terça-feira, julho 10, 2007

Motivos pelos quais não escrevi pro blog, parte 2 - By another girl





Eu brinco de pular fogueiras. Antes eu tinha medo de me queimar por ter as pernas curtas, mas a cada dia vejo o quão alto eu consigo pular.




:: Tive uma crise existencial que durou todo o mês de junho, coisa chata que consumiu minha energia, minha vontade de escrever, minha vontade de malhar, minha vontade de fazer as mil coisas que sempre faço.

:: Tive problemas com algumas pessoas, com algumas coisas, com alguns sentimentos, com algumas fotos, com alguns telefones, com algumas roupas, com alguns animais, com alguns minerais...com tudo tive problemas em junho. Imaginei até que tinha nascido em julho, pois meu inferno astral definitivamente estava ocorrendo até então.

:: Fiz amizades novas, reestabeleci contato com amigos muito queridos, ampliei meus horizontes, dei assistência à pessoas muito amadas, fiz coisas diferentes que nunca tinha tido oportunidade de fazer, estou cuidando muito bem de mim agora, estou com mil idéias profissionais, além das fúteis de sempre. [ isso se você considera futilidade momentos de diversão, sorrisos, loucurinhas e afins].

:: Recomecei a pegar pesado na combinação academia e dieta saudável, a primeira ocupa metade das minhas manhãs, a segunda está sendo levada da melhor forma pelo resto do dia. [ou você acha que não consome tempo fazer uma linda salada para almoçar com um franguinho grelhado no lugar de pegar aquela pizza pronta e colocar 5min no microondas?].

:: Tive que ir ao médico cirurgião [não se assustem] para marcar a intervenção que ajeitará os furos das minha orelhas...é isso que dá usar brinco pesado desde os 13 anos...

:: Tive dengue. [isso é auto-explicativo e consumiu uma semana minha].

:: Viajei e passei meia semana em Recife. [aniver do namorado].

:: Minha inspiração, como a de Fernanda, também tirou férias...acho que foram férias coletivas então.

:: E não...não fui abduzida por aliens, mas assisti alguns filmes de terror ultimamente [coisa rara para mim] e estou até ficando mais corajosa. Acho que estou pronta para enfrentar os aliens.



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quarta-feira, julho 04, 2007

Novo e-mail




Fumaça de fogueira sucks. ¬¬



Fui obrigada pela Microsoft a abrir uma nova conta de e-mail, pois o MSN Live me fez o favor de não abrir meu e-mail do gmail. Isso só na minha casa, claro, na casa dos outros funcionava normalmente.

Depois de mexer, catucar e futucar em tudo, apelar pra macumba, reza braba e pedir por favor educadamente (e grosseiramente, mais tarde), desisti e resolvi abrir uma conta no hotmail. Menos dor de cabeça, né?

Apesar dos pesares, logo de início teve uma vantagem: pude "filtrar" os contatos. Sabe quando você olha praquela sua lista enorme que tem uns 5 e-mails diferentes da mesma pessoa, gente que nem se sabe de onde surgiu e um povo com o qual vc não tem contato algum e sente a preguiça do mundo todo de sair excluindo? Uma nova conta de e-mail faz isso por você.

Para início de conversa, eu não adicionei ninguém. Dei meu e-mail novo e expliquei a situação para que os outros me adicionassem. Assim, já evitei ter vários e-mails diferentes da mesma pessoa e ter gente na lista que não faz nem sentido que esteja lá. E quem também não sabe porque você dá as caras no Msn se nem te conhece ou não fala contigo há 5 anos não te adiciona, uma pessoa a menos na lista de contatos interminável e, por vezes, inútil.

Mas o melhor de tudo é abrir a caixa de entrada. 5 ou 6 e-mails recebidos, um ou outro novo, zero spans. Não que não goste de receber e-maisl, muito pelo contrário! Mas gosto de receber e-mails de amigos, não de sites, empresas, avisos...

Enfim, agora tenho mais uma conta de e-mail para olhar. Conta essa que entro uma vez por semana e me dou por satisfeita de ver uma mensagem perdida, nada de e-mails repetidos que já vi em outras contas e não tenho trabalho nenhum para deletar spans, já que eles não existem.

sexta-feira, junho 29, 2007

Motivos Pelos Quais Quase Não Escrevi Pro Blog




Fumaça de fogueira sucks. ¬¬




:: Meu computador não chegou. (Sim, eu tenho um, mas eu quero o outro, oras!)

:: Não estou em casa.

:: Estou na casa do meu namorado. (Sim, tem computador aqui... Mas fale sério! Quem é que vai passar o dia enfurnada no pc do namorado?)

:: A Inspiração tirou férias, no mesmo período que eu. Safada, não?

:: Tô malhando. (Ok, não tem nada a ver com computador, criatividade ou esforço mental, mas tá pensando que fazer exercício físico não cansa, é?)

:: Tem uma espinha no meu nariz. (Veja bem: não é tão simples quanto parece... A espinha não está fora, mas dentro do meu nariz. E cresce mais a cada dia. Ela dói, coça, me irrita e me incomoda. E me dá vontade de espirrar. É difícil se concentrar assim.)

:: Ganhei "300 de Esparta" de dia dos namorados. E "Lenore" chegou um dia desses. (Hm... Ok... Não gastei muito tempo lendo-os, até porque quadrinhos se lê num instante. E eu poderia ter aproveitado e me inspirado em algum deles pra escrever algo. Mas... Bem... Tá! Tá bom! Sei que não é desculpa! Mas eu escolhi lê-los a usar o computador, portanto eu não poderia escrever pro Membrana.)

:: O computador tem me dado dor de cabeça. (Ou eu já tenho uma leve dor de cabeça e o pc piora minha situação, depende do dia.)

:: Fiz maratona de anime. Alguém que passa 2, 3 dias seguidos inteiros vendo uma série na tv não pode estar no computador escrevendo, não é mesmo?

:: Fui abduzida por alienígenas estranhos sem rosto e que pareciam feitos e vidro, como em A.I., que se comunicavam por telepatia. (Ok, ok... Não fui abduzida por nenhuma forma de vida inteligene de fora da Terra. É mentira, eu admito. Mas devido à minha incomunicabilidade - diversas vezes opcional, mas não vou admitir isso - é quase como se tivesse sido.)


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sábado, junho 23, 2007

Eneida - Canto V



A única coisa boa do São João é porque é feriado. Mas nem pra isso o santo serve, que esse ano caiu em um domingo.



Ao longe, os marinheiros vislumbravam a grande fogueira que queimava no pátio. A maioria deles, no entanto, tinha coisas mais importantes a fazer, como se preocupar com o jantar, as cuecas sujas e limpar o convés. Outros se preocupavam com coisas mais inúteis, como por exemplo saber para onde estavam indo. Enéias, por sua vez, como um bom capitão de navio, dormia tranqüilamente na sua cabine.

Juno, ainda ressentida pela morte idiota de sua protegida, trama o destuino de Enéias. Na verdade o que ela faz é dar grandes nós na linha do Destino de Enéias, deixando a vida do herói mais emabaraçada que cabelo de mulher quando acorda. E tecendo, com as agulhas e linhas, a deusa teceu uma bela tempestade.

Tempestade é um eufemismo. O Dilúvio de Noé foi fichinha perto daquela tempestade. E os navios, se pudessem falar, falariam de lugares nunca antes vistos, de grandes guerras, e outras coisas. O navio de Enéias, se pudesse falar, naquele momento diria: "Putaquepariu, tempestade DE NOVO?!"

E sem rumo sobre a água, Enéias aportou en terras conhecidas. Por mais que não lembrasse o nome do reio, sabia que ele era um bom homem, e pediu hospedagem. A lei da hospedagem é muito simpes: você entra na casa de alguém, come do bom e do melhor, é presenteado e tem servas a seu dispor. A única coisa que você não pode fazer é roubar a esposa do anfitrião. Foi aí que Páris errou. E isso acarretou na guerra de Tróia, e toda aquela conversa que nós já sabemos.

E os dias no reino do qual não se lembrava o nome - mas é Drépano, caro leitor - seriam tranquilos para Enéias: rezar pela alma do pai, celebrar jogos em seu nome, e ir embora, rumo à terra prometida. Simples, não?

Seria simples, se não estivéssemos em uma epopéia. Enéias celebra seus ritos, promove seus jogos, e enquanto isso as mulheres da sua tripulação fofocavam:

- Ah, mas você viu os vestidos que a rainha usava? Um luxo! Ah, todos aqueles detalhes bordados...
- E as sandálias de salto alto? LIN-DAS! Só aquele cabelo dela que era meio cafona...
- UM HORROR! E aquele cinto...?

Juno era mulher também, obviamente, e pior: era deusa. Sabia divinamente como infernizar a vida de alguém. Mas não podia fazer isso diretamente, afinal, era a esposa do patrão. Mandou então Íris. Sua missão? Fazer com que as mulheres queimassem os navios.

O que Íris fez exatamente não se sabe. Dizem que ela jogou entre as mulheres alguns metros de seda chinesa, e de tanto se estapearem, as mulheres se pisotearam até a morte. As sobreviventes ficaram ensandecidas diante da visão e queimaram os navios. Outros contam que ela teria jogado um boneco inflável do Brad Pitt ou do Eric Bana, e o calor que se seguiu foi tamanho que ateou fogo nos navios. Alguns mitógrafos, no entanto, se perguntam porque a própria Íris não queimou os navios, usando querosene e fósforos. Acho que ela não achou que seria épico o bastante.

O fato é que os navios pegaram fogo, mas alguns foram salvos. Nenhuma das mulheres sobreviventes conseguiu explicar o que realmente tinha acontecido, e o herói toma uma árdua decisão: as mulheres ficariam em Drépano. Elas já não cozinhavam tão bem, nem cuidavam dos outros afazeres femininos como deviam. Além do mais, andar com loucas incendiárias por aí não seria saudável.

As mulheres se casaram com nativos, tiveram filhos, constituíram família e tudo o mais. Mas de vez em quando se reuníam às escondidas e iam incendiar algumas coisas. Só para matar o tempo.

Partes anteriores: confiram aqui.

Quer coisa mais fantástica que textos envolvendo mitologia? Pois é, com uma sátira desse tipo, você pode participar do nosso concurso! Veja as informações aqui.
Créditos da imagem: Willdan.

terça-feira, junho 19, 2007

Winter is Coming



"Dark words come in dark wings."




AVISO: Esse texto contém spoilers. Se você pretende um dia ler a série A Song of Ice and Fire, de George RR Martin, e não gosta de spoilers, não leia.

Cabelos negros como a noite sem luar eram levados aleatoriamente pelo vento frio do Norte, juntamente com lágrimas furtivas. Kateryn tentou sufocá-las, mas falhou miseravelmente. Passara a noite acordada, arrumando os pertences do seu pai, e estava cansada demais agora para se policiar. Não era mais uma garotinha, e tinha que ser forte. Prometera isso, e haveria de cumprir.

Palavras sombrias chegam em asas negras, costuma-se dizer. Daquela vez não havia sido um corvo o mensageiro, mas sim o seu pai, cavaleiro jurado ao Lorde Cerwyn. Sir Willam Goodhunt, homem simples, guerreiro disciplinado e um tanto rude, mas principalmente, seu pai. Fora ele quem chegara abatido da viagem e deu a notícia de que Lorde Stark havia falecido. Executado. Acusado de traição ao rei, decapitado em praça pública.

E então houve a reunião. O melhor homem do Norte, dissera Lorde Cerwyn. E Kateryn não precisava conhecê-lo para saber disso. A reputação de um homem de verdade o precedia, e não era diferente com Eddard Stark. Bondade, sabedoria, justiça e quase todos os adjetivos eram ditos pela maioria das pessoas quando falavam do Lorde de Winterfeel. E tudo isso foi relembrado por lorde Medger em seu discurso.

E além de morto injustamente, suas duas filhas eram mantidas cativas nas terras do sul. Sequer o direito de enterrá-lo junto a seus ancestrais havia sido dado à família. E Robb Stark, herdeiro da casa, chamava seus homens à guerra. E isso incluía a casa Cerwyn

Aquelas palavras caíram pesadas como rochas rolando de uma torre. Mesmo depois da noite de trabalho, e mesmo naquele momento, vendo os homens que mais amava na vida partirem para um destino incerto, o discurso do lorde ressoava na sua mente. Guerra. Seu pai, Medger Cerwyn, a quem tinha como um pai, e Cley Cerwyn cavalgavam para uma guerra que não era sequer deles. Era uma guerra de reis. O Rei do Norte, Robb Stark, garoto mais novo que a própria Kateryn, e Jeoffrey Baratheon, um infante feito rei pelas tramas do destino.

“Prometa que vai estar aqui”, dissera Cley. “Prometa que vai estar aqui quando eu voltar.”

Queria ir com ele, queria estar ao lado dele. Morreria protegendo-o, se preciso fosse. Mas as lágrimas não a deixaram dizer. O povo do Norte não era muito bom com palavras, e por mais que ela quisesse, não conseguiu. Amava-o, tinha certeza disso. Mas o máximo que conseguiu dizer foi:

“Eu prometo”.

quarta-feira, junho 13, 2007

Damien


"- Nobody is really ready.
- For knighthood?
- For death."


Um instante. Tudo o que ele precisava era de apenas um instante - o tempo de um simples piscar de olhos era mais que suficiente para levar um cavaleiro ao chão. Não tinha nada contra duelos - apesar de serem um tanto burocráticos e fantasiosos demais - mas o campo de batalha era diferente. Justa alguma poderia se comparar à batalha: suja, lamacenta e escorregadia, onde os homens lutam por suas vidas. Em uma batalha, você mata, pisoteia, esmurra e até tortura. Com sorte você aprende a gostar disso.

Damien escutava os tambores dos inimigos, soando ao longe, mas aqueles bastardos não o incomodavam. Era um mercenário, sem fé, e que adorava matar - não importava o lado dos soldados, ou a quem servia. Era vassalo apenas de sua espada. Carregava a bandeira de quem pagasse melhor - desde que pudesse matar. Prisioneiros rendiam resgates, e por isso deixava os nobres emplumados para quem os desejassem. O dinheiro só era útil enquanto pudesse pagar uma boa armadura e uma espada melhor ainda. Sorriu quando o primeiro destacamento veio na direção de atacá-los.

Fez um gesto para que seus homens esperassem. Que a carga seguisse em sua investida desvairada, desfazendo a linha inimiga. Que eles os enfraquecessem com as lanças, e que eles morressem primeiro. Logo os primeiros gritos soaram, acompanhados pelo clangor de espadas. Damien não deixou de sorrir quando viu um cavaleiro ser atingido por uma espada, e tombar para a esquerda do cavalo, preso pelo pé no estribo, enquanto o animal andava erraticamente. Aquele era o destino dos heróis do rei: uma morte inócua, a profanação do seu corpo, e acima de tudo, seus bens pilhados.

Levantou-se em seguida, guiando seus homens para a esquerda. A infantaria já estava engajada em combate, e aquele pequeno grupo surpreenderia pelo flanco. Sangue iria encharcar aquele gramado, e apenas os céus presenciariam os corpos inchando sendo comido por abutres. E mais uma vez, ele não estaria entre eles.

Damien desembanhou a espada e sem cerimônia cravou-a num jovem que não parecia ter mais de 18 anos. A morte de um camponês não tinha honra ou glória - embora ele não desse importância a nenhuma das duas - e, acima de tudo, era apática. Raramente imploravam misericórdia, tão paralisados de medo que estão. Preferia ver o desespero nos olhos de um cavaleiro arrogante e ouvir seus últimos impropérios.

Sem o elmo, pôde ver quando uma lâmina brilhou à luz do sol da manhã, e virou o corpo a tempo de bloquear o ataque com facilidade. Aproveitou a força do golpe do inimigo e girou um pouco a espada, desarmando-o. Por um instante, o soldado ficou estarrecido diante da habilidade do mercenário. Só por um instante. Tempo mais que suficiente para que a espada de aço reluzente trespassasse sua carne, e o fizesse de cair de joelhos. Os olhos arregalados, a boca ensangüentada, os braços largados ao lado do corpo. Tentava balbuciar alguma coisa. Uma prece?

Tsk. Como se Deus fosse escutar. Bem? Mal? Todos os exércitos acreditam ter Deus ao seu lado. Todos dizem que seus inimigos são enviados do demônio, afirmam que queimarão no inferno. Damien não se importava com sua alma - e, se ela existisse mesmo, ele não poderia comprovar. Se pudesse, a trocaria por uma espada. Também não se incomodava em pagar a um padre para rendê-la. Se todos aqueles guerreiros realmente queimassem no inferno, ele deveria ser um bom lugar, afinal.

Bla, bla, bla, estamos com um concurso, bla bla bla, vejam os detalhes aqui.

Valentine's Day. Ou quase.


"Pleonasmo é quando você é redundante: hemorragia de sangue, subir pra cima, descer pra baixo, mulher burra..."



No carro, de noite, muita chuva. Saí mais cedo do trabalho, tomei aquele banho e passei mais de meia hora na frente do guarda-roupa, encarando minhas roupas. No final, escolhi um conjunto de saia-e-blusa que ele havia me dado de presente de... aniversário de namoro, e que eu já tinha usado algumas milhões de vezes.

- Amor, eu tava pensando, a gente nunca...

Olhei de soslaio, levantando uma sobrancelha, do jeito que ele batizara simplesmente de cretino. Acho que se olhares tivessem legendas, o meu teria uma de: "Seu cretino, você não está pensando em me levar para um motel imundo, está?"

- Não, amor, eu não estava falando da estrada de Cabedelo. Mas se você quiser...

Frequentadores de motéis que não se sintam ofendidos, mas acredito que é fisicamente impossível um motel ser um lugar limpo. Mas eu tenho uma mórbida curiosidade de conhecer um. Devo admitir, no entanto, que fiquei aliviada quando ele disse isso.

- E o que era, então?
- Eu lembrei que você nunca comeu comida japonesa. Não tem vontade?
- Vontade, vontade não... mas uma curiosidade...

Minha frase terminou aí, porque percebi que era a mesma posição que eu tinha em relação a motéis. E a comida japonesa combinado com o que se costuma fazer em motéis me remeteu automaticamente aos hentais. Desde monstros de tentáculos (o que todo mundo sabe que é básico na pornografia japonesa) até moças nuas servindo de bandejas para sushis e sashimis.

É, eu viajo.

Mas a noite pode se resumir em: de soja, só o óleo; consegui comer o sushi de primeira (apesar de ter vontade de cuspir logo em seguida); e por fim, eu tenho muito jeito com pauzinhos.


Esses pauzinhos.


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terça-feira, junho 12, 2007

Voilá L'Invern



"Ni!"


Chove. Chove cântaros. Lembrei de um conto de Lygia Fagundes Telles, "Apenas um Saxofone", que além de falar de inverno no início, não tem absolutamente nada a ver com o que eu vou escrever aqui.

Eu não entendo muito bem essa coisa de alguém dizer que há quatro estações aqui no Brasil. Na maior parte dele só tem verão e inverno. No Nordeste, especialmente no litoral, tem estação de sol e estação de chuva(e ainda querem nos vender luvas...).

Com essa chuvarada toda, acordei tarde. E, ao ouvir o barulho da água batendo na pedra e sentir o friozinho ao qual só tenho direito no meio do ano, dormi ainda mais um pouco.

Quando finalmente me levantei, pensei na academia, que já tinha ido pelos ares, pelos menos o horário da manhã. Enquanto encarava calças de lycra, tops, tênis, meias de algodão pensava que a estação da chuva não fora feita para queimar calorias, mas para adquirir mais algumas. Não que eu realmente queira uns quilinhos a mais (senão estava minha alimentação básica seria batata frita e meu único exercício seria dirigir até o fast food mais próximo), mas certos prazeres da vida foram criados para o inverno.

Não estou falando apenas das confortáveis blusas de manga comprida, do dvd assistido agarrada com o namorado ou das horas a mais embaixo das cobertas toda manhã. Acho que todos sabem que comer é uma das coisas mais prazerosas e que graça tem dividir um fondue de queijo ou chocolate com os amigos em pleno verão? Ou um café com biscoitos doces, quem sabe um bolinho, numa tarde de fofoca com as amigas mais proximas?

Inverno é época de comer essas coisas. De tomar aquele chocolate quente que queima o esôfago de tão quente (mas cujo sabor compensa) na entrada do cinema. De dividir um petit gateau e um capuccino com o namorado. Ou de comprar trocentos gramas de pastilhas de chocolates naquela loja de chocolates caros e se deliciar com cada uma delas. Nada acompanha melhor que um belo prato de macarrão ao molho de quatro queijos do que a chuva tamborilando na janela.

Em compensação não é muito interessante trocar todo o guarda-roupa por outro dois números maior quando overão chega. Se esforçar mais nos exercícios pra se sentir a vontade naquela blusinha linda. Readquirir fôlego para agüentar o passeio light de tarde, a balada de noite, o longo passeio na praia. Tudo isso requer uma disposição que 5Kg a mais não me proporcionariam.


Fernanda não gosta da idéia de fazer exercícios na chuva, mas adora poder comer um extra no fim de semana e não está nem um pouco disposta a brincar de "io-io" novamente.


Que tal exercitar a sua imaginação e nos escrever um conto? Pode ser uma cronica também. Quem sabe uma fábula... Esforços mentais também gastam calorias! Clique aquie participe do nosso concurso! Garantiremos a diversão do verão para o nosso ganhador. ;)

sábado, junho 09, 2007

Awakening - Part I


"Give me Cersei Lannister and I'll show you how a woman can be gentle".
(George RR Martin, A Game of Thrones)


Os uivos soavam alto, e tudo o que eu podia fazer era fechar a boca com mais força para não ouvir meus dentes se batendo. O apartamento cheirava a mofo, mas também a éter e drogas como maconha e cocaína. O reboco descascava nas minhas mãos, e eu não precisei fazer esforço para ver que havia preservativos espalhados e pedaços de agulhas usadas no chão. Não que aquilo importasse agora, pois tudo o que eu sentia era o meu coração acelerado e uma vontade imensa de não estar ali.

- O que está acontecendo por lá? – ouvi Simon perguntar a Mike, que acabara de voltar. Os uivos pararam por um momento, e dessa vez eu quase podia ouvir meus ossos se batendo.

- Um... lobisomem. Eu nunca achei que fosse dizer isso com tanta certeza, mas tem um lobisomem na entrada. De quem foi a idéia maluca de vir nesse lugar mesmo?

- Acho que temos coisas mais importantes para nos preocupar agora...

Todos nós temos momentos de questionar nossas ações e escolhas. As minhas escolhas tinham me levado àquele lugar, e àquela situação. Um lobisomem, ele havia dito. Desde aquele dia na igreja o mundo deixou de ser o que parece – alguém que vê gente morta sabe que há muito mais atrás dos bastidores. E se eu estava lá, que fizesse aquilo direito. Um lobisomem. Se ele estava lá, eu queria vê-lo.

Aproveitei o momento de distração dos dois, a escuridão do apartamento e passei despercebida. O mundo, as coisas... tudo funcionava de alguma maneira. Nada acontecia de graça. Se eu estava ali, tinha algum motivo. Coincidência? Definitivamente não. Coincidência, sorte e azar são palavras que as pessoas usam para explicar o que elas não conseguem entender. Nossas escolhas nos fazem. Se não as escolhemos, elas nos escolhem. O próprio Simon havia me dito isso.

O corredor estava tão escuro quanto o apartamento, mas havia iluminação no lado de fora. Barulho de lataria amassada, talvez? Jurava que podia ouvir também uma conversa. Uma voz gutural, certamente inumana, falava algo, embora eu não pudesse entender daquela distância. Dei mais um passo, queria chegar mais perto, queria ver...

E então tudo mudou. Eu ainda estava no prédio, mas agora as paredes eram verdes e o chão de metal. Eu já não ouvia os uivos, nem as conversas, nem nada. Simon e Mike não estavam lá. Toquei na parede, e ela era real. O que teria acontecido?

Não tive muito tempo para pensar, pois logo ouvi um grito alto e desesperado, além de muito familiar. Procurei as escadas e subi apressada, meus passos soando alto conforme eu quase corria. Botas tinham estilo, mas definitivamente não eram nada práticas.

Nada no primeiro andar, embora eu já soubesse disso. Os gritos vinham de cima, do terceiro andar. Continuei correndo, mesmo que eu não soubesse bem o motivo. Eu apenas tinha que estar lá, precisava ajudá-la.

- Nicole? Nicole, é você?

Parei, quase tropeçando. Aquela voz, aquele tom... Olhei para trás e não vi ninguém, mas sentia a presença. Saberia quem era mesmo que eu estivesse drogada. Richard, irmão mais velho que morreu baleado na última “negociação calorosa” do meu pai. Nosso último encontro não foi dos mais amigáveis, devo confessar. Mas ele era o meu irmão, e isso que importava. Ele precisava de ajuda.

- Rick, onde... onde você está? Cadê você?

- Nicole, eu preciso... me ajude... isso é terrível... ME AJUDE!

E então eu pude sentir seu desespero, uma dor indescritível. Por uma fraqueza minha, o ar saiu dos meus pulmões e minhas pernas fraquejaram. A voz dele reverberava na minha cabeça, e por instantes o mundo pareceu rodar a uma velocidade vertiginosa. Quase agradeci quando ouvi novamente o grito alto da mulher, que me tirou daquele torpor. Voltando a mim, tornei a correr. Não sabia bem como, mas aquilo era um teste. Eu tinha que chegar a ela, precisava...

Os gritos do meu irmão ainda ecoavam na minha mente quando voltei a subir os degraus. Por Deus, aquela escada não acabava nunca? Quando finalmente cheguei ao último andar, meus passos ecoavam no metal. Os gritos haviam parado, mas eu sabia que ela estava ali, em algum lugar. Comecei a andar pelo corredor, olhando para os lados sem saber ao certo o que esperar.

Então eu vi algo... ou talvez alguém. Era um homem, ou ao menos eu tinha a impressão de que fosse. Conforme se aproximava, parecia ganhar tamanho, se agigantar diante de mim. Por instinto, ou medo, eu recuei um passo. E como se acionando um gatilho, gritos vários começaram a soar na minha mente, e por uma fração de tempo indefinida, me vi em uma igreja de arquitetura mista. Não, aquele lugar de novo não...

- Você não devia estar aqui. Este não é o seu lugar!

Embora ele abrisse a boca para falar, a voz não parecia vir dele. Ecoava por todo o andar, todo o prédio. As paredes pareciam se avantajar, me sufocando, me abatendo... e o homem se aproximava, os gritos se juntando à voz ininterrupta, minha visão turvava... Caí de joelhos, fraquejando. Senti o chão gelado na minha pele, baixei os olhos e de relance percebi que ele não tinha sombra. Ele não tinha sombra! Não era real! Consegui me colocar de pé e passei por ele, fazendo assim todas as ilusões desaparecerem.

Mas o pior ainda estava por vir.

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sexta-feira, junho 08, 2007

1 Ano de Membrana: O Concurso



"Ni!"




Estamos a dois meses do primeiro aniversário do Membrana Seletiva e, para comemorar, resolvi lançar um concurso, com o apoio de Allana e o consentimento de Denise (quem cala, consente, oras!).

O Tema: Fantasia.
Pode ser conto, crônica, fábula... O formato tanto faz, desde que seja em prosa, por favor.
Os textos devem ter em média 800 palavras (o Word conta por vocês) e não deve conter erros gramaticais, para facilitar a nossa vida. Queremos ler os textos, não corrigi-los. =)

Os textos podem ser enviados a partir de... hm... hoje, 08/06/2007. Receberemos todos até o dia 01/08/2007 no e-mail membrana.seletiva@gmail.com. Mandem com o Assunto "Concurso Membrana Seletiva" ou algo parecido para podermos identificar. No e-mail, além do seu texto, inclua o seu nome completo e o endereço do seu blog, caso possua um.

Escolheremos 5 textos para publicar e o melhor será publicado no dia 08/08/2007, além de ganhar uma cópia do filme "O Senhor dos Anéis" e uma do livro "Entrevista com o Vampiro". (Nenhum dos dois originais, sinto muito... Mas é melhor do que um bombom xáxá!)

Esperamos ansiosas os textos de vocês e que vença o melhor, o mais engraçado, o mais sensível ou... enfim... o que acharmos que mais vai agradar nossos leitores e o que mais vai merecer nossos lindos prêmios.
Crédito da foto: Fernanda Eggers.

terça-feira, maio 29, 2007

Bom dia

Para Gustavo





Criatividade é bicho ruim, nunca aparece quando você chama.






Seis da manhã. O sol iluminava timidamente o quarto através das frestas da janela fechada, dando a ele um tom levemente alaranjado. O cômodo estava frio, foi a primeira coisa que ela notou, ainda num estado entre o sono e a vigília.

O frio a fez estranhar o ambiente, antes de abrir os olhos, antes mesmo de pensar em algo. Seu quarto não era frio, normalmente.

Ligeiramente mais desperta, considerou abrir os olhos. Antes que o fizesse, numa fração de segundo, a memória da noite anterior veio à sua mente. Mexeu-se de leve e sentiu um outro corpo na cama, deitado ao seu lado. Sorriu.

Só então abriu os olhos, vagarosamente, e encarou a luminosidade pálida do quarto. Uma luminosidade acolhedora, delicada. Até mesmo morna, aconchegante, apesar da temperatura.

Encolheu-se um pouco mais na coberta e virou-se devagar, com cuidado para não acordar o rapaz ao seu lado. Encarou-o por longos minutos, observando cada detalhe do seu rosto. Rapaz... Ou seria um homem? Evidente que sua postura era de homem, é um adulto, são ambos adultos. Mas esse rosto... esse rosto parece até mais jovem do que a verdadeira idade dele. Sorriu ao pensar nisso, nessa dicotomia.

Notou que ele estava descoberto, com as costas expostas ao frio gerado pelo ar-condicionado e abraçou-o, beijando o seu rosto, procurando não acordá-lo. Ele sorriu, beijou-a de volta sem abrir os olhos e virou-se, para encaixar-se melhor no abraço.

Ele dormiu mais um pouco, ela manteve-se cochilando e acordando periodicamente, pensando sobre onde estava e o que era aquilo tudo, sempre com o mesmo sorriso bobo. O mundo poderia desabar assim que se levantasse daquela cama, mas estava confortável ali. E, acima de tudo, estava feliz.

Por fim dormiu novamente. Enquanto ela dormia, ele acordou, virou-a cuidadosamente e abraçou-a, invertendo a posição em que estavam. Ela acordou com o movimento, mas preferiu manter seus olhos fechados e simplesmente sentir. Sentir o calor dele contrastando com o frio do quarto, sentir o cheiro e o toque de sua pele, sentir que ele estava tão satisfeito quanto ela própria se sentia.

Passou-se algum tempo. Poderia ter sido alguns minutos ou algumas horas, não havia ninguém contando ou se preocupando realmente com isso. Ele ergueu-se ligeiramente, tocou o nariz dela com o seu e deu-lhe um beijo.

- Bom dia.



Edicão do conto meio que feita em cima da hora e com sono, vontade de publicar logo...
Perdoem qualquer coisa.

quinta-feira, maio 24, 2007

Causos








"Os opostos se distraem; os dispostos se atraem".








A quantidade de histórias que se passam na rua Odylon do Egito é inversamente proporcional ao seu tamanho. As casas pintadas de branco, de telhas na cor laranja, e calhas metálicas para a chuva abrigam, na extensão de pouco mais de 100 metros, uma roda de samba semanal, um velho meio senil que apronta algumas diariamente, e é também ponto de operações ilícitas às quais todos se fazem de desavisados.

As rodas de samba já são quase atrações turísticas para aqueles do ramo. Iniciam-se normalmente com um churrasco, nos meados da manhã (horário em que qualquer cidadão deveria estar dormindo, em se tratando do merecido domingo), e estendem-se até o final da tarde, às vezes entrando pela noite. A ruas de distância, e essas certamente com suas próprias histórias para contar, o barulho dos instrumentos desritmados e a cantoria previsível, quase agourenta, pode ser ouvida. Mas que se pode fazer? A vida em comunidade tem dessas coisas.

Pena que quase nada dessas coisas sejam agradáveis. O senil, por exemplo, era famoso por paquerar, nada discretamente, qualquer mocinha que passe por perto. E isso aconteceu até com a minha namorada, que sem graça e educada demais para xingar o dito cujo, sorriu amarelo e seguiu seu caminho. Até que certo dia a síndica do prédio onde moro foi alvo dessas investidas. Ele não deveria ficar impune, afinal. Os porteiros resolveram se juntar e dar uma lição no chamado Doido, que depois desse episódio não voltou mais por estas bandas.

Outra particularidade dessa lendária figura era seu hábito de conversar com o nada – ou melhor, de gritar com ele. Não que fosse possível entender tudo o que ele dizia, mas as crises seguiam o ciclo das cigarras: bastava o sol começar a se pôr e a ladainha começava. Mas havia algumas situações engraçadas, como quando ele ameaçou matar o padeiro da esquina. Doido saiu correndo, esquecendo um chinelo roído, na base do rolo de macarrão.

E não esquecendo as negociações a céu aberto, tenho quase certeza: meu vizinho é um traficante. E eu não digo isso somente pelas músicas de Bob Marley que ele escuta o dia inteiro, nem pelo cheiro forte que incensa o corredor do prédio no meio da tarde, mas pelas vendas que realmente acontecem, coincidentemente nos dias de roda de samba. Esses acordos, no entanto, não são feitos na Odylon do Egito, mas em uma rua transversal, que nem nome tem. Cercada por dois prédios, e com aproximadamente o dobro do tamanho da primeira, a ruazinha decadente é quase uma boca-de-fumo.

Aproveitando a oportunidade, a tal rua sem nome também serve de motel barato para casais de variados tipos. Não que eu tenha visto nada explícito, mas as várias provas físicas, de risco biológico para toda a comunidade, não deixam dúvidas: os preservativos usados, acompanhados de suas respectivas embalagens, já fazem um bom retrato.

E falando em retrato, para terminar, tentou-se fotografar os cenários onde se passam esses fatos. A presença, no entanto, de uma quadrilha profissional que realiza roubos montados em bicicletas financiadas pelo narcotráfico da região, assustou o fotógrafo que temeu pela sua segurança e de sua máquina.


Créditos da imagem: Thalweg's Gallery

terça-feira, maio 22, 2007

3 Segundos






Criatividade é bicho ruim, nunca aparece quando você chama.






- Vai pra aula hoje? (clic)

- Não. (clic)

- Beleza. (clic)

Nós, pobres estudantes universitários sem crédito conhecemos bem isso. O famoso sistema de dar recados em 3 segundos, extremamente útil em situações como a descrita acima. Ou pra dizer coisas simples, como "A aula é na Biblioteca" ou "Vai pra P.A.".

Eu odeio quem tenta conversar de 3 em 3 segundos, me dá uma agonia muito grande, mas pra recadinhos simples assim, é uma beleza. Você comunica o que precisa sem gastar nada e acabou-se. Simples, prático e rápido. Talvez não tão prático assim, mas funciona, não é mesmo?

Infelizmente não funciona mais. Hoje eu estava conversando com uma colega que ficou com o celular bloqueado por 24 horas depois de fazer chamadas de 3 segundos pela 3ª vez consecutiva. Ela não tentou enviar mensagem, mas o celular não funcionava para ligar nem à cobrar, a não ser para o número de atendimento ao cliente da operadora.

A operadora informa, quando você liga, após ter o celular bloqueado, que são as novas normas, você vai passar 24h sem poder ligar, apenas receber chamadas e se vire, tenha um bom dia.

Bem... O valor mínimo que eu pago é 44 centavos, por menos de 30 segundos de ligação. O minuto custa uns 68 centavos, se não me engano. É caro. Aí, imagina... Para não ter o telefone bloqueado, tenho que demorar pelo menos uns 30 segundos para dar um recado besta a alguem (e fazer valer meu dinheirinho, afinal, pago a mesma quantia por menos de 30 segundos).

- Ei...

- Oi...

- Sabe a aula de hoje?

- O que tem?

- Vai ser na Biblioteca Central, viiiiu?

- Tá, tá certo.

- Tchau.

- Tchau.

Essas operadoras de celular... Sempre arrumando um jeito de fazernos gastar mais e mais dinheiro.

Para ler um texto de verdade, clique aqui e deixe seu comentário após o sinal.

Perguntas Escabrosas








"Os opostos se distraem; os dispostos se atraem".









- Pai, a lua é feita de quê?

Chegou o momento que ele tanto temera: a idade das perguntas. Não que ele se importasse de ter filhos - até gostava de crianças, principalmente se elas estivessem quietinhas na frente da TV se empanturrando se pipoca e refrigerante. No entanto, estavam os dois, pai e filho, caminhando calmamente pelo parque. Aquele garoto gostava muito do parque - temia que um dia ele fosse um ativista do Greenpeace. Ou um hippie. Não que houvesse muita diferença.

- De queijo. - respondeu o pai, sem se preocupar nem um pouco com a verdade. Um dia ele estudaria na escola, e outra pessoa - bem mais preparada que ele, por sinal - revelaria a cruel verdade: a lua era só uma grande bola de pedra lunar que refletia a luz do sol.

- Queijo, pai? Tem certeza?
- Sim, queijo. E digo mais: queijo suíço.
- E como os suíços levaram todo aquele queijo, lá longe no céu?
- Você por acaso sabe onde é a Suíça?
- Não, mas...
- Pois então! Os suíços são um povo alienígena, que nos dias de outrem...
- Pai, quem é esse tal de Outrem?
- Eu quis dizer que há muito tempo, eles tentaram dominar a terra. No entanto, falharam miseravelmente, e então...
- Pai, a Suíça não era um país?
- ...
- Pai?
- Quem foi que disse a você que a Suíça era um país?
- A mamãe... e disse mais, disse que era um país frio, e com montanhas, e com o melhor chocolate do mundo... e ela disse também que não é ela quem mente, e sim você.
- Sua mãe não disse nada de queijo suíço, disse? - odiava quando ela falava a verdade. Enquanto ele lá, tentando estimular a imaginação do garoto, talvez transformá-lo numa das forças criativas que irá dominar o sistema capitalista mundial, ela fazia o papel de boa mãe e contava a verdade pro garoto. E que história era aquela de que ele era mentiroso? O fato era que a verdade era muito mais sem graça que a imaginação.

- Não, pai, ela não disse nada sobre queijo suíço, mas...
- Pois então! O que sua mãe não sabe, e você deve jurar solenemente que...
- O que é solenemente, pai?
- É só jurar, meu filho. Bem, você deve jurar que não vai contar sob nenhuma tortura ou nenhuma chantagem que não vai contar nada do que será revelado aqui.
- E se ela me fizer cócegas?
- Você me chama e nós fazemos cócegas nela.
- E se ela me der chocolate suíço?
- Você inventa uma história e come o chocolate.
- E se ela me der coca-cola?
- Você inventa outra história, pega a coca-cola e vem dividir com o seu pai.
- E se vocês estiverem no quatro, trancados, fazendo aqueles barulhos estranhos e...
- Você vai pra frente da TV ver Procurando Nemo.
- Tá bom! - o sorriso quase reluzia no rosto do garoto.
- Mas... do que eu estava falando mesmo?
- Acho que era sobre os cruzadores espaciais dos Rebeldes e a Estrela da Morte do Império...

segunda-feira, maio 14, 2007

Os Donos do Mundo



"Tu peux, si tu veux"




O quarto recebeu uma boa dosagem de veneno para insetos. As janelas e portas foram fechadas. Quem sabe assim eu me livraria da quantidade monstruosa de mosquitos que me atormentam nas noites úmidas e chuvosas do inverno.
Depois de uma hora, voltei ao quarto e acendi a luz. Ótimo! Alguns mosquitos mortos no chão, uma aranha e um besourinho. Primeiro pensamento: até que enfim, uma noite de paz! Dormir sem zumbidos incômodos no ouvido e acordar sem milhares de picadas coçando. Aí pensei no lugar em que fui me enfiar; um lugar onde preciso lutar contra insetos quase todo dia.

Já ia desforrar a cama para dormir, quando vi uma coisinha marrom cruzando o chão do quarto. Uma barata! Uma maldita barata!Corri para pegar o inseticida e um chinelo. Depois de “embebedar” a barata, consegui matá-la. Ou acho que consegui. Por via das dúvidas, deixei o chinelo em cima dela, afinal, nunca se sabe se ela foi esmagada o suficiente.

Baratas são um inferno! Não morrem com qualquer inseticida, são capazes de viver sem cabeça até que a fome as mate e é necessário esmagá-las umas três vezes para ter certeza de que realmente morreram.

Uma vistoria no ambiente me garantiu que só havia aquela barata. E nada de mosquitos ou aranhas ou... O besouro se mexeu! Ele não deveria estar morto? Vai ver é mais um daqueles insetos viciados. Os inseticidas estão se transformando no álcool deles. Na cocaína, talvez. Nada de chinelo, um tamanco vai garantir minha segurança com mais eficiência.

Nada mais balançou as patinhas nojentas. Imaginei que pudesse dormir em paz, finalmente. Até ouvir um zumbido. Um mosquitinho. Não, dois. Eles estão chegando! Poderia colocar mais inseticida no quarto, mas estou com muito sono. Realmente preciso dormir.


O jeito é ligar os dois ventiladores, me cobrir dos pés à cabeça e esperar que, ao menos por uma noite, o repelente de insetos cumpra sua função.

sábado, maio 12, 2007

Especial CinePort II




"Tu peux, si tu veux"



Sexta foi o meu último dia de CinePort, pois não tenho a intenção de comparecer no fim de semana, apesar da Cidade do Cinema ser muito agradável. Claro, a população aumentou muito nesses últimos tempos, mas duvido que estivessem esperando que o evento desse tão certo.

Mas deu. O que me deixa feliz. Apesar de saber que havia muita gente ali única e exclusivamente porque a entrada era barata e provavelmente ninguém os expulsaria das tendas de exibição quando começassem com a gritaria no meio do filme. Pena. Realmente é uma pena.

Mas vamos ao que interessa!

Quinta, 10 de Maio

A tenda Andorinha Digital é menor do que a outra, mas comportou bem os espectadores. A entrada é a coisa mais fofa, com 3.000 bonecas de pano feitas por alunas de colégios da cidade. Há, também, várias paredes grafitadas com a temática "cinema". Dentro da tenda é menos gelado do que na tenda Andorinha, então não é tão ruim assim caso você esqueça o casaco.

Às 21h30 foram exibidos diversos curta-metragens, 4 brasileiros e 2 portugueses. Os dois primeiros curtas exibidos deixaram a desejar, já os outros valeram muito a pena. Apesar de amplamente divulgado no YouTube, me acabei de rir com "Tapa na Pantera", brasileiro, ao assisti-lo (de novo). Outro filme que merece destaque é "Night Shop", portuquês.

O grande defeito desse dia foi o aparelho de DVD, que... bem... deu defeito. Saí antes do último curta, pois perdi a paciência quando tiveram que parar o penúltimo para limpar o cd. 3 curtas foram exibidos 2 vezes cada e esse penúltimo ia ser exibido pela 3ª vez. Não aconteceu nada parecido nos outros dias, mas esse detalhe me chateou um pouco.

Sexta, 11 de Maio

Cheguei atrasada e fiz pessoas ficarem me esperando. E sim, estou mencionando o fato no blog como forma de pedir desculpas e agradecer por minhas amigas lindas terem pegado entradas para mim para os dois filmes que eu queria ver.

A noite começou com "Árido Movie". Quem não viu, pode conferir no cinema, pois está em cartaz e vale a pena ser visto. Conta a história de um "homem do tempo" cujo pai que ele nem conhecia direito morre, no interior de Pernambuco, e ele tem que ir no enterro. O filme é uma viagem, usando as palavras do produtor, do diretor e de um dos atores, que estava presente no local e causou frenesi: Selton Melo.

Selton Melo foi um capítulo à parte na noite. Foi atacado, abraçado, beijado, pediram pra tirar foto, ele recusou, tiraram foto dele assim mesmo, ele foi simpático com todos, apesar de não ter tirado as fotos (com um bom motivo... imagina parar pra tirar fotos com as quase 700 pessoas ali na tenda?).

Após "Árido Movie" (já disse para assistirem? pois digo de novo!), fiquei para ver outro filme brasileiro: "O Ano em Que Meus Pais Saíram de Férias", que traz a vida de um garotinho deixado na casa do avô enquanto seus pais fugiam da perseguição política da ditadura militar. O filme é tocante e mostra um lado da época que ninguém parou para observar: vários daqueles que foram perseguidos, presos, mortos, torturados e afins eram pais. A vida de várias crianças da época foi muito difícil. Tanto para aqueles que perderam os pais por um ano quanto aqueles que os perderam para sempre.

Achei algumas cenas muito bonitas, no entanto, como uma em que as crianças aparecem correndo pelas ruas de São Paulo. Não se vê mais isso hoje em dia, nem em cidades calmas como João Pessoa. As crianças não têm essa liberdade de correr por aí, jogar futebol na rua. Muitos simplesmente ficam em casa durante as férias inteiras, jogando video-game, sem ter noção que num apartamento no mesmo prédio mora uma vizinha legal. A própria paixãozinha infantil, também retratada no filme, praticamente deixou de existir.

Voltando ao evento, mais uma vez tenho uma crítica para fazer aos freqüentadores do local, pois eles gritaram, passearam, desorganizaram as cadeiras, excluindo as passagens e, não bastasse isso, mais uma vez fumaram dentro da tenda. Será que é tão difícil assim não fumar por duas horas? Será que é difícil não gritar por duas horas? E precisa mesmo agir como uma manada desordenada de javalis, correr para dentro da tenda como se o mundo fosse acabar em 5 segundos e arrastar as cadeiras pra lá e pra cá, impedindo a passagem do resto das pessoas que desejam ver o filme? Quanto mais gente, menos educação. Incrível!

Sábado e Domingo:

Hoje será o último dia de exibição de filmes, a noite será encerrada com Cabrueira. Amanhã serão as entregas dos prêmios, não lembro de ter visto algum filme na programação.

quinta-feira, maio 10, 2007

Especial CinePort




"Tu peux, si tu veux"



Infelizmente eu não pude comparecer todos os dias ao CinePort, Festival de Cinema de Países de Língua Portuguesa, por abestalhamento meu, admito.

O 3º CinePort acontece entre os dias 4 e 13 de Maio, aqui em João Pessoa, na Usina da Saelpa, Epitácio Pessoa. Quem clicar no título do texto terá acesso ao site oficial, já que publicar a programação aqui é um pouquinho demais.

O evento contou com palestras e mesas redondas, que ocorreram na Universidade Federal da Paraíba (UFPB) no início dessa semana, além do cinema volante, que acontece até domingo, em diferentes locais da cidade.

O evento traz longas, curtas, documentários e animações do Brasil, Timor Leste, Portugal, São Tomé e Príncipe, Angola, Moçambique, Guiné Bissau e Cabo Verde, atendendo os mais variados gostos. Começa cedo, às 9h da manhã, com exibições direcionadas ao público infantil e a última exibição ocorre por volta das 23h. Mas não pense que pára por aí. Entre um filme e outro, há performances, esquetes e danças. Cada dia do evento é encerrado com uma atração musical e o Café Parahyba, que abre às 14h, só fecha após a saída do último cliente.

Os filmes podem ser assistidos nas tendas Andorinha e Andorinha Digital, os shows musicais podem ser vistos na tenda CinePort Música, há uma área com lojas e cybercafé e exibição de telas com o histórico de alguns homenageados pelo CinePort.

Na hora da fome, além das barraquinhas espalhadas pela área externa, há a tenda Cinema com Manjericão, que não tive a oportunidade de conferir, então não posso dar meu parecer a respeito nem para dizer se é caro ou não.

A estrutura do local está impecável, as chances de esbarrar com atores, produtores, diretores, roteiristas e escritores são enormes, tendo em vista que eles vieram de toda parte para ver o seu filme ser prestigiado no CinePort. A entrada custa apenas R$ 1. Sugiro que todos aqueles que tiverem a chance de ir apareçam, pois é uma experiência que vale a pena.

>>Terça, 8 de Maio

O comentário que tenho para fazer sobre esse dia é que fiquei impressionada com o local e a organização.

Tive pouquíssimo tempo, então vi apenas um trecho de um filme brasileiro "O Veneno da Madrugada". Como não terminei de assistir o filme, me abstenho de comentários, mas devo elogiar a organização e o respeito das pessoas pelo local.

As cadeiras mantiveram-se organizadas, celulares quase não tocaram e as pessoas conversavam pouco durante o filme. O que foi ótimo, pois havia um personagem que falava em espanhol e outro com um sotaque de Portugal. Como não havia legendas , era difícil entender o que falavam.

>>Quarta, 9 de Maio

Com mais tempo e maior disposição, pude ver dois filmes, o português "Coisa Ruim", um suspense muito bem trabalhado, e o brasileiro "Mulheres do Brasil", sobre o qual pretendo escrever de forma mais detalhada.

Nesse dia a organização não foi assim tão boa. Não por conta do evento em si, mas das pessoas ali presentes. Nenhuma delas respeitou as fileiras, arrastando cadeiras e bloqueando as passagens que haviam sido deixadas para que as pessoas pudessem transitar na tenda sem dificuldades. Os celulares não foram problemas, mas os fumantes capricharam e exerceram seu hábito dentro das tendas, o que considero uma grande falta de respeito aos outros espectadores.

O que achei muito interessante foi que colocaram legendas no filme português. Isso facilitou muito a compreensão das falas, já que não estamos acostumados ao modo lusitano de falar. No entando penso que deveriam usar legendas em todos os filmes, mesmo os brasileiros, já que havia estrangeiros presentes nas salas e imagino que, se o sotaque deles é difícil para nós, o mesmo deve ocorrer para eles.

Mesmo com essas poucas críticas, gostei muito do CinePort e pretendo morar na "Cidade do Cinema" pelos próximos dois dias.

segunda-feira, maio 07, 2007

Diferenças








"Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas."










Perfeição é chata, igualdade enjoa...legais mesmo são os defeitos, as diferenças...

Falo rápido e mais alto do que deveria em muitas ocasiões, sou meio exagerada, tenho medo de escuro e de filmes de terror, tenho ataques de gula, sou baixinha, não tenho o cabelo mais sedoso do mundo, sou dramática, consumista.

E então? Esta autopropaganda não pareceu das melhores, não é?
Mas tais defeitos, juntamente com minhas qualidades, minhas características físicas e psicológicas, fazem de mim o que sou; tais fatores me individualizam e me tornam única...Imagina se a única diferença entre as pessoas fossem as digitais dos polegares?

Só você tem aquela sarda no canto do olho, só você tem aquela cicatriz, só você tem aquela voz, só você tem aquele jeito de olhar, só você tem aquele dedo indicador meio torto (isto diz respeito a mim também), só você tem aquele humor negro...pode haver alguém parecido, mas nunca igual.

Se fôssemos perfeitos e iguais não seríamos humanos...e ahhh, como eu adoro os humanos, cheios de manias, de defeitos, de qualidades, de preconceitos bobos, de crenças diferentes, de medos, de anseios, de sonhos, de vida!

O importante é sabermos conviver com tais diferenças, saber respeitar a individualidade dos que nos cercam, apreciar cada pessoa como um quadro único, mas não estático...

É, mais uma novidade, as pessoas mudam, o tempo pode mudá-las, outras pessoas podem mudá-las, o sofrimento, o poder, a fraqueza, a idade...mas devemos tentar conservar a nossa essência e algumas daquelas coisinhas que nos individualizam...saber avaliar sabiamente o que realmente importa e dar valor a estas coisas, a estas características, a estes defeitos, a estas diferenças...

terça-feira, maio 01, 2007

Por favor, aceitem meu dinheiro!




"membranaseletiva() é uma função que dependendo do valor de entrada pode retornar um valor completamente absurdo( ou não)."

Feriadão, sem concentração pra estudar, chuva, problemas pendentes... O que fazer?

Resolver um dos problemas pendentes, claro! Começando pelo mais antigo: o relógio lindo que ganhei de mamãe no Natal e a pulseira soltou. Vamos ao shopping dar um jeito nisso!

Chego no shopping, aproveito pra procurar fones para meu mp4 (mission failed) e levo meu reloginho no relojoeiro. O moço me cobra dois reais e, ao abrir a carteira, me deparo com uma quantia muito maior, para a qual ele não tem troco.

- Vou ali trocar o dinheiro e já volto, ok?

- Ok, moça. Não se preocupe.


Estamos no shopping, né? Então tá! Deve haver algo por aí que me interesse! Deve ter um casaquinho jeans bonitinho (jeans é bom que não esquenta tanto) dando bola por aí. Ou... ou aquela sainha com estampa xadrez linda no manequim! Que coisa! É meu número! Será que acho outra por aí? Hm... só uma grande demais.

- Com licença, eu achei essa saia aqui perdida na loja e achei linda, mas ela é muito grande pra mim. Você teria o número y?

- Vou chamar a menina pra ela te ajudar.

A tal menina me leva pro outro lado da loja e aponta pra uma parede com umas estampas típicas dessa época do ano.

- É ali, ó.

Chegando no "ali, ó", noto que há saias, mas de um modelo muito diferente do que eu queria, uma cor absurdamente diferente e a padronagem do xadrex então, nem se fala.

Volto ao manequim, a saia que está lá é do número y que pedi. Nenhuma das atendentes parece disposta a aceitar meu dinheiro, tirando a saia dali para que eu pudesse levá-la. Legal. Vamos ver se tem algo em outra loja.

Atendentes não informam, ficam na frente, olham feio, ignoram. Será possível que ninguém entende que eu quero gastar? Que há meses não compro algo para mim? Será que a economia do mundo tá tão boa que as lojas não precisam mais de clientes e eu não tô sabendo?

Entro na Siciliano, encontro o livro que queria dar de presente para uma amiga e vou embora pagar meu relógio. Pelo menos é uma loja em que geralmente sou bem atendida, mas minha situação atual não permite que eu compre mais um livro. Tenho muito o que ler e o que estudar.

Fui embora com relógio, sem saia, sem bolsa, sem sapato, sem uma mísera calcinha pra dizer que alguém numa loja fez o favor de me atender, receber meu dinheiro, dar meu troco com um sorriso e dizer "volte sempre"!

- Sêo gerente? Cadê o papelzinho de sugestões? Quero sugerir um atendimento melhor nas lojas dessa birosca aqui!