeça e esperar que, ao menos por uma noite, o repelente de insetos cumpra sua função.

sábado, maio 12, 2007

Especial CinePort II




"Tu peux, si tu veux"



Sexta foi o meu último dia de CinePort, pois não tenho a intenção de comparecer no fim de semana, apesar da Cidade do Cinema ser muito agradável. Claro, a população aumentou muito nesses últimos tempos, mas duvido que estivessem esperando que o evento desse tão certo.

Mas deu. O que me deixa feliz. Apesar de saber que havia muita gente ali única e exclusivamente porque a entrada era barata e provavelmente ninguém os expulsaria das tendas de exibição quando começassem com a gritaria no meio do filme. Pena. Realmente é uma pena.

Mas vamos ao que interessa!

Quinta, 10 de Maio

A tenda Andorinha Digital é menor do que a outra, mas comportou bem os espectadores. A entrada é a coisa mais fofa, com 3.000 bonecas de pano feitas por alunas de colégios da cidade. Há, também, várias paredes grafitadas com a temática "cinema". Dentro da tenda é menos gelado do que na tenda Andorinha, então não é tão ruim assim caso você esqueça o casaco.

Às 21h30 foram exibidos diversos curta-metragens, 4 brasileiros e 2 portugueses. Os dois primeiros curtas exibidos deixaram a desejar, já os outros valeram muito a pena. Apesar de amplamente divulgado no YouTube, me acabei de rir com "Tapa na Pantera", brasileiro, ao assisti-lo (de novo). Outro filme que merece destaque é "Night Shop", portuquês.

O grande defeito desse dia foi o aparelho de DVD, que... bem... deu defeito. Saí antes do último curta, pois perdi a paciência quando tiveram que parar o penúltimo para limpar o cd. 3 curtas foram exibidos 2 vezes cada e esse penúltimo ia ser exibido pela 3ª vez. Não aconteceu nada parecido nos outros dias, mas esse detalhe me chateou um pouco.

Sexta, 11 de Maio

Cheguei atrasada e fiz pessoas ficarem me esperando. E sim, estou mencionando o fato no blog como forma de pedir desculpas e agradecer por minhas amigas lindas terem pegado entradas para mim para os dois filmes que eu queria ver.

A noite começou com "Árido Movie". Quem não viu, pode conferir no cinema, pois está em cartaz e vale a pena ser visto. Conta a história de um "homem do tempo" cujo pai que ele nem conhecia direito morre, no interior de Pernambuco, e ele tem que ir no enterro. O filme é uma viagem, usando as palavras do produtor, do diretor e de um dos atores, que estava presente no local e causou frenesi: Selton Melo.

Selton Melo foi um capítulo à parte na noite. Foi atacado, abraçado, beijado, pediram pra tirar foto, ele recusou, tiraram foto dele assim mesmo, ele foi simpático com todos, apesar de não ter tirado as fotos (com um bom motivo... imagina parar pra tirar fotos com as quase 700 pessoas ali na tenda?).

Após "Árido Movie" (já disse para assistirem? pois digo de novo!), fiquei para ver outro filme brasileiro: "O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias", que traz a vida de um garotinho deixado na casa do avô enquanto seus pais fugiam da perseguição política da ditadura militar. O filme é tocante e mostra um lado da época que ninguém parou para observar: vários daqueles que foram perseguidos, presos, mortos, torturados e afins eram pais. A vida de várias crianças da época foi muito difícil. Tanto para aqueles que perderam os pais por um ano quanto aqueles que os perderam para sempre.

Achei algumas cenas muito bonitas, no entanto, como uma em que as crianças aparecem correndo pelas ruas de São Paulo. Não se vê mais isso hoje em dia, nem em cidades calmas como João Pessoa. As crianças não têm essa liberdade de correr por aí, jogar futebol na rua. Muitos simplesmente ficam em casa durante as férias inteiras, jogando video-game, sem ter noção que num apartamento no mesmo prédio mora uma vizinha legal. A própria paixãozinha infantil, também retratada no filme, praticamente deixou de existir.

Voltando ao evento, mais uma vez tenho uma crítica para fazer aos freqüentadores do local, pois eles gritaram, passearam, desorganizaram as cadeiras, excluindo as passagens e, não bastasse isso, mais uma vez fumaram dentro da tenda. Será que é tão difícil assim não fumar por duas horas? Será que é difícil não gritar por duas horas? E precisa mesmo agir como uma manada desordenada de javalis, correr para dentro da tenda como se o mundo fosse acabar em 5 segundos e arrastar as cadeiras pra lá e pra cá, impedindo a passagem do resto das pessoas que desejam ver o filme? Quanto mais gente, menos educação. Incrível!

Sábado e Domingo:

Hoje será o último dia de exibição de filmes, a noite será encerrada com Cabrueira. Amanhã serão as entregas dos prêmios, não lembro de ter visto algum filme na programação.

quinta-feira, maio 10, 2007

Especial CinePort




"Tu peux, si tu veux"



Infelizmente eu não pude comparecer todos os dias ao CinePort, Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa, por abestalhamento meu, admito.

O 3º CinePort acontece entre os dias 4 e 13 de Maio, aqui em João Pessoa, na Usina da Saelpa, Epitácio Pessoa. Quem clicar no título do texto terá acesso ao site oficial, já que publicar a programação aqui é um pouquinho demais.

O evento contou com palestras e mesas redondas, que ocorreram na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no início dessa semana, além do cinema volante, que acontece até domingo, em diferentes locais da cidade.

O evento traz longas, curtas, documentários e animações do Brasil, Timor Leste, Portugal, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Guiné Bissau e Cabo Verde, atendendo os mais variados gostos. Começa cedo, às 9h da manhã, com exibições direcionadas ao público infantil e a última exibição ocorre por volta das 23h. Mas não pense que pára por aí. Entre um filme e outro, há performances, esquetes e danças. Cada dia do evento é encerrado com uma atração musical e o Café Parahyba, que abre às 14h, só fecha após a saída do último cliente.

Os filmes podem ser assistidos nas tendas Andorinha e Andorinha Digital, os shows musicais podem ser vistos na tenda CinePort Música, há uma área com lojas e cybercafé e exibição de telas com o histórico de alguns homenageados pelo CinePort.

Na hora da fome, além das barraquinhas espalhadas pela área externa, há a tenda Cinema com Manjericão, que não tive a oportunidade de conferir, então não posso dar meu parecer a respeito nem para dizer se é caro ou não.

A estrutura do local está impecável, as chances de esbarrar com atores, produtores, diretores, roteiristas e escritores são enormes, tendo em vista que eles vieram de toda parte para ver o seu filme ser prestigiado no CinePort. A entrada custa apenas R$ 1. Sugiro que todos aqueles que tiverem a chance de ir apareçam, pois é uma experiência que vale a pena.

>>Terça, 8 de Maio

O comentário que tenho para fazer sobre esse dia é que fiquei impressionada com o local e a organização.

Tive pouquíssimo tempo, então vi apenas um trecho de um filme brasileiro "O Veneno da Madrugada". Como não terminei de assistir o filme, me abstenho de comentários, mas devo elogiar a organização e o respeito das pessoas pelo local.

As cadeiras mantiveram-se organizadas, celulares quase não tocaram e as pessoas conversavam pouco durante o filme. O que foi ótimo, pois havia um personagem que falava em espanhol e outro com um sotaque de Portugal. Como não havia legendas , era difícil entender o que falavam.

>>Quarta, 9 de Maio

Com mais tempo e maior disposição, pude ver dois filmes, o português "Coisa Ruim", um suspense muito bem trabalhado, e o brasileiro "Mulheres do Brasil", sobre o qual pretendo escrever de forma mais detalhada.

Nesse dia a organização não foi assim tão boa. Não por conta do evento em si, mas das pessoas ali presentes. Nenhuma delas respeitou as fileiras, arrastando cadeiras e bloqueando as passagens que haviam sido deixadas para que as pessoas pudessem transitar na tenda sem dificuldades. Os celulares não foram problemas, mas os fumantes capricharam e exerceram seu hábito dentro das tendas, o que considero uma grande falta de respeito aos outros espectadores.

O que achei muito interessante foi que colocaram legendas no filme português. Isso facilitou muito a compreensão das falas, já que não estamos acostumados ao modo lusitano de falar. No entando penso que deveriam usar legendas em todos os filmes, mesmo os brasileiros, já que havia estrangeiros presentes nas salas e imagino que, se o sotaque deles é difícil para nós, o mesmo deve ocorrer para eles.

Mesmo com essas poucas críticas, gostei muito do CinePort e pretendo morar na "Cidade do Cinema" pelos próximos dois dias.

segunda-feira, maio 07, 2007

Diferenças








"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."










Perfeição é chata, igualdade enjoa...legais mesmo são os defeitos, as diferenças...

Falo rápido e mais alto do que deveria em muitas ocasiões, sou meio exagerada, tenho medo de escuro e de filmes de terror, tenho ataques de gula, sou baixinha, não tenho o cabelo mais sedoso do mundo, sou dramática, consumista.

E então? Esta autopropaganda não pareceu das melhores, não é?
Mas tais defeitos, juntamente com minhas qualidades, minhas características físicas e psicológicas, fazem de mim o que sou; tais fatores me individualizam e me tornam única...Imagina se a única diferença entre as pessoas fossem as digitais dos polegares?

Só você tem aquela sarda no canto do olho, só você tem aquela cicatriz, só você tem aquela voz, só você tem aquele jeito de olhar, só você tem aquele dedo indicador meio torto (isto diz respeito a mim também), só você tem aquele humor negro...pode haver alguém parecido, mas nunca igual.

Se fôssemos perfeitos e iguais não seríamos humanos...e ahhh, como eu adoro os humanos, cheios de manias, de defeitos, de qualidades, de preconceitos bobos, de crenças diferentes, de medos, de anseios, de sonhos, de vida!

O importante é sabermos conviver com tais diferenças, saber respeitar a individualidade dos que nos cercam, apreciar cada pessoa como um quadro único, mas não estático...

É, mais uma novidade, as pessoas mudam, o tempo pode mudá-las, outras pessoas podem mudá-las, o sofrimento, o poder, a fraqueza, a idade...mas devemos tentar conservar a nossa essência e algumas daquelas coisinhas que nos individualizam...saber avaliar sabiamente o que realmente importa e dar valor a estas coisas, a estas características, a estes defeitos, a estas diferenças...

terça-feira, maio 01, 2007

Por favor, aceitem meu dinheiro!




"membranaseletiva() é uma função que dependendo do valor de entrada pode retornar um valor completamente absurdo( ou não)."

Feriadão, sem concentração pra estudar, chuva, problemas pendentes... O que fazer?

Resolver um dos problemas pendentes, claro! Começando pelo mais antigo: o relógio lindo que ganhei de mamãe no Natal e a pulseira soltou. Vamos ao shopping dar um jeito nisso!

Chego no shopping, aproveito pra procurar fones para meu mp4 (mission failed) e levo meu reloginho no relojoeiro. O moço me cobra dois reais e, ao abrir a carteira, me deparo com uma quantia muito maior, para a qual ele não tem troco.

- Vou ali trocar o dinheiro e já volto, ok?

- Ok, moça. Não se preocupe.


Estamos no shopping, né? Então tá! Deve haver algo por aí que me interesse! Deve ter um casaquinho jeans bonitinho (jeans é bom que não esquenta tanto) dando bola por aí. Ou... ou aquela sainha com estampa xadrez linda no manequim! Que coisa! É meu número! Será que acho outra por aí? Hm... só uma grande demais.

- Com licença, eu achei essa saia aqui perdida na loja e achei linda, mas ela é muito grande pra mim. Você teria o número y?

- Vou chamar a menina pra ela te ajudar.

A tal menina me leva pro outro lado da loja e aponta pra uma parede com umas estampas típicas dessa época do ano.

- É ali, ó.

Chegando no "ali, ó", noto que há saias, mas de um modelo muito diferente do que eu queria, uma cor absurdamente diferente e a padronagem do xadrex então, nem se fala.

Volto ao manequim, a saia que está lá é do número y que pedi. Nenhuma das atendentes parece disposta a aceitar meu dinheiro, tirando a saia dali para que eu pudesse levá-la. Legal. Vamos ver se tem algo em outra loja.

Atendentes não informam, ficam na frente, olham feio, ignoram. Será possível que ninguém entende que eu quero gastar? Que há meses não compro algo para mim? Será que a economia do mundo tá tão boa que as lojas não precisam mais de clientes e eu não tô sabendo?

Entro na Siciliano, encontro o livro que queria dar de presente para uma amiga e vou embora pagar meu relógio. Pelo menos é uma loja em que geralmente sou bem atendida, mas minha situação atual não permite que eu compre mais um livro. Tenho muito o que ler e o que estudar.

Fui embora com relógio, sem saia, sem bolsa, sem sapato, sem uma mísera calcinha pra dizer que alguém numa loja fez o favor de me atender, receber meu dinheiro, dar meu troco com um sorriso e dizer "volte sempre"!

- Sêo gerente? Cadê o papelzinho de sugestões? Quero sugerir um atendimento melhor nas lojas dessa birosca aqui!

domingo, abril 22, 2007

I Haz a Kitty




"membranaseletiva() é uma função que dependendo do valor de entrada pode retornar um valor completamente absurdo( ou não)."



Correndo o risco de bancar a ridícula, quero protestar aqui a respeito da falta de um gatinho na minha casa.

Eu não posso criar um gatinho. Wando não deixa. Wando faz inferno. Wando se pendura nas janelas. Wando late e choraminga o dia todo. Wando fica dando cabeçadas e peitadas (isso existe?) na porta. Wando tenta comer o gatinho. E isso não é justo com o pobre coitado.

Eu não posso criar um gatinho. Meu irmão é alérgico a gatinhos. E a passarinhos. E a ácaros. E a tomate. E a limpeza e organização (especialmente a do banheiro). E a livros. Espera! Acho que aí é preguiça mesmo.

Eu não posso criar um gatinho. Eu não tenho tempo. Eu estudo. Eu faço curso de línguas. Eu faço curso de um bocado de coisas, pra falar a verdade. Eu saio nos fins de semana (e nos dias de semana também). Quem vai fazer companhia pro pobre gatinho? Quem vai alimentar o pobre gatinho? Quem vai fazer escândalo porque o pobre gatinho resolveu fazer suas necessidades no jardim interno, arancá-lo de lá e levá-lo correndo pro jardim? (Believe me: eu já fiz isso inúmeras vezes.)

Mas seria legal ter um gatinho. São uns bichinhos companheiros e que têm um sexto sentido poderoso que os avisam de quando precisamos deles. São uns bichinhos legais que demoram pra precisar de um banho (isso quando não se tem um Wando babando neles e enrolando eles na terra). São uns bichinhos engraçados que se enfiam em cestos, baldes, caçam mosquitos imaginários, dormem em cima da tv e escolhem colocar o rabo bem na cara do Brad Pitt (ou outro ator/atriz bonito/a de sua escolha).

Eu não posso adotar um gatinho, infelizmente. Mas recomendo que quem dispuser de tempo e não tiver um cachorro doido (ou irmão, de repente), adote.

Pelo menos um virtual eu posso ter! E lilás, ainda por cima!

sábado, abril 21, 2007

Eneida - Canto IV




"I'm a whole lot of lot of trouble, baby, since the day that I was born"






Enquanto isso, no Olimpo...

- COMO?! COMO ELE PÔDE?! Ah, aquele Netuno¹ de uma figa... pagará caro por isso! - Juno² esbravejava, andando de um lado para outro no seu quarto divino. - Pois eu lanço uma maldição: que seu nome perca tanto o prestígio que vire marca de carne de peixe!

A deusa jogou-se na cama, que só não rangeu em protesto com medo de apanhar mais. Pensou em reclamar para o sindicato das camas, ou até mesmo entrar em greve, mas achou que as outras camas de deuses não adeririam à causa. Carregada de raiva, a mulher recorreu ao seu espelho mágico, vendido por uma bruxa decadente com uma cesta de maçãs,e viu o jantar dado em honra a Enéias. Viu o olhar ardente de desejo da rainha Dido para o herói, e percebeu que ela já estava perdida. Isso era que dava ficar fazendo voto de castidade depois da morte do marido! Qualquer herói metido a besta se torna um semi-deus! Ah, mas ela ainda inventaria um artefato que pudesse satisfazer as necessidades de uma mulher. Como é que as amazonas se viravam nesses tempos de necessidade?

- Tudo bem, Vênus³. Sua trama deu frutos. Dido se apaixonou pelo seu querido filho Enéias. Satisfeita?! Mas veja bem, eu não quero que Cartago caia, como dizem os oráculos, e você não quer que seu filho passe por provações desnecessárias, certo? Que tal então nos juntarmos? Nós os casamos: Cartago permanece, e Enéias se torna rei do mesmo jeito. O que acha?

A deusa do amor sorriu com a pequena vitória. Não era rancorosa, mas não havia perdoado Juno pela enganação na Guerra de Tróia. Sim, essa mesma Juno, que agora implorava por uma aliança, havia-a enganado, pedindo seus dons em prol do casamento de outra deusa querida. Vênus, muito atenciosa, cedeu-lhe seus segredos especiais, que foram usados pela própria Juno para fazer Júpiter4 dormir enquanto ela, Minerva5 e Apolo destruíam a cidade. Ah, sim, ela ainda se vingaria... Com um andar de fazer inveja à serpente de Eva, Vênus sentou-se delicadamente na cama, como se fossem melhores amigas.

- Casá-los? Não é má idéia. mas não sei se Júpiter irá concordar...

- De Júpiter cuido eu. Acho que ainda tenho alguns daqueles cremes que você me emprestou. Mas o fato é que nós vamos juntá-los, e disso eu também cuidarei. Amanhã, na caçada, uma chuva torrencial cairá, e eles se abrigarão em uma caverna. E bem, deixar sozinhos um homem que viaja por mais de anos, e uma mulher que não toca em um homem por mais tempo ainda, você já sabe no que resulta.

- Ah, sim, se sei...

- Estamos resolvidas então?

- Claro, claro, querida... mas me deixe dar um conselho: se continuar com esse rosto franzido vai acabar criando rugas!

E a caçada de fato começou. Os homens se armavam com arcos, setas e lanças, e até mesmo os mais jovens se empolgavam. O grupo partiu na floresta e pouco tempo depois uma forte tempestade caiu no norte da África. Não que caçar na chuva fosse impossível, mas quando trovões, relâmpagos e raios caíam por toda a parte, a coisa ficava só um pouco mais complicada, compreende? Todos se abrigaram como podiam. Estrategicamente a rainha se perdeu de suas criadas, e se juntou a Enéias. Os dois encontraram uma caverna onde se abrigar da tempestade, e...

- Sabe, vocês deviam usar roupas mais escuras.

- Hã? - perguntou a rainha confusa. Púrpura era a cor do reino; o que ele esperava que ela vestisse?

- É que essa sua túnica lilás, molhada, é... bem, meio... transparente, rainha. Com todo o respeito, claro.

- E que parte do "Eu não quero que você me respeite" você ainda não entendeu? O til?

E dali em diante, Enéias passou a dormir no quarto da rainha. Na verdade, dormir era o que ele menos fazia. Afinal, não é todo dia que se encontram heróis com o vigor de semi-deuses por aí. Dido estava completamente apaixonada, para não dizer abobalhada. Já não dava tanta importância para o reino, se preocupava mais com os vestidos que usava, e era completamente ciumenta. Possessiva, egoísta e rancorosa, não suportava quando o seu marido ia se preocupar com os seus homens sobreviventes de Tróia. Oras, ele era só seu e precisava fazer o seu papel! E o nosso herói até que estava tendo uma vida feliz, apesar das crises de ciúmes da rainha, até o dia em que Mercúrio 6 resolveu aparecer, com suas sandálias douradas de asinhas e sua coroa de louros.

- Enéias, Enéias... você por acaso esqueceu do que tem que fazer?

- Hã... cuidar da construção das muralhas?

- Bem que a sua mãe disse que você não é muito esperto. É um bom homem, audacioso e feroz em batalha. Mas não se pode ter tudo, não é mesmo? Uff, bem... eu não sei se você se lembra, mas você saiu de Tróia para fundar o seu reino, sabe? E se você não fizer isso, Roma não poderá exsitir. Você tem noção do quanto isso significa, Enéias?

- Mas... a rainha, e meus homens já estão até procurando casamento, e...

- Seus homens são leais a você, como todo e qualquer soldado de contos épicos! Não seja idiota, Enéias. Você precisa sair daqui. Ordens superiores.

- Assim... o quão superiores?

- Ou você vai, ou um raio cortará a sua cabeça em duas.

- Ah, tudo bem. Esse superior. É. Ok. Diga a ele que eu partirei amanhã.

Cabisbaixo, Enéias se dirigiu ao palácio. Seria difícil explicar à rainha. Mas eram Ordens Superiores, afinal. Em maiúsculo mesmo. Dido era meio... louca, às vezes, mas era uma pessoa de bom coração. E ele estava feliz lá. Não queria ter que ficar viajando de novo, se perder no mar, ver seus homens morrendo à toa... mas eram ordens superiores. Ordens superiores. Imaginou o que poderia acontecer se resolvesse não obdecer, mas não podia. Ah, como ele queria uma garrafa de vinho agora...

- COMO ASSIM?! Como assim você vai partir? Enéias, você... você não pode! Nós... nós vamos nos casar! Você será meu rei! Meu rei! Isso não é suficiente para você?!

- Mas, querida, compreenda... não é bem minha culpa, eu tenho que ir...

- NADA DISSO! Você não tem que ir coisa nenhuma! Você vai porque você já cansou de mim, não é? Homens, homens! Por que, deusa, por que eu perdi minha sanidade justamente com esse crápula?! Você, que chegou às minhas praias cansado e com fome, e eu gentilmente te abriguei! Você, que com esse corpo escultural e essa sua cara de bocó me conquistou! Ah, claro que não! Não bastava você romper com meus votos de castidade, se aproveitar de toda a minha fortuna, e me... me... SAIA JÁ DAQUI, SEU CAFAJESTE DOS INFERNOS! Que seu povo vague sem alma no Inferno, e que você... que você... SAIA DAQUI!

Desconsolado, Enéias saiu. Rumou logo para seus homens, e mandou que se aprontassem. Partiria assim que possível, não esperaria pela manhã. Algo dentro de si dizia isso. Sim, o inverno estava começando, mas ele não tinha escolha. Pensou que louca como estava, a rainha poderia mandar seus homens matá-lo enquanto dormia, ou coisa pior: desprovi-lo de certas... marcas de nascença. Não queria que ela ficasse assim, não estava gostando nada daquele desfecho, mas nada podia fazer. Não tinha escolha.

E seus homens trabalhavam, enquanto a rainha andava de um lado para outro no seu quarto. Na cama, jazia a espada de aço troiano, dada como presente pelo filho de Vênus. Desgrenhada e com olhos como brasa, Dido mandou que acendessem uma grande pira funerária. Iria queimar todas as lembranças desse canalha. Como pôde entregar-se desse jeito? Deixou de casar com reis locais, ganhar mais influência e dominar o resto da África, e talvez o mundo, só por conta daquele abdômen espartano. Por isso que mulheres não podem ser rainhas! Voláteis que são, acabariam pondo fogo no reino! Se bem que um certo homem viria a fazer isso em Roma...

E conforme Enéias e seus homens partiam mar tempestuoso adentro, Dido, do alto da pira funerária, observava-os. Jogou as sedas, o colchão, a camisola que havia comprado para a noite de aniversário. Seus olhos ardiam, e os cabelos loiros, desgrenhados, acompanhavam o crepitar do fogo. E naquelas visões que todo moribundo em poemas épicos tem, Dido desembanhou a espada e gritou aos ventos:

- Vai, Enéias. Vá e cego com Édipo cumpre o destino que os deuses te impuseram. Mas não te esqueces, Enéias, que haverá de vir um filho desta terra, que será a ruína de Roma. E eu não só falo da eterna rivalidade que a partir de agora surgirá, mas de um homem, que passeará por entre as tuas terras como um cidadão. Tudo bem, ele vai morrer e perder a guerra, mas não é isso que vem ao caso.

E Dido até tinha pensado em desistir da idéia de se matar, mas quando tentou se virar tropeçou no vestido e não sabendo manejar a espada, acabou se matando.
______________
MITOLOGIA FOR DUMMIES

1. Netuno é o deus dos mares, irmão de Júpiter e o equivalente romano a Posídon. Foi ele quem acalmou a tempestade mandada por Juno no Canto I.
2. Juno é a rancorosa irmã-esposa de Júpiter, ciumenta e possessiva. Por vingança, ela não quer que Enéias chegue à Itália, e é a equivalente romana a Hera.
3. Vênus é a deusa do amor, amante de Marte (Ares) e esposa de Vulcano (Hefesto). Mãe de Enéias, é a equivalente romana a Afrodite.
4. Júpiter é o deus dos deuses, manda-chuva do Olimpo. Equivale a Zeus.
5. Minerva é a filha de Júpiter, representando a sabedoria, conhecimento e a guerra justa. Equivalente a Palas Atena.
6. Mercúrio é um deus mensageiro, mas também ligado ao comércio e subterfúgio. Equivale a Hermes na mitologia grega.

Créditos da Imagem: Kedralynn

terça-feira, abril 10, 2007

Manias



"Pra sempre é pra sempre"




Nem vem me dizer que você não tem uma, porque todo mundo tem! As manias alheias vão do básico roer de unhas até a loucura obcessiva do abrir e fechar a porta 6 vezes antes de sair e jamais pisar nas linhas da calçada.

Tem gente que não pára de mexer no cabelo, tem gente que não pára de mexer nos óculos, tem gente que simplesmente não pára de mexer. Precisa ter algo nas mãos o tempo todo, anda de um lado para o outro e não consegue passar mais do que 10 minutos sentados na mesma posição.

Quando criança, eu tinha uma mania de pisar ou no preto ou no branco daquelas calçadas bicolores, que não encontro com tanta freqüência em João Pessoa, mas foram bastante presentes no pouco tempo que passei em São Paulo e nas visitas à Santos. Isso atrasava um bocado a vida dos meus pais. Eles tinham que arrastar por aí uma coisinha loira desse tamanhico que se recusava a pisar na parte preta/branca da calçada (cada dia era de uma cor).

Hoje em dia eu ainda faço isso, se estiver só e com tempo disponível. Mais como uma brincadeira. Tenho umas de não pisar das rachaduras também. Às vezes é até mais seguro, porque do jeito que sou desastrada, seria capaz de prender a sandália em uma rachadura um pouco mais larga e me estabacar no chão.

Outra mania que tenho é de arrumar os ovos na geladeira. Eles ficam tão mais bonitinhos quando estão em duplas! Claro que isso não se restringe à minha geladeira. Seria muito egoísmo. Se algum dia você me disser: "Sinta-se em casa" e pedir para eu pegar algo na geladeira, por favor, me dê um minutinho, ok? Será por uma boa causa. Isso se os ovos estiverem em número par.

Não sei bem se isso é mania ou vício de linguagem, mas misturo os idiomas enquanto falou. É um "whatever" aqui, um "pour moi" ali... Já cheguei a encaixar palavras em espanhol, italiano e alemão em algumas frases, e olha que nem estudo esses idiomas! (Ai que saco que vou ser quando começar a estudá-los!... XD)

O que mais posso dizer sobre mim? Eu reclamo no trânsito, mesmo que não esteja estressada, eu me esgüelo enquanto dirijo (sim, porque a palavra "cantar" não seria tão bem aplicada, nesse caso), eu "absorvo" manias dos outros e invento novos hobbies como ninguém. Arrumo os ovos da geladeira, mas sou incapaz de arrumar meu quarto.

Mas eu sou normal, como todo doido... er... como toda pessoa que tem suas manias. E as minhas até que são bem suaves e inofensivas comparadas às dos outros.

Tem gente que tem mania de impor opinião, de mexer na gaveta de roupa íntima alheia, de ouvir música no último volume, de dormir com o controle da tv no colo e acordar bem quando outra pessoa vai mudar de canal com a frase: "Eu estou assistindo". Tem gente que adora cutucar os outros. Tem gente que fica fungando o tempo todo. Tem gente que aplica "bom ar" em cada ambiente que entra e tem quem tenha mania de limpeza.

Já ouvi milhares de vezes que "cada doido tem sua mania" e não duvido da veracidade dessa afirmação.


E você?
Qual a sua mania?
Opine!

sábado, abril 07, 2007

For Sparta! For Freedom!



"Pra sempre é pra sempre"




Como prometido aqui e aqui (e, eventualmente, aqui), cá estou eu, na frente do computador para, mais uma vez, falar de 300 de Esparta. O trabalho não é fácil, como foi dito em "This is Sparta!", faltam palavras para descrever um filme tão bem feito e bem trabalhado.

Talvez eu deva começar justamente por aí, pelo "bem feito e bem trabalhado", porque os cenários nos transportam diretamente para a Grécia antiga, sem escalas. O filme não teve cenas externas, foi todo rodado em estúdio. Li em algum canto que 10% do trabalho foi feito com um fundo verde. Os outros 90% foram feitos em fundo azul, que combinava melhor com as capas dos Espartanos. Fui assistir o filme pela primeira vez sem essa informação e, se não tivesse lido sobre isso, não desconfiaria. Imaginaria que tudo havia sido construído. (Depois ficaria pensando no trabalho que teria dado, pois duvido que exista uma locação perfeita para que essa história fosse rodada, mas isso não vem ao caso).

Outra coisa que me impressionou foi a fotografia. Cada trecho do filme é marcante. As imagens são belas e cada uma delas deve ter sido trabalhada para serem perfeitas para as fotos de divulgação. Achei interessante o efeito granulado logo no início do filme, quando Dilios está contanto a história de Leônidas (Gerard Butler) para o exército espartano, contrastando com as imagens perfeitas do resto da história.

Falando em história, não há muito o que se contar, até porque eu já falei sobre as Guerras Médicas aqui no Membrana. Há algumas alterações. Na história real, os espartanos não foram à Primeira Guerra por motivos religiosos. Nesse caso, eles foram impedidos de ir, por esses mesmos motivos, pelo oráculo deles. Como sei que ainda tem uns gatos pingados que não foram ver o filme, vou poupá-los do spoiler e não vou dizer que o oráculo foi comprado. Ops! Pelo menos foi besteira, não influi em muita coisa.

Xerxes (Rodrigo Santoro) manda mensageiros exigindo que Esparta se submeta ao seu domínio, Leônidas não aceita, tenta reunir o exército, o oráculo não deixa, ele reúne alguns homens, os melhores de Esparta e vai para as Termópilas, barrar o exército persa lá.

Aproveitando que falei em Xerxes, Rodrigo Santoro desempenha muito bem o seu papel e faz de Xerxes um Rei-Deus convincente. E não, ele não foi dublado. Assim como teve seu tamanho praticamente duplicado, teve a voz alterada por computador para ficar mais condizente com o personagem. Eu notei isso ao notar um deslize mínimo de pronúncia e fui atrás de informações.

Devo também elogiar aqui a maquiagem, pois cada uma das criaturas horríveis, dos quase-seres-mitológicos (e seres mitológicos, se você prestar atenção no harém de Xerxes), dos doentes e deformados ficou perfeito.

Enfim, temos uma super-produção, o primeiro blockbuster de 2007, que impressiona, fascina e empolga. Acho que empolgaria até aquelas mocinhas mais seletivas, que não assistem a filmes de ação (sim, eu não posso deixar de falar sobre os guerreiros espartanos e modelos da Calvin Klein nas horas vagas). Não li os quadrinhos de Frank Miller (nem entrei no mérito por causa do texto anterior), mas ouvi várias e várias vezes que foi a melhor adaptação de qualquer coisa para o cinema. Ouvi inclusive que chegou a ficar melhor que o original. Não posso dar uma opinião concreta a esse respeito, mas eu acredito no que dizem.

****

Como prometido, vou falar brevemente da manifestação do Irã contra o filme.

O filme foi lançado num momento em que o Irã está sendo criticado por seus planos nuclerares e tomaram o filme como "anti-iraniano". Ele foi classificado como "um comportamento hostil, resultado de uma guerra psicológica e cultural".

Segundo políticos e blogueiros iraniados, seus ancestrais estão sendo difamados pelo filme. Eles acreditam que o filme transmite uma imagem ofensiva e fraudulenta e afirmam que a Pérsia (Oh, yeah: a Pérsia ficava aonde hoje é o Irã. Got it?) era o império mais poderoso e civilizado do mundo.

Aparentemente virou moda achar ruim que Hollywood produza um filme que "fale mal" de qualquer país, como se de lá também não saíssem filmes que também trazem acontecimentos negativos dentro dos Estados Unidos e protagonizados por estadunidenses.

Se a Pérsia era um império vasto, devia isso às guerras, pois era assim que se conquistavam - e ainda se conquistam - territórios. É com mortes, derramamento de sangue, um país/povo/nação sendo derrotado e outro saindo vitorioso.

Talvez o filme não tenha sido lançado no melhor dos momentos para o Irã, mas acho que já está na hora de reconhecermos que é apenas ficção, não uma propaganda anti-qualquer-coisa.

This is Sparta!
(And a damn nice spartan)


quinta-feira, abril 05, 2007

Eneida - Cantos II e III




"Preparem-se para a glória!"




E aqui segue a tragetória do herói fundador de Roma. Depois de vagar longa e penosamente por uma tempestade mandada por Juno (ou eu poderia chamá-la de Hera? Acho que não faz muita diferença...), aporta nas praias de Cartago e segue para encontrar a raina Dido. Dido, como toda rainha que se preze, convida o herói para jantar. Mal sabe ela da artimanha perparadas por Afrod... hã, Vênus: escondendo o pequeno Ascânio, filho de Enéias, ela pede que Cupido tome a forma dele e induza no peito da rainha furioso amor.

Enéias suspira, toma mais um bom gole do vinho africano, e a pedido da rainha, começa a contar a história da queda de Tróia.

- Um dia estávamos lutando e no outro dia *ic* PUF! Nada! Os gregos *insira aqui algum xingamento proibido para o horário* simplesmente sumiram! De primeiro achamos que... *ic* era algum tipo de estratégia idiota... mas bem, não é como se eles tivessem muito para onde ir, afinal. Mas o mais estranho era um *ic* cavalo! De madeira, enorme, maior até mesmo que as nossas muralhas! - gesticulava o herói exageradamente, enquanto tomava mais vinho. No fundo, um aedo (aquele sujeito que ficava cantando histórias, acompanhado de uma harpa, e normalmente era cego) cochichou com uma das escravas:

- Depois eu quem invento histórias...

Enéias fingiu que não ouviu, e continuou sua narrativa. Falou que um sacerdote de Posídon tentou convencer o rei a queimar o cavalo, que não se podia confiar nos presentes dos gregos. Mas os troianos, cegos que estavam pelo fim da guerra, não lhe deram ouvidos, e quando uma cobra "que era desse tamanho, juu*ic*uuro!" sufocou e devorou o sacerdote, acharam por melhor deixar o cavalo entrar.

E o resto do dia foi somente festa: a guerra de dez anos, narrada em mais de 8 mil versos por aí, havia finalmente acabado! À noite, enquanto todos dormiam o sono dos justos, os soldados gregos escondidos no cavalo começaram a chacina.

- E bem*ic*, eu achei que havia sido algo pesado que eu comi *ic* antes de dormir, mas naquela noite eu tive um sonho. Heitor, filho de... de... de... como era mesmo o nome dele, do rei de Tróia... bem não importa. Ele era um bom homem. Heitor. Mas o rei também era. Onde eu estava? Ah, sim, eu sonhei com Heitor. Sim, sim. Foi um sonho estranho, na época. Ele disse que eu saísse correndo, pegasse os Penates de Tróia, e fugisse, que um reino me aguardava. Um bom reino, com água, terras férteis e todas essas coisas que se diz em profecias.

- E claro, eu acordei, e vi a cidade queimado. E o que eu fiz?

- Fugiu com sua comitiva? - perguntou um figurante qualquer.

- Claro *ic* que não! Eu sou um guerreiro, oras! Peguei minhas armas! Me juntei *ic* a um punhado de homens e se fosse para morrer, que morresse como homem! Até que resolvemos usar as armaduras dos gregos, matando a maior quantidade deles disfarçados. E essa até que foi uma boa idéia, até o momento em que os troianos passaram a nos atacar. Tivemos que fugir para o palácio do rei... Príamo! O nome dele era Príamo! E foi onde eu o vi morrer pelas mãos do filho de Aquiles. Era um bom homem, o rei. E Aquiles também, apesar de meio esquentado.

- E eis que eu vi Helena: a grande *insira aqui um xingamento bem forte* que causou toda a guerra. Por um momento eu fiquei cego. Sim, eu morreria, enquanto ela iria só jogar um charminho para o marido chifrudo dela e sair ilesa. Ah, não, não. Eu não poderia deixar aquilo passar. Quando levantei a minha espada, minha divina mãe apareceu. Me lembro até hoje das palavras sábias e carinhosas dela.

- Olha aqui, seu mané! Você acha que isso é trabalho desses mortais? Não, meu filho desprovido de inteligência. São os deuses, os deuses que estão fazendo isso. Deixe essa vadia pra lá e vá cuidar da sua família, como um homem de verdade deveria fazer! Pegue seu pai, os Penates de Tróia e vá embora! Entendeu ou quer que eu desenhe?

-
Bem, então eu fugi. Carregando meu pai nas costas, e ele segurando os Penates, e meu filho pela mão. Só que no meio do caminho eu meio que perdi a minha esposa... como era mesmo o nome dela? Bem, ela morreu, não importa. E bem, daí juntei os sobreviventes e comecei a viagem.

- E como foi a viagem? - perguntou a rainha, que já sentia uma coisa estranha no peito quando ouvia o herói falar. Tanta coragem, tantas provações, braços tão fortes, pernas tão bem trabalhadas, e o tanquinho, nem se fala...

- A viagem foi um inferno na terra. No mar, *ic* quer dizer. Na terra e no mar, na verdade. Ulisses? Rá! Ele *ic* deveria agradecer por ter tido uma viagem melhor que a minha! Ficou anos e anos com uma deusa imortal e ainda queria voltar para Ítaca... *ic* cara burro. Vi vários lugares, enfrentei monstros terríveis, ouvi *ic* oráculos dos mais estranhos... mas nunca me preparei para *ic* a morte do meu pai. Ah, meu pai. Era um bom homem, ele também. Como era mesmo o nome dele...? Bem, depois de queimá-lo e fazer toda aquela frescura de ritual fúnebre, segui o caminho. Mas pegamos uma tempestade grande no meio do caminho e agora estamos aqui. Agora, se me permite, rainha... *ic* eu preciso descansar da viagem...

E assim Enéias terminou sua história, se levantou meio trôpego e foi dormir.

quarta-feira, abril 04, 2007

Vendo a Noite com Outros Olhos



"Pra sempre é pra sempre"




Hoje vi uma poesia no pôr-do-sol. Um poema trágico, que ninguém mais viu. Os versos não escritos começavam rubros sobre minha cabeça e iam perdendo as forças em direção ao horizonte, até que terminavam num amarelo desfalecido.

Me pergunto quem - ou o quê - terá morrido. Se apenas o sol, para nascer de novo, se apenas o dia ou se alguma vida teria realmente se esvaído.

A rua de terra à minha frente se mostra completamente diferente, porém igual ao que é todo dia. A luz turva forma uma cortina à minha frente. Esses caminhos que eu percorro todo dia me parecem antigos, muito antigos para uma cidade que não conta 500 anos.

Pouco depois, nasce a Lua. Cheia, soberba, num trono de nuvens fofas e coroada pela própria luz. Toda a graça de uma deusa antiga - e todo o seu mistério.

A lua-deusa se ergue do mar, eu vislumbro por entre os prédios, que parecem tão mal encaixados na cidade. Esses prédios, essas casas, o asfalto mais adiante, os carros que teimam em correr as ruas, com seus ruídos, faróis e buzinas. Tudo isso parece descontextualizado. Por algum motivo eles não deveriam estar ali. A cidade não deveria estar ali. Apenas a praia parece estar no lugar certo.

A luz sobrenatural da Lua parece exigir a extinção da cidade, ao menos por alguns momentos. Páro de ouvi-la, de vê-la. Só há a praia, a luminosidade lunar e eu; que nem lembro de ter caminhado até a areia. Sento-me e ouço a rebentação das ondas. Tão calmas e relaxantes e ainda assim tão furiosas e dominadoras.

A noite parece me lembrar de tudo aquilo que li um dia, que estudei em aulas de história, que sei de culturas antigas. Parece me falar de como era soberana e temida. De como era venerada. Me conta das danças sagradas, oferendas e sacrifícios. Me conta das suas sacerdotisas. Me leva para o seu tempo.

Com o passar do tempo, a Lua se afasta da terra, se afasta de mim. Diminui e se esconde por entre as nuvens, quase como em protesto. Havia perdido suas oferendas, suas danças, seus sacrificios e a devoção antes a ela devotada. Deixa de ser uma Deusa e volta a ser um simples satélite. Deixa de ser sagrada, é só mais um fruto do acaso. Um corpo celeste girando em torno de outro. E eu sou tragada devolta a esse tempo.

E o sol nasce. Uma outra poesia sendo escrita. Um outro dia nascendo. Os raios como lanças a rasgar o véu da noite, vindo do mesmo mar onde a lua havia nascido. Uma poesia delicada como bruma, que se desfaz sob o calor do próprio poeta.

terça-feira, abril 03, 2007

Não deixe ninguém derrubar você

É incrível como certas pessoas parecem ter nascido pra fazerem o mal. Pessoas carregadas de amargura, despeitadas, frias, impiedosas, que transbordam inveja com um simples olhar.
Sou adepta daquela corrente que diz: se não tem nada bom pra dizer, fique calado. E mais, acho que sempre devemos tentar enxergar na pessoa o que ela tem de melhor.

Se não é a mais linda para mim (sabe-se que beleza é algo extremamente subjetivo), vou louvar suas qualidades intelectuais, seu bom humor. Se é dona de cabelos lindos, porque olhar para o nariz que talvez destoe do rosto? Se escreve maravilhosamente, porque comentar que não tem jeito para esportes? Se é a pessoa mais engraçada que você conhece, porque criticar a dificuldade que ela tem com números? Se tem um rosto lindo, porque não apenas elogiá-lo no lugar de acrescentar um “mas ele é tão burrinho” no final da frase? Cada pessoa tem seu potencial. Ninguém pode ser bom em tudo.

Você já viu alguém super belo, inteligente, excelente em esportes, que tem uma genética abençoada podendo comer muitas porcarias sem engordar, com um senso de humor aguçado, educado, com uma família estruturada, fiel, bom caráter, com dotes musicais e defensor da natureza? Que graça teria ser assim? O que motivaria tal pessoa a acordar e pensar em fazer algo melhor, superar uma dificuldade, vencer um obstáculo?

É incrível ver nosso nome numa lista de aprovação de um concurso disputado, mas o gosto é maior quando para isto foi feito um esforço, quando houve uma dedicação, quando trabalhamos para isto e conquistamos tal vitória.

Uma garota que suou na academia e disse não algumas vezes a um doce “desnecessário” vestirá muito mais feliz uma blusinha mais curta do que aquela pessoa que sempre foi magra e nenhum esforço fez para tal.

Uma pessoa que não tem a melhor coordenação motora, mas de tanto treinar faz um lindo solo de guitarra com certeza vibrará mais do que aqueles que têm “o dom”.
Não quero desmerecer as pessoas que conseguem certas coisas de forma mais fácil, ao contrário, quero apenas dizer que todos temos pontos mais fortes e pontos mais fracos, que sempre somos bons em algumas coisas e que teremos que batalhar duro para sermos bons em outras. Eis uma das graças da vida.

Comecei o texto falando sobre pessoas que só enxergam os defeitos alheios, que só nos aparecem com críticas...o que aconselho é: não deixe tais pessoas ofuscarem seu brilho próprio, não deixe ninguém olhar pra você e dizer que você não é capaz de fazer algo.
Também não seja uma daquelas pessoas do início do texto, tente enxergar o que os outros têm de melhor, não as critique desmedidamente e sem propósitos, ajude-as a levantar e...não deixe ninguém derrubar você.


* Dedicado a uma pessoa especial demais pra mim. Acho que uma das mais especiais da minha vida.