domingo, abril 22, 2007

I Haz a Kitty




"membranaseletiva() é uma função que dependendo do valor de entrada pode retornar um valor completamente absurdo( ou não)."



Correndo o risco de bancar a ridícula, quero protestar aqui a respeito da falta de um gatinho na minha casa.

Eu não posso criar um gatinho. Wando não deixa. Wando faz inferno. Wando se pendura nas janelas. Wando late e choraminga o dia todo. Wando fica dando cabeçadas e peitadas (isso existe?) na porta. Wando tenta comer o gatinho. E isso não é justo com o pobre coitado.

Eu não posso criar um gatinho. Meu irmão é alérgico a gatinhos. E a passarinhos. E a ácaros. E a tomate. E a limpeza e organização (especialmente a do banheiro). E a livros. Espera! Acho que aí é preguiça mesmo.

Eu não posso criar um gatinho. Eu não tenho tempo. Eu estudo. Eu faço curso de línguas. Eu faço curso de um bocado de coisas, pra falar a verdade. Eu saio nos fins de semana (e nos dias de semana também). Quem vai fazer companhia pro pobre gatinho? Quem vai alimentar o pobre gatinho? Quem vai fazer escândalo porque o pobre gatinho resolveu fazer suas necessidades no jardim interno, arancá-lo de lá e levá-lo correndo pro jardim? (Believe me: eu já fiz isso inúmeras vezes.)

Mas seria legal ter um gatinho. São uns bichinhos companheiros e que têm um sexto sentido poderoso que os avisam de quando precisamos deles. São uns bichinhos legais que demoram pra precisar de um banho (isso quando não se tem um Wando babando neles e enrolando eles na terra). São uns bichinhos engraçados que se enfiam em cestos, baldes, caçam mosquitos imaginários, dormem em cima da tv e escolhem colocar o rabo bem na cara do Brad Pitt (ou outro ator/atriz bonito/a de sua escolha).

Eu não posso adotar um gatinho, infelizmente. Mas recomendo que quem dispuser de tempo e não tiver um cachorro doido (ou irmão, de repente), adote.

Pelo menos um virtual eu posso ter! E lilás, ainda por cima!

sábado, abril 21, 2007

Eneida - Canto IV




"I'm a whole lot of lot of trouble, baby, since the day that I was born"






Enquanto isso, no Olimpo...

- COMO?! COMO ELE PÔDE?! Ah, aquele Netuno¹ de uma figa... pagará caro por isso! - Juno² esbravejava, andando de um lado para outro no seu quarto divino. - Pois eu lanço uma maldição: que seu nome perca tanto o prestígio que vire marca de carne de peixe!

A deusa jogou-se na cama, que só não rangeu em protesto com medo de apanhar mais. Pensou em reclamar para o sindicato das camas, ou até mesmo entrar em greve, mas achou que as outras camas de deuses não adeririam à causa. Carregada de raiva, a mulher recorreu ao seu espelho mágico, vendido por uma bruxa decadente com uma cesta de maçãs,e viu o jantar dado em honra a Enéias. Viu o olhar ardente de desejo da rainha Dido para o herói, e percebeu que ela já estava perdida. Isso era que dava ficar fazendo voto de castidade depois da morte do marido! Qualquer herói metido a besta se torna um semi-deus! Ah, mas ela ainda inventaria um artefato que pudesse satisfazer as necessidades de uma mulher. Como é que as amazonas se viravam nesses tempos de necessidade?

- Tudo bem, Vênus³. Sua trama deu frutos. Dido se apaixonou pelo seu querido filho Enéias. Satisfeita?! Mas veja bem, eu não quero que Cartago caia, como dizem os oráculos, e você não quer que seu filho passe por provações desnecessárias, certo? Que tal então nos juntarmos? Nós os casamos: Cartago permanece, e Enéias se torna rei do mesmo jeito. O que acha?

A deusa do amor sorriu com a pequena vitória. Não era rancorosa, mas não havia perdoado Juno pela enganação na Guerra de Tróia. Sim, essa mesma Juno, que agora implorava por uma aliança, havia-a enganado, pedindo seus dons em prol do casamento de outra deusa querida. Vênus, muito atenciosa, cedeu-lhe seus segredos especiais, que foram usados pela própria Juno para fazer Júpiter4 dormir enquanto ela, Minerva5 e Apolo destruíam a cidade. Ah, sim, ela ainda se vingaria... Com um andar de fazer inveja à serpente de Eva, Vênus sentou-se delicadamente na cama, como se fossem melhores amigas.

- Casá-los? Não é má idéia. mas não sei se Júpiter irá concordar...

- De Júpiter cuido eu. Acho que ainda tenho alguns daqueles cremes que você me emprestou. Mas o fato é que nós vamos juntá-los, e disso eu também cuidarei. Amanhã, na caçada, uma chuva torrencial cairá, e eles se abrigarão em uma caverna. E bem, deixar sozinhos um homem que viaja por mais de anos, e uma mulher que não toca em um homem por mais tempo ainda, você já sabe no que resulta.

- Ah, sim, se sei...

- Estamos resolvidas então?

- Claro, claro, querida... mas me deixe dar um conselho: se continuar com esse rosto franzido vai acabar criando rugas!

E a caçada de fato começou. Os homens se armavam com arcos, setas e lanças, e até mesmo os mais jovens se empolgavam. O grupo partiu na floresta e pouco tempo depois uma forte tempestade caiu no norte da África. Não que caçar na chuva fosse impossível, mas quando trovões, relâmpagos e raios caíam por toda a parte, a coisa ficava só um pouco mais complicada, compreende? Todos se abrigaram como podiam. Estrategicamente a rainha se perdeu de suas criadas, e se juntou a Enéias. Os dois encontraram uma caverna onde se abrigar da tempestade, e...

- Sabe, vocês deviam usar roupas mais escuras.

- Hã? - perguntou a rainha confusa. Púrpura era a cor do reino; o que ele esperava que ela vestisse?

- É que essa sua túnica lilás, molhada, é... bem, meio... transparente, rainha. Com todo o respeito, claro.

- E que parte do "Eu não quero que você me respeite" você ainda não entendeu? O til?

E dali em diante, Enéias passou a dormir no quarto da rainha. Na verdade, dormir era o que ele menos fazia. Afinal, não é todo dia que se encontram heróis com o vigor de semi-deuses por aí. Dido estava completamente apaixonada, para não dizer abobalhada. Já não dava tanta importância para o reino, se preocupava mais com os vestidos que usava, e era completamente ciumenta. Possessiva, egoísta e rancorosa, não suportava quando o seu marido ia se preocupar com os seus homens sobreviventes de Tróia. Oras, ele era só seu e precisava fazer o seu papel! E o nosso herói até que estava tendo uma vida feliz, apesar das crises de ciúmes da rainha, até o dia em que Mercúrio 6 resolveu aparecer, com suas sandálias douradas de asinhas e sua coroa de louros.

- Enéias, Enéias... você por acaso esqueceu do que tem que fazer?

- Hã... cuidar da construção das muralhas?

- Bem que a sua mãe disse que você não é muito esperto. É um bom homem, audacioso e feroz em batalha. Mas não se pode ter tudo, não é mesmo? Uff, bem... eu não sei se você se lembra, mas você saiu de Tróia para fundar o seu reino, sabe? E se você não fizer isso, Roma não poderá exsitir. Você tem noção do quanto isso significa, Enéias?

- Mas... a rainha, e meus homens já estão até procurando casamento, e...

- Seus homens são leais a você, como todo e qualquer soldado de contos épicos! Não seja idiota, Enéias. Você precisa sair daqui. Ordens superiores.

- Assim... o quão superiores?

- Ou você vai, ou um raio cortará a sua cabeça em duas.

- Ah, tudo bem. Esse superior. É. Ok. Diga a ele que eu partirei amanhã.

Cabisbaixo, Enéias se dirigiu ao palácio. Seria difícil explicar à rainha. Mas eram Ordens Superiores, afinal. Em maiúsculo mesmo. Dido era meio... louca, às vezes, mas era uma pessoa de bom coração. E ele estava feliz lá. Não queria ter que ficar viajando de novo, se perder no mar, ver seus homens morrendo à toa... mas eram ordens superiores. Ordens superiores. Imaginou o que poderia acontecer se resolvesse não obdecer, mas não podia. Ah, como ele queria uma garrafa de vinho agora...

- COMO ASSIM?! Como assim você vai partir? Enéias, você... você não pode! Nós... nós vamos nos casar! Você será meu rei! Meu rei! Isso não é suficiente para você?!

- Mas, querida, compreenda... não é bem minha culpa, eu tenho que ir...

- NADA DISSO! Você não tem que ir coisa nenhuma! Você vai porque você já cansou de mim, não é? Homens, homens! Por que, deusa, por que eu perdi minha sanidade justamente com esse crápula?! Você, que chegou às minhas praias cansado e com fome, e eu gentilmente te abriguei! Você, que com esse corpo escultural e essa sua cara de bocó me conquistou! Ah, claro que não! Não bastava você romper com meus votos de castidade, se aproveitar de toda a minha fortuna, e me... me... SAIA JÁ DAQUI, SEU CAFAJESTE DOS INFERNOS! Que seu povo vague sem alma no Inferno, e que você... que você... SAIA DAQUI!

Desconsolado, Enéias saiu. Rumou logo para seus homens, e mandou que se aprontassem. Partiria assim que possível, não esperaria pela manhã. Algo dentro de si dizia isso. Sim, o inverno estava começando, mas ele não tinha escolha. Pensou que louca como estava, a rainha poderia mandar seus homens matá-lo enquanto dormia, ou coisa pior: desprovi-lo de certas... marcas de nascença. Não queria que ela ficasse assim, não estava gostando nada daquele desfecho, mas nada podia fazer. Não tinha escolha.

E seus homens trabalhavam, enquanto a rainha andava de um lado para outro no seu quarto. Na cama, jazia a espada de aço troiano, dada como presente pelo filho de Vênus. Desgrenhada e com olhos como brasa, Dido mandou que acendessem uma grande pira funerária. Iria queimar todas as lembranças desse canalha. Como pôde entregar-se desse jeito? Deixou de casar com reis locais, ganhar mais influência e dominar o resto da África, e talvez o mundo, só por conta daquele abdômen espartano. Por isso que mulheres não podem ser rainhas! Voláteis que são, acabariam pondo fogo no reino! Se bem que um certo homem viria a fazer isso em Roma...

E conforme Enéias e seus homens partiam mar tempestuoso adentro, Dido, do alto da pira funerária, observava-os. Jogou as sedas, o colchão, a camisola que havia comprado para a noite de aniversário. Seus olhos ardiam, e os cabelos loiros, desgrenhados, acompanhavam o crepitar do fogo. E naquelas visões que todo moribundo em poemas épicos tem, Dido desembanhou a espada e gritou aos ventos:

- Vai, Enéias. Vá e cego com Édipo cumpre o destino que os deuses te impuseram. Mas não te esqueces, Enéias, que haverá de vir um filho desta terra, que será a ruína de Roma. E eu não só falo da eterna rivalidade que a partir de agora surgirá, mas de um homem, que passeará por entre as tuas terras como um cidadão. Tudo bem, ele vai morrer e perder a guerra, mas não é isso que vem ao caso.

E Dido até tinha pensado em desistir da idéia de se matar, mas quando tentou se virar tropeçou no vestido e não sabendo manejar a espada, acabou se matando.
______________
MITOLOGIA FOR DUMMIES

1. Netuno é o deus dos mares, irmão de Júpiter e o equivalente romano a Posídon. Foi ele quem acalmou a tempestade mandada por Juno no Canto I.
2. Juno é a rancorosa irmã-esposa de Júpiter, ciumenta e possessiva. Por vingança, ela não quer que Enéias chegue à Itália, e é a equivalente romana a Hera.
3. Vênus é a deusa do amor, amante de Marte (Ares) e esposa de Vulcano (Hefesto). Mãe de Enéias, é a equivalente romana a Afrodite.
4. Júpiter é o deus dos deuses, manda-chuva do Olimpo. Equivale a Zeus.
5. Minerva é a filha de Júpiter, representando a sabedoria, conhecimento e a guerra justa. Equivalente a Palas Atena.
6. Mercúrio é um deus mensageiro, mas também ligado ao comércio e subterfúgio. Equivale a Hermes na mitologia grega.

Créditos da Imagem: Kedralynn

terça-feira, abril 10, 2007

Manias



"Pra sempre é pra sempre"




Nem vem me dizer que você não tem uma, porque todo mundo tem! As manias alheias vão do básico roer de unhas até a loucura obcessiva do abrir e fechar a porta 6 vezes antes de sair e jamais pisar nas linhas da calçada.

Tem gente que não pára de mexer no cabelo, tem gente que não pára de mexer nos óculos, tem gente que simplesmente não pára de mexer. Precisa ter algo nas mãos o tempo todo, anda de um lado para o outro e não consegue passar mais do que 10 minutos sentados na mesma posição.

Quando criança, eu tinha uma mania de pisar ou no preto ou no branco daquelas calçadas bicolores, que não encontro com tanta freqüência em João Pessoa, mas foram bastante presentes no pouco tempo que passei em São Paulo e nas visitas à Santos. Isso atrasava um bocado a vida dos meus pais. Eles tinham que arrastar por aí uma coisinha loira desse tamanhico que se recusava a pisar na parte preta/branca da calçada (cada dia era de uma cor).

Hoje em dia eu ainda faço isso, se estiver só e com tempo disponível. Mais como uma brincadeira. Tenho umas de não pisar das rachaduras também. Às vezes é até mais seguro, porque do jeito que sou desastrada, seria capaz de prender a sandália em uma rachadura um pouco mais larga e me estabacar no chão.

Outra mania que tenho é de arrumar os ovos na geladeira. Eles ficam tão mais bonitinhos quando estão em duplas! Claro que isso não se restringe à minha geladeira. Seria muito egoísmo. Se algum dia você me disser: "Sinta-se em casa" e pedir para eu pegar algo na geladeira, por favor, me dê um minutinho, ok? Será por uma boa causa. Isso se os ovos estiverem em número par.

Não sei bem se isso é mania ou vício de linguagem, mas misturo os idiomas enquanto falou. É um "whatever" aqui, um "pour moi" ali... Já cheguei a encaixar palavras em espanhol, italiano e alemão em algumas frases, e olha que nem estudo esses idiomas! (Ai que saco que vou ser quando começar a estudá-los!... XD)

O que mais posso dizer sobre mim? Eu reclamo no trânsito, mesmo que não esteja estressada, eu me esgüelo enquanto dirijo (sim, porque a palavra "cantar" não seria tão bem aplicada, nesse caso), eu "absorvo" manias dos outros e invento novos hobbies como ninguém. Arrumo os ovos da geladeira, mas sou incapaz de arrumar meu quarto.

Mas eu sou normal, como todo doido... er... como toda pessoa que tem suas manias. E as minhas até que são bem suaves e inofensivas comparadas às dos outros.

Tem gente que tem mania de impor opinião, de mexer na gaveta de roupa íntima alheia, de ouvir música no último volume, de dormir com o controle da tv no colo e acordar bem quando outra pessoa vai mudar de canal com a frase: "Eu estou assistindo". Tem gente que adora cutucar os outros. Tem gente que fica fungando o tempo todo. Tem gente que aplica "bom ar" em cada ambiente que entra e tem quem tenha mania de limpeza.

Já ouvi milhares de vezes que "cada doido tem sua mania" e não duvido da veracidade dessa afirmação.


E você?
Qual a sua mania?
Opine!

sábado, abril 07, 2007

For Sparta! For Freedom!



"Pra sempre é pra sempre"




Como prometido aqui e aqui (e, eventualmente, aqui), cá estou eu, na frente do computador para, mais uma vez, falar de 300 de Esparta. O trabalho não é fácil, como foi dito em "This is Sparta!", faltam palavras para descrever um filme tão bem feito e bem trabalhado.

Talvez eu deva começar justamente por aí, pelo "bem feito e bem trabalhado", porque os cenários nos transportam diretamente para a Grécia antiga, sem escalas. O filme não teve cenas externas, foi todo rodado em estúdio. Li em algum canto que 10% do trabalho foi feito com um fundo verde. Os outros 90% foram feitos em fundo azul, que combinava melhor com as capas dos Espartanos. Fui assistir o filme pela primeira vez sem essa informação e, se não tivesse lido sobre isso, não desconfiaria. Imaginaria que tudo havia sido construído. (Depois ficaria pensando no trabalho que teria dado, pois duvido que exista uma locação perfeita para que essa história fosse rodada, mas isso não vem ao caso).

Outra coisa que me impressionou foi a fotografia. Cada trecho do filme é marcante. As imagens são belas e cada uma delas deve ter sido trabalhada para serem perfeitas para as fotos de divulgação. Achei interessante o efeito granulado logo no início do filme, quando Dilios está contanto a história de Leônidas (Gerard Butler) para o exército espartano, contrastando com as imagens perfeitas do resto da história.

Falando em história, não há muito o que se contar, até porque eu já falei sobre as Guerras Médicas aqui no Membrana. Há algumas alterações. Na história real, os espartanos não foram à Primeira Guerra por motivos religiosos. Nesse caso, eles foram impedidos de ir, por esses mesmos motivos, pelo oráculo deles. Como sei que ainda tem uns gatos pingados que não foram ver o filme, vou poupá-los do spoiler e não vou dizer que o oráculo foi comprado. Ops! Pelo menos foi besteira, não influi em muita coisa.

Xerxes (Rodrigo Santoro) manda mensageiros exigindo que Esparta se submeta ao seu domínio, Leônidas não aceita, tenta reunir o exército, o oráculo não deixa, ele reúne alguns homens, os melhores de Esparta e vai para as Termópilas, barrar o exército persa lá.

Aproveitando que falei em Xerxes, Rodrigo Santoro desempenha muito bem o seu papel e faz de Xerxes um Rei-Deus convincente. E não, ele não foi dublado. Assim como teve seu tamanho praticamente duplicado, teve a voz alterada por computador para ficar mais condizente com o personagem. Eu notei isso ao notar um deslize mínimo de pronúncia e fui atrás de informações.

Devo também elogiar aqui a maquiagem, pois cada uma das criaturas horríveis, dos quase-seres-mitológicos (e seres mitológicos, se você prestar atenção no harém de Xerxes), dos doentes e deformados ficou perfeito.

Enfim, temos uma super-produção, o primeiro blockbuster de 2007, que impressiona, fascina e empolga. Acho que empolgaria até aquelas mocinhas mais seletivas, que não assistem a filmes de ação (sim, eu não posso deixar de falar sobre os guerreiros espartanos e modelos da Calvin Klein nas horas vagas). Não li os quadrinhos de Frank Miller (nem entrei no mérito por causa do texto anterior), mas ouvi várias e várias vezes que foi a melhor adaptação de qualquer coisa para o cinema. Ouvi inclusive que chegou a ficar melhor que o original. Não posso dar uma opinião concreta a esse respeito, mas eu acredito no que dizem.

****

Como prometido, vou falar brevemente da manifestação do Irã contra o filme.

O filme foi lançado num momento em que o Irã está sendo criticado por seus planos nuclerares e tomaram o filme como "anti-iraniano". Ele foi classificado como "um comportamento hostil, resultado de uma guerra psicológica e cultural".

Segundo políticos e blogueiros iraniados, seus ancestrais estão sendo difamados pelo filme. Eles acreditam que o filme transmite uma imagem ofensiva e fraudulenta e afirmam que a Pérsia (Oh, yeah: a Pérsia ficava aonde hoje é o Irã. Got it?) era o império mais poderoso e civilizado do mundo.

Aparentemente virou moda achar ruim que Hollywood produza um filme que "fale mal" de qualquer país, como se de lá também não saíssem filmes que também trazem acontecimentos negativos dentro dos Estados Unidos e protagonizados por estadunidenses.

Se a Pérsia era um império vasto, devia isso às guerras, pois era assim que se conquistavam - e ainda se conquistam - territórios. É com mortes, derramamento de sangue, um país/povo/nação sendo derrotado e outro saindo vitorioso.

Talvez o filme não tenha sido lançado no melhor dos momentos para o Irã, mas acho que já está na hora de reconhecermos que é apenas ficção, não uma propaganda anti-qualquer-coisa.

This is Sparta!
(And a damn nice spartan)


quinta-feira, abril 05, 2007

Eneida - Cantos II e III




"Preparem-se para a glória!"




E aqui segue a tragetória do herói fundador de Roma. Depois de vagar longa e penosamente por uma tempestade mandada por Juno (ou eu poderia chamá-la de Hera? Acho que não faz muita diferença...), aporta nas praias de Cartago e segue para encontrar a raina Dido. Dido, como toda rainha que se preze, convida o herói para jantar. Mal sabe ela da artimanha perparadas por Afrod... hã, Vênus: escondendo o pequeno Ascânio, filho de Enéias, ela pede que Cupido tome a forma dele e induza no peito da rainha furioso amor.

Enéias suspira, toma mais um bom gole do vinho africano, e a pedido da rainha, começa a contar a história da queda de Tróia.

- Um dia estávamos lutando e no outro dia *ic* PUF! Nada! Os gregos *insira aqui algum xingamento proibido para o horário* simplesmente sumiram! De primeiro achamos que... *ic* era algum tipo de estratégia idiota... mas bem, não é como se eles tivessem muito para onde ir, afinal. Mas o mais estranho era um *ic* cavalo! De madeira, enorme, maior até mesmo que as nossas muralhas! - gesticulava o herói exageradamente, enquanto tomava mais vinho. No fundo, um aedo (aquele sujeito que ficava cantando histórias, acompanhado de uma harpa, e normalmente era cego) cochichou com uma das escravas:

- Depois eu quem invento histórias...

Enéias fingiu que não ouviu, e continuou sua narrativa. Falou que um sacerdote de Posídon tentou convencer o rei a queimar o cavalo, que não se podia confiar nos presentes dos gregos. Mas os troianos, cegos que estavam pelo fim da guerra, não lhe deram ouvidos, e quando uma cobra "que era desse tamanho, juu*ic*uuro!" sufocou e devorou o sacerdote, acharam por melhor deixar o cavalo entrar.

E o resto do dia foi somente festa: a guerra de dez anos, narrada em mais de 8 mil versos por aí, havia finalmente acabado! À noite, enquanto todos dormiam o sono dos justos, os soldados gregos escondidos no cavalo começaram a chacina.

- E bem*ic*, eu achei que havia sido algo pesado que eu comi *ic* antes de dormir, mas naquela noite eu tive um sonho. Heitor, filho de... de... de... como era mesmo o nome dele, do rei de Tróia... bem não importa. Ele era um bom homem. Heitor. Mas o rei também era. Onde eu estava? Ah, sim, eu sonhei com Heitor. Sim, sim. Foi um sonho estranho, na época. Ele disse que eu saísse correndo, pegasse os Penates de Tróia, e fugisse, que um reino me aguardava. Um bom reino, com água, terras férteis e todas essas coisas que se diz em profecias.

- E claro, eu acordei, e vi a cidade queimado. E o que eu fiz?

- Fugiu com sua comitiva? - perguntou um figurante qualquer.

- Claro *ic* que não! Eu sou um guerreiro, oras! Peguei minhas armas! Me juntei *ic* a um punhado de homens e se fosse para morrer, que morresse como homem! Até que resolvemos usar as armaduras dos gregos, matando a maior quantidade deles disfarçados. E essa até que foi uma boa idéia, até o momento em que os troianos passaram a nos atacar. Tivemos que fugir para o palácio do rei... Príamo! O nome dele era Príamo! E foi onde eu o vi morrer pelas mãos do filho de Aquiles. Era um bom homem, o rei. E Aquiles também, apesar de meio esquentado.

- E eis que eu vi Helena: a grande *insira aqui um xingamento bem forte* que causou toda a guerra. Por um momento eu fiquei cego. Sim, eu morreria, enquanto ela iria só jogar um charminho para o marido chifrudo dela e sair ilesa. Ah, não, não. Eu não poderia deixar aquilo passar. Quando levantei a minha espada, minha divina mãe apareceu. Me lembro até hoje das palavras sábias e carinhosas dela.

- Olha aqui, seu mané! Você acha que isso é trabalho desses mortais? Não, meu filho desprovido de inteligência. São os deuses, os deuses que estão fazendo isso. Deixe essa vadia pra lá e vá cuidar da sua família, como um homem de verdade deveria fazer! Pegue seu pai, os Penates de Tróia e vá embora! Entendeu ou quer que eu desenhe?

-
Bem, então eu fugi. Carregando meu pai nas costas, e ele segurando os Penates, e meu filho pela mão. Só que no meio do caminho eu meio que perdi a minha esposa... como era mesmo o nome dela? Bem, ela morreu, não importa. E bem, daí juntei os sobreviventes e comecei a viagem.

- E como foi a viagem? - perguntou a rainha, que já sentia uma coisa estranha no peito quando ouvia o herói falar. Tanta coragem, tantas provações, braços tão fortes, pernas tão bem trabalhadas, e o tanquinho, nem se fala...

- A viagem foi um inferno na terra. No mar, *ic* quer dizer. Na terra e no mar, na verdade. Ulisses? Rá! Ele *ic* deveria agradecer por ter tido uma viagem melhor que a minha! Ficou anos e anos com uma deusa imortal e ainda queria voltar para Ítaca... *ic* cara burro. Vi vários lugares, enfrentei monstros terríveis, ouvi *ic* oráculos dos mais estranhos... mas nunca me preparei para *ic* a morte do meu pai. Ah, meu pai. Era um bom homem, ele também. Como era mesmo o nome dele...? Bem, depois de queimá-lo e fazer toda aquela frescura de ritual fúnebre, segui o caminho. Mas pegamos uma tempestade grande no meio do caminho e agora estamos aqui. Agora, se me permite, rainha... *ic* eu preciso descansar da viagem...

E assim Enéias terminou sua história, se levantou meio trôpego e foi dormir.

quarta-feira, abril 04, 2007

Vendo a Noite com Outros Olhos



"Pra sempre é pra sempre"




Hoje vi uma poesia no pôr-do-sol. Um poema trágico, que ninguém mais viu. Os versos não escritos começavam rubros sobre minha cabeça e iam perdendo as forças em direção ao horizonte, até que terminavam num amarelo desfalecido.

Me pergunto quem - ou o quê - terá morrido. Se apenas o sol, para nascer de novo, se apenas o dia ou se alguma vida teria realmente se esvaído.

A rua de terra à minha frente se mostra completamente diferente, porém igual ao que é todo dia. A luz turva forma uma cortina à minha frente. Esses caminhos que eu percorro todo dia me parecem antigos, muito antigos para uma cidade que não conta 500 anos.

Pouco depois, nasce a Lua. Cheia, soberba, num trono de nuvens fofas e coroada pela própria luz. Toda a graça de uma deusa antiga - e todo o seu mistério.

A lua-deusa se ergue do mar, eu vislumbro por entre os prédios, que parecem tão mal encaixados na cidade. Esses prédios, essas casas, o asfalto mais adiante, os carros que teimam em correr as ruas, com seus ruídos, faróis e buzinas. Tudo isso parece descontextualizado. Por algum motivo eles não deveriam estar ali. A cidade não deveria estar ali. Apenas a praia parece estar no lugar certo.

A luz sobrenatural da Lua parece exigir a extinção da cidade, ao menos por alguns momentos. Páro de ouvi-la, de vê-la. Só há a praia, a luminosidade lunar e eu; que nem lembro de ter caminhado até a areia. Sento-me e ouço a rebentação das ondas. Tão calmas e relaxantes e ainda assim tão furiosas e dominadoras.

A noite parece me lembrar de tudo aquilo que li um dia, que estudei em aulas de história, que sei de culturas antigas. Parece me falar de como era soberana e temida. De como era venerada. Me conta das danças sagradas, oferendas e sacrifícios. Me conta das suas sacerdotisas. Me leva para o seu tempo.

Com o passar do tempo, a Lua se afasta da terra, se afasta de mim. Diminui e se esconde por entre as nuvens, quase como em protesto. Havia perdido suas oferendas, suas danças, seus sacrificios e a devoção antes a ela devotada. Deixa de ser uma Deusa e volta a ser um simples satélite. Deixa de ser sagrada, é só mais um fruto do acaso. Um corpo celeste girando em torno de outro. E eu sou tragada devolta a esse tempo.

E o sol nasce. Uma outra poesia sendo escrita. Um outro dia nascendo. Os raios como lanças a rasgar o véu da noite, vindo do mesmo mar onde a lua havia nascido. Uma poesia delicada como bruma, que se desfaz sob o calor do próprio poeta.

terça-feira, abril 03, 2007

Não deixe ninguém derrubar você

É incrível como certas pessoas parecem ter nascido pra fazerem o mal. Pessoas carregadas de amargura, despeitadas, frias, impiedosas, que transbordam inveja com um simples olhar.
Sou adepta daquela corrente que diz: se não tem nada bom pra dizer, fique calado. E mais, acho que sempre devemos tentar enxergar na pessoa o que ela tem de melhor.

Se não é a mais linda para mim (sabe-se que beleza é algo extremamente subjetivo), vou louvar suas qualidades intelectuais, seu bom humor. Se é dona de cabelos lindos, porque olhar para o nariz que talvez destoe do rosto? Se escreve maravilhosamente, porque comentar que não tem jeito para esportes? Se é a pessoa mais engraçada que você conhece, porque criticar a dificuldade que ela tem com números? Se tem um rosto lindo, porque não apenas elogiá-lo no lugar de acrescentar um “mas ele é tão burrinho” no final da frase? Cada pessoa tem seu potencial. Ninguém pode ser bom em tudo.

Você já viu alguém super belo, inteligente, excelente em esportes, que tem uma genética abençoada podendo comer muitas porcarias sem engordar, com um senso de humor aguçado, educado, com uma família estruturada, fiel, bom caráter, com dotes musicais e defensor da natureza? Que graça teria ser assim? O que motivaria tal pessoa a acordar e pensar em fazer algo melhor, superar uma dificuldade, vencer um obstáculo?

É incrível ver nosso nome numa lista de aprovação de um concurso disputado, mas o gosto é maior quando para isto foi feito um esforço, quando houve uma dedicação, quando trabalhamos para isto e conquistamos tal vitória.

Uma garota que suou na academia e disse não algumas vezes a um doce “desnecessário” vestirá muito mais feliz uma blusinha mais curta do que aquela pessoa que sempre foi magra e nenhum esforço fez para tal.

Uma pessoa que não tem a melhor coordenação motora, mas de tanto treinar faz um lindo solo de guitarra com certeza vibrará mais do que aqueles que têm “o dom”.
Não quero desmerecer as pessoas que conseguem certas coisas de forma mais fácil, ao contrário, quero apenas dizer que todos temos pontos mais fortes e pontos mais fracos, que sempre somos bons em algumas coisas e que teremos que batalhar duro para sermos bons em outras. Eis uma das graças da vida.

Comecei o texto falando sobre pessoas que só enxergam os defeitos alheios, que só nos aparecem com críticas...o que aconselho é: não deixe tais pessoas ofuscarem seu brilho próprio, não deixe ninguém olhar pra você e dizer que você não é capaz de fazer algo.
Também não seja uma daquelas pessoas do início do texto, tente enxergar o que os outros têm de melhor, não as critique desmedidamente e sem propósitos, ajude-as a levantar e...não deixe ninguém derrubar você.


* Dedicado a uma pessoa especial demais pra mim. Acho que uma das mais especiais da minha vida.

sábado, março 31, 2007

A Batalha das Termópilas



"Pra sempre é pra sempre."




Aparentemente todo mundo nesse blog saiu empolgado com "300 de Esparta". Allana já fez uma resenha, inclusive. Não que vocês escapem de uma segunda, dessa vez escrita por mim. No entanto, como tenho sérias intenções de ver o filme de novo para submetê-lo à maior analise e ir atrás das resenhas e do "cri-cri"que o Irã fez, pra poder fazer algo diferente do texto anterior, deixarei isso para amanhã.

Hoje, de besta e metida (e metida a besta) que sou, vou falar algo sobre a Batalha das Termópilas enquanto assisto aula de webprogramação na SOS Computadores.

Não que vá fazer diferença alguma no texto o fato de eu estar assistindo aula, ele apenas vai demorar mais pra ficar pronto.

Ou talvez faça diferença. Pote bater uma loucura em mim e eu resolver registrar algo aqui. Enfim... deixa eu começar logo com isso.

A Batalha das Termópilas também é conhecida como II Guerra Médica (ou Medo-Pérsica), que ocorreu entre a Pérsia de Xerxes e os helenos. A primeira ocorreu quando Dário, pai de Xerxes estava no poder. Ele iniciou uma missão diplomática, exigindo que as Cidades-Estado da Hélade se submetessem ao seu poder e só duas delas cederam e enviaram amostras de água e terra, como sinal de submissão: Macedônia e Tessália.

Se as cidades gregas não se renderiam por bem, então Dário faria com que se rendessem por mal. O imperador (sim, porque a Pérsia, a essa altura, tinha o mais vasto império do qual se tinha notícia até então) desembarca em Maratona, crente que ia dominar a Grécia agora e... é derrotado pelos exércitos combinados de hoplitas, atenienses e plateenses. E sem Esparta nem se meter no meio, pois alegou "motivos religiosos" e os melhores guerreiros helenicos ficaram em casa.

Guerras Médicas: Hélade 1 vs. 0 Pérsia

Xerxes sobe ao trono, em 485 a.C., e o gostinho da derrota nunca abandonou sua boca (apesar de ter sido uma derrota de seu pai). Fomentado por Mardônio, o supremo comandante dos exércitos, o desejo de vingança de Xerxes crescia cada vez mais. Só que ele não era besta nem nada, então começou a organizar tudo nos mais ínfimos detalhes.

As Cidades-Estado gregas (ou helênicas, whatever), que notaram a organização minuciosa do rei persa, deixaram suas divergências de lado e trataram de se organizar. Reuniram-se na conferência pan-helênica, no Istmo de Corinto. Apenar Argos não compareceu, porque tinha birra boba de criança buxuda com Esparta, além de colônias mais afastadas, provavelmente por acharem que não tinham nada com aquilo. Não estavam ameaçadas geograficamente, estavam longe pra dedéu (gírias antigas ruleiam - de vez em quando) e não se achavam militarmente preparadas. Enfim, sabe aquele ditado "muito ajuda quem não atrapalha"? Eles achavam legal e estavam seguindo-o.

Argos foi acusada de medismo, ou simpatizante dos Medos, que era como os gregos classificavam os persas e os povos que eles haviam conquistado.

O comando da liga formada pelos helenos (gregos) foi atribuída à Leônidas, rei de Esparta, potência na época; afinal era a cidade mais militarizada, desde bebês os homens eram condicionados a guerra. Eles Jám nasciam soldados, praticamente.

Começa então a II Guerra Médica, a Batalha das Termópilas, aquela dos 300 espartanos. Ao todo, foram 7.500 homens defendendo a Grécia. Quer números? Quer detalhes? Ok, a Wikipédia é capaz de nos fornecer isso:

"
Heródoto enumera, do lado grego, trezentos Espartanos, quinhentos hoplitas de Tegeia e outros quinhentos de Mantineia, cento e vinte de Orcómeno, mil da Arcádia, quatrocentos de Corinto, duzentos de Pilos e oitenta de Micenas (prefazendo estes o contingente do Peloponeso, num total de 3 100 homens); setecentos de Téspias, quatrocentos de Tebas, mil homens da Fócida, e ainda um número desconhecido (mas elevado) de Lócridos Opuntianos. Portanto, no mínimo, cinco mil e duzentos homens. É provável que a este número devamos acrescentar ainda os soldados auxiliares (muitas vezes não mencionados), o que levaria, segundo os especialistas, a fazer aumentar este contingente para cerca de 7 500 homens (ou, no máximo, 10 mil)."

Bom, é mais provável que Heródoto não seja confiável, porque ele só tinha 4 anos quando a batalha aconteceu e ele é meio exagerado.

Durante 4 dias, naquele terreno inóspito, Xerxes esperou que os gregos atacassem primeiro, mas como eles não demonstraram a mínima intenção de tomar a iniciativa, o próprio começou a batalha, enviando seus homens armados apenas com um escudo pequeno e lanças. Foram rechaçados pelos gregos.

Xerxes 0 vs. 1 Leônidas

Xerxes mandou que seus arqueiros atacassem (e uma das frases mais marcantes do filme, "Then we will fight in the shade", foi realmente proferida) e os gregos se protegeram com seus longos escudos. Nesse contexto, segundo Plutarco, a seguinte frase foi proferida por Leônidas: "Melhor, pois se os Medos taparem o Sol, combateremos à sombra". Heródoto diz que a frase é de um tal de Diecenes, um dos mais bravos guerreiros espartanos.

Xerxes 0 vs. 2 Leônidas (se bem que a frase deveria conferir mais um ponto)

Xerxes prometeu, ameaçou, ofertou e os gregos não cederam. Não tendo mais meios de evitar outras disputas, enviou seus 10.000 Imortais, comandados por Hidarnes. Os Imortais eram a elite do exército persa. Tinham esse nome devido ao fato de, assim que um guerreiro caia, era imediatamente substituido, mantendo a constante de 10.000 soldados.

Nem esses guerreiros conseguiram mover os gregos de suas posições e, nesse embate, Xerxes viu um de seus irmãos morrer.

Xerxes 0 vs. 3 Leônidas

Assim foi até o sexto dia, quando Xerxes ainda tentou enviar soldados para combater os gregos à noite, torcendo para que esses estivessem cansados (e foi derrotado mais uma vez)

Xerxes 0 vs. 4 Leônidas.

Nesse tempo, aparece Efialtes no acampamento persa. Efialtes cobre o rei de elogios e bajulações, chamando-o de Rei dos Reis, esperando obter alguma recompensa por mostrar um outro caminho pelo qual Xerxes poderia derrotar os gregos.

Havia um estreito que levaria direto para a retaguarda dos gregos, guardado pelos Fócios. Efialtes mostrou esse caminho e os Imortais seguiram por ele durante a noite. Os fócios não notaram a presença do exército até que era tarde demais. Os gregos estavam ameaçados.

Efialtes jamais recebeu sua recompensa e teve sua cabeça colocada à prêmio, pra deixar de ser besta.

Xerxes 1 vs. 4 Leônidas vs. -1 Efialtes

Leônidas dispensou o resto do exército grego, para que eles pudessem defender o resto do território e ficou ali, nas Termópilas, com seus 300 homens. Ele provavelmente não teve muito tempo para pensar na glória que alcançaria, apesar de ser esse seu objetivo, que ele definitivamente atingiu.

Nesse último ataque dos bárbaros (ou medos; ou persas), os Helenos (ou melhor, os Espartanos) enfrentaram seu inimigo com espadas, numa luta corpo-a-corpo; a morte mais honrada que um espartano poderia pedir.

No fim da batalha, Xerxes mandou que procurassem o corpo de Leônidas. Decaptou-o e empalou sua cabeça. Por esse feito, Leônidas perseguiu Xerxes durante toda a sua vida em seus sonhos. Tanto por haver profanado seu corpo como por não haver celebrado suas exéquias.

Xerxes vence a Batalha das Termópilas e vança na sua tentativa de conquistar a Hélade. Tentativa fracassada, pois ele perdeu a Batalha de Salamina e teve que voltar pra casa com o rabinho real entre as pernas.

This is Sparta!




"Preparem-se para a glória."




Interrompendo brevemente o meu projeto com a Eneida, mas é por uma boa causa. Uma causa excelente, na verdade. Pelo ideal da liberdade!

Faltam palavras, mesmo nas línguas mais afiadas, para descrever 300. Eu não li o quadrinho - ainda - e acho que foi um ótimo conselho que me deram. Se eu tivesse lido a revista dois dias antes de ver o filme, teria ido para o cinema com a mentalidade de estar vendo uma adaptação. Iria reclamar internamente do destaque que a rainha Gorgó ganha no filme, dentre várias outras coisas que não cabem nesse post.

Se eu tivesse lido o quadrinho antes, eu não teria gostado tanto. Ponto final.

Que Virgílio e Homero me perdoem, mas Frank Miller é fundamental. Nenhuma produção poética chega aos pés da poesia de 300, e eu imagino que o quadrinho não deva ser diferente. Afinal, o quadrinho não precisa agradar a um público maior, tampouco diminuir a censura. Além do mais, as cenas em movimento, a trilha sonora, e a companhia de uma fileira inteira de nerds usando óculos superam qualquer poema de mais de 1000 versos.

Os diálogos são excelentes - e os mais legais registrados por Heródoto - e os atores fazem jus. Gerard Butler, o rei Leônidas, deve estar rouco até agora. E claro, puxando a sardinha para o nosso lado, Rodrigo Santoro fez muito bem o que lhe coube. Apesar de não ser a sua voz original a de Xerxes, os gestos e olhares com os quais ele compôs o deus-rei deram uma boa mostra do talento dele. Pena que ele aparece pouco.

Mas qual o argumento da épica? Os 300 guerreiros espartanos. São eles quem devem ser cantados, apesar do célebre pedido de Leônidas. E isso o filme faz com excelência e estilo impecáveis, fazendo o público mais impressionável - ou seria simplesmente mais sensível, criativo e imaginativo? - se colocar no papel daqueles heróis que lutaram não pela vitória, pois sabiam que ela uma batalha perdida, mas pela glória e pelo desejo de liberdade. Antes um soldado morto que um escravo sobrevivente. Vale ressaltar ainda que 300 se baseia, em essência, no relato de Heródoto, primeiro historiador do mundo helênico, e de índole essencialmente literária.

No entanto, cabe perguntar: o que importa que seria impossível incontáveis milhões de soldades persas marcharem naquelas condições pelo estéril território grego? O que importa saber que não havia apenas 300 soldados, mas que uma aliança foi feita entre as cidades-estado e que Leônidas liderou, no mínimo, 7 mil homens na defesa suicida das Termópilas? Segundo o próprio Platão, a literatura tem utilidade na República ideal enquanto servir para formar cidadãos. E é muito mais encantador acreditar que 300 homens sem medo, liderados por Leônidas de Esparta, morreram para defender a liberdade de seu povo.

E claro, aqui vai o comentário cretino: 300 é a maior concentração de homens sarados e gostosos do cinema. Se as mocinhas não gostam de batalhas épicas, lanças trespassando corpos e outras coisas, vale a pena ver 300 soldados usando apenas tanguinhas e capas vermelhas.

Créditos da imagem de avatar: The Devil Dweller

quarta-feira, março 28, 2007

Inverno Rigoroso se Aproxima



"Pra sempre é pra sempre"




As previsões para o inverno desse anos são de ventos fortes e chuvas. É, chuva de água também, mas me referia à chuva de granizo. Provavelmente alguma estiagem ou neve. Provavelmente a cidade ficará coberta de neblina. E estará tão frio que nem o sol a pino do meio dia conseguirá dissipá-la completamente. Pessoas se perderão por aí. Já pensou?

Sim, estou falando de João Pessoa, a tal "cidade onde o sol nasce primeiro". Aquela mesmo, que fica ali, pertinho do Equador, longitude oeste 34º47'30" e latitude sul 7º09'28. Só sete graus de distância da linha imaginária. Já pensou?

Você não, mas minha imaginação voou longe na hora em que entrei numa loja de departamentos (que ninguém sabe que era a Riachuelo, porque não vou dizer) e me deparei com... luvas. Não, não eram luvas quaisquer. Eram luvas de lã, e lã grossa. Do lado, claro, cachecóis e gorros do mesmo material.

Aí eu me pergunto: por quê essa invenção, agora? Será que eles realmente prevêem um inverno rigoroso numa cidade aonde só com muita sorte conseguiremos atingir os 25ºC? Ou estão pensando nas pessoas que vão viajar?

Ah, é uma possibilidade! Que bonzinhos, que gentil da parte deles. Viu? Quam for pra Ushuaia esse ano não precisa se preocupar em comprar tudo lá. Pode sair daqui com luvinhas e cachecol para conhecer a Terra do Fogo. Só se lembrem de comprar uns casacos impermeáveis lá, tá?

Hm... Mas eles nunca fizeram isso. Nunca vi roupas de lã naquela loja antes. E, pensando bem, na outra loja de departamentos do shopping (também conhecida como C&A) não tem luvas e não espera uma nevasca em plena capital paraibana. No entanto, outras lojas do shopping esperam, no mínimo uma ventania.

Ainda é Março. O que aquela menina está fazendo com uma jaqueta? Bem, quem sabe tenha ido ao cinema. E aquela... de botas? Botas de camurça? Em pleno verão? Sério? Querida, o sol tá quente lá fora, são duas horas da tarde, tenha pena dos seus pés! Suas botas são lindas, estão absolutamente perdoadas para a noite, mesmo aqui. Mas para a noite!

Bem, preparem seus casacos forrados, luvas e gorros. O inverno será rigoroso. Ao menos é o que as lojas dizem, né?

Fernanda tem uma séria e perigosa paixão por botas e trench-coats. Perdoem-na.

Tema da quinzena: vetores. Seja lá o que isso queira dizer. Presumindo que seja "imagem vetorial ou vetorizada", aqui vai a desta autora.

quinta-feira, março 08, 2007

Eneida - Canto I





E uma mulher era o chefe da expedição.




A noite ia alta, as estrelas brilhavam no alto céu, e a frota de navios seguia seu caminho como previsto e ordenado pelos deuses. Previsto, porque os deuses sempre têm um oráculo duvidoso para tudo, e ordenado porque eram eles que mandavam naquela joça mesmo.

De repente, as nuvens se juntaram no céu e uma tempestade terrível abateu a frota. E era uma tempestade experiente aquela: usava de todos os efeitos especiais a seu alcance, como raios, trovões, ventos, ondas gigantes – adorava ondas gigantes; tinham todo um charme oriental. E além de experiente, estava dando tudo de si: queria ser promovida a tornado. E para isso era necessário mostrar serviço, ora pois!

Essa é a história de Enéias, vale salientar. Enéias, foragido de Tróia, se meteu mares adentro, e viveu uma jornada homérica. Na verdade, foi uma jornada virgílica, visto que Virgílio pegou tudo de bom (e de ruim) de Homero. Enéias, filho de Afrodite, ou melhor, Vênus, deveria seguir longa jornada até chegar à terra prometida das melhores pizzas do mundo, a Itália. Claro, foram os deuses que determinaram que ele deveria fazer isso. O porquê? Perguntasse a eles!

- Esse é o grande problema de ser o protagonista de uma epopéia – falava Enéias para o vento, enquanto tentava se manter de pé no seu navio. – Não bastando enfrentar monstros terríveis, descer ao Inferno e voltar de lá, ou lutar por dez anos numa guerra sem sentido, ainda tenho que aturar uma tempestade chata que vai me tirar do rumo de novo. Só espero que o cachê seja bom!

A Eneida é uma narrativa in media res. Ou, no bom e velho português, que começa com o bonde andando. Ou o navio, como preferir. Por isso cabe aqui uma pausa para o uso de uma técnica deveras comum na literatura: o flashback.

Há muito, muito, mas muuuuito tempo atrás, uma rancorosa deusa, ciumenta e possessiva, resolveu participar de um concurso de beleza. Esta deusa, Hera, ou melhor, Juno, resolveu competir com Atena, aliás, Minerva, e Vênus. O juiz desse concurso foi o primeiro mané que elas encontraram: um pastor bonitinho, meio magricela, troiano, chamado Páris. Como boas deusas gregas que são, aliás, romanas, partiram para a famosa técnica do suborno. Juno, esposa de Zeus, hã, bem, de Júpiter, ofereceu impérios e terras. Minerva, deusa sábia e guerreira, ofereceu ao jovem a invencibilidade em batalhas. Vênus, que não era boba nem nada, seguiu literalmente o dito popular “Meta os peito”: desnudou os seios e ofereceu a mortal mais bela do mundo – Helena. Páris, como homem, deu como vencedora a deusa seminua.

E bem, como o mundo já está cansado de ouvir, isso acarretou na Guerra de Tróia. Os troianos, claro, perderam, mas essa é outra parte da história. A questão é que Juno ainda não estava completamente satisfeita. Não bastava ter colocado a cidade abaixo, os templos destruídos, os soldados mortos, as mulheres feitas escravas. Não, ela queria mais: ela queria acabar com o sangue troiano, principalmente porque eles estavam destinados a destruírem sua terra preferida, Cartago. E usando seus encantos de deusa do casamento, bateu um pequeno papo com Éolo, deus menor dos ventos, e encomendou uma tempestade. Éolo, não querendo fazer feio com a esposa do patrão, acatou as ordens como qualquer deus menor faria.

Voltemos à nossa tempestade, que infelizmente não conseguiu sua tão sonhada promoção. Poseidon, aliás, Netuno, não gostou nada nada que deuses menores se intrometessem no seu território. O mar era dele, afinal de contas. Com seu tridente mágico +20 expulsou a tempestade e assegurou um porto seguro para Enéias, embora ele não tivesse a mínima idéia de onde estava.

Vênus, preocupada com o destino do filho, foi bater um papo com o chefe. Vestiu a saia mais curta, a blusa mais decotada, aquele perfume especial e marcou uma hora com o manda-chuva.

- Júpiter, sabe... você prometeu um reino para o meu filho, abundância e paz. Já não basta tudo que ele passou? Pobre rapaz, perdeu a mulher, o pai... por acaso esqueceu do que prometeu?

- Ah, mas isso você nem precisa se preocupar. Sim, Enéias terá um reino. E depois dele Iulo, que dará origem ao famoso Júlio! E será um reino grande, quase eterno. Sim, sim, eu... bem, só não sei muito bem quando isso poderá acontecer.

- Podemos negociar algo a mais... curto prazo?

Júpiter olhou para a deusa a sua frente. Seria um incesto. Não que ele fosse famoso por ter muita moral, mas ainda assim era um incesto. No entanto, seria um incesto muito bem aproveitado. Sim, sim, um belo de um incesto. Na verdade, seria incesto de acordo com a versão da lenda.

Incesto ou não, foi muito bem aproveitado.

Enquanto isso, no plano terreno, Enéias seguia por entre as terras desconhecidas. Eles já erguiam seus próprios muros, as mulheres vestiam púrpura. Sorte deles que já haviam realizado o sonho da casa própria! E nos muros dos templos pinturas com os acontecimentos da guerra de Tróia. Mal sabia ele que aquele lugar seria odiado por sua raça, dali a alguns milhares de anos à frente. Mal sabia ele que acabara de aportar em Cartago.

- É, Acestes. Todo mundo já sabe da guerra. Até parece que alguém resolveu escrever uma epopéia a respeito, e dramatizar isso em peças e peças. Às vezes é até bom ser famoso, não acha?

Depois de algumas boas horas, Vênus, recuperada da longa série de exercícios, recorre a seu filho mais novo, Cupido. Com as chantagens de mãe, diz que ele tomasse a forma de Iulo, filho de Enéias, e fizesse com que Dido, rainha de Cartago e que há muito não conhecia as coisas boas que o amor poderia trazer, se apaixonasse por Enéias. “Sempre é bom ter uma rainha apaixonada por protagonistas”, pensou. Não que ela duvidasse do destino, mas uma ajuda sempre é bem vinda.

E deu no que deu: Dido, ao vislumbrar o herói que chegara de tão longas terras, em jornada, o convida para um jantar. E não é preciso ler a Eneida para saber o que acontece agora: ela estende a conversa e pede que ele conte sobre a guerra. E Enéias, depois de um charminho necessário, se desata a falar.

E isso, nós deixamos para o próximo episódio.

domingo, fevereiro 25, 2007

Canção dos Dragões




A atividade enriquece mais que a prudência.




Atrás de mim, o céu se mostrava escuro, algumas estrelas ainda brilhavam. Já a minha frente, o azul clareava, passando do mais escuro ao início de um tom alaranjado, denunciando o nascer do sol por vir. A marca1 ardia, conforme o tecido roçava na pele queimada. Soltei um pouco mais a camisa surrada, e deixei o vento frio que se despedia da madrugada refrescar meu corpo cansado da estada em Argonessen.

Tanto o que fazer, e tanto o que pensar! A marca, a Profecia2, o que estamos prestes a fazer... tudo poderia acontecer daquele momento em diante. Respirei fundo, como se tentando trazer aquela aparente paz para o meu espírito. Aparente, porque eu sei muito bem do que está para acontecer – do que estamos tentando evitar. Os marcados pelos dragões, como nos chamam o povo de Seren, têm um papel a desempenhar, segundo diz a Profecia, embora ninguém saiba realmente o que ela diz. Imaginei se os próprios dragões sabiam muito mais do que os mortais.

E aquelas montanhas, colocadas ali como uma verdadeira defesa? Seriam elas produtos da natureza? Duvidei que não. Pareciam cair como luvas, afastando possíveis invasores indesejados da Terra dos Dragões. Elas se erguiam muito mais poderosas que qualquer muralha de Khorvaire, e ainda assim muito mais naturais que qualquer obra dos elfos.

Impossível de se confundir com a vastidão a minha frente, vi um ser enorme no pico de uma das montanhas que cercavam a ilha. Austero, ergueu o longo pescoço escamado, profundamente azul, e pareceu olhar ao redor. Tenho certeza que notou o navio - poderia até dizer que ele notou o meu olhar em sua direção, mas não tenho certeza. E com uma graciosidade que eu imaginava ser impossível para uma criatura daquele tamanho, ele alçou vôo, se perdendo no azul do céu.

E quase como se para continuar o espetáculo diante de mim, percebi outro dragão ganhar vôo. Se é que eu posso chamar aquele ondular ao vento de vôo. Seu corpo era longo, vagamente serpentino, e das suas costas as vértebras pareciam alongar-se. Entre os ossos sobressalentes, escamas de puro ouro líquido ondulavam no céu, com uma naturalidade e uma beleza nunca antes vistas. Não, ele não voava. Ele nadava em um céu que ganhava tons de dourado. Seria o sol, ou as escamas do dragão?

Em seu encontro veio outro ser tão ou mais majestoso. Sua pele também parecia banhada, mas dessa vez em pura prata. As formas eram perfeitas, graciosas, e por fim os dois se encontraram. Mas não pareciam sequer se tocar – rodopiavam entre si, ora descendo, ora subindo. E então, só então, pude ouvir: vozes estridentes, mas nem por isso menos belas. Eles estavam cantando. Eu estava ouvindo a Canção dos Dragões.

Logo outras vozes se juntaram ao coro, formando um conjunto de fazer inveja a mais afinada orquestra de Khorvaire3. Estou certa que nunca mais vou ouvir algo tão bonito assim. Tão bonito e tão triste. Eu não podia entender as palavras, mas aquilo já não mais importava. Eu podia sentir a força da canção reverberando nos meus ouvidos, chegando a minha alma. Cantavam por um dragão caído, lamentando seu fim. Tamanha era a tristeza daquela canção, tamanha era sua força, que senti meus olhos marejarem.

Em uma harmonia até então impensável para mim, o coro crescia, e aumentava, e ganhava poder. Junto com as notas inumanas, sentia a canção ganhando força, como se pelo poder do lamento daquelas poderosas criaturas, o companheiro caído pudesse ser trazido de volta. E por que não? Eles eram dragões! O mundo como conhecemos foi criado pelo poder da canção de apenas um deles, segundo contavam as lendas.

Lendas?

Por fim, a canção acabou. E eu já não podia mais vê-los. Olhei ao meu redor, e todos pareciam ocupados demais para terem percebido o que aconteceu. Como eles puderam não ver? Como eles puderam não ouvir? Todos ali, tão perto, e ainda assim tão absortos em suas preocupações mundanas que perderam uma oportunidade única em suas vidas. Será que aquilo não passou de um sonho meu? Algum tipo de delírio causado pela atmosfera milenar da misteriosa ilha de Argonessen4?

Bardos manipulam a canção, ou as palavras, para influenciarem uma pessoa sob sua vontade. Mas as lendas, as lendas contadas por esses mesmos bardos, falam do poder dos dragões. Falam que, com a força de uma canção, eles criaram o mundo. Os Dragões Ancestrais fizeram isso. E por que seus descendentes não poderiam manipular a terra, o ar? Por que não poderiam eles criar uma muralha natural de montanhas para protegerem seu lar? Por que não poderiam eles, pelo poder de sua canção, mudar o mundo?

E conforme o navio Dragonsong se afastava, Argonessen passava a ser apenas Argonessen: uma ilha cheia de mistérios e perigos, lar dos poderosos dragões.

Do diário de Tessa Besson, texto não datado.

Notas do Editor:
1.
A marca à qual se refere Tessa se trata de uma dragonmark, ou marca do dragão, como chamam alguns estudiosos. A maioria das marcas aparecem seguindo determinados padrões, e as pessoas marcadas se aglomeraram e formaram poderosas casas nobres, como a casa Lyrandar, com a marca da Tempestade, por exemplo. Tais marcas, que parecem com tatuagens, concedem determinados poderes ao seu portador. A marca que Tessa apresenta, contudo, é uma das chamadas Aberrant Dragonmarks. Suas formas não seguem nenhum padrão, muito menos os poderes concedidos aos portadores. Estudos revelam que indivíduos que nascem com tais marcas são concebidos da união de membros marcados de casas diferentes.

2. A Profecia mencionada por Tessa faz parte da crença dos Dragões, e do povo que os seguem, habitantes da ilha de Seren. Seren é uma pequena ilha situada a norte de Argonessen, em mares bem ao sul do continente. Nem mesmo os povos bárbaros de Seren sabem do que se trata A Profecia em si, portanto, não há muita informação a respeito. Mas aparentemente, segundo as lendas, cada ser tem um papel a cumprir, de acordo com a Profecia.

3. Khorvaire é o nome das terras do continente, no qual estão situadas as Cinco Nações.

4. Argonessen é a ilha onde habitam os dragões, idolatrados como totens pelos bárbaros de Seren. Não há muita informação a respeito, visto que poucas expedições voltaram de lá.

quarta-feira, fevereiro 21, 2007

Festa Estranha, com Gente Esquisita





As hard as diamonds.




Aquela tinha tudo para ser uma noite normal. Sabe, tudo mesmo. A lua estava no céu, naquele estágio que ninguém consegue dizer se está cheia ou não, mas que todos sabem que ela não está; as estrelas ali também, mas aparecendo só de vez em quando - o que me leva a perguntar por que as estrelas se escondem da gente, mas acho que isso não vem ao caso. Não tem nada a ver com a história.

O fato é que aquela deveria ter sido uma noite normal. Sim, normabilíssima. Dessas que você chega em casa do trabalho, tira os sapatos, fica andando de meia pela casa e ouvindo sua esposa reclamar do lamentável gosto musical da vizinha que não pára de ouvir: "É na sola da bota, é na palma da mão... bote um sorriso na cara e mande embora a solidão...", e dizer que não agüenta mais isso, e que quer se mudar dali. E então, você, ignorando de uma maneira carinhosa, "sim, querida, eu concordo. Mas não podemos nos mudar agora, você sabe", se senta na frente da tv e assiste o jornal, falando da conjuntura política do país, que nunca muda. Uma noite bem normal, não concorda?

Bem, eu estava voltando no meu carro - um carro modesto, mas bem conservado, que funciona bem a maior parte do tempo. Isso porque eu sou um cara cuidadoso, que prefiro cuidar sempre do carro a deixá-lo por aí, sabe? Justamente para ele não quebrar nos piores momentos. Como aconteceu naquela noite.

O pior é que eu resolvera fazer um trajeto diferente. Estava justamente numa rua que eu achava que já havia passado por algum momento da minha curta vida, mas algo dentro de mim dizia que eu estava perdido. Eu devia confiar mais nessas coisas de intuição masculina.

A rua era escura, daquelas que tem um monte de postes de iluminação, mas cujas lâmpadas só funcionam ocasionalmente, seguindo provavelmente uma complicada relação entre a posição astral e a tabela de marés, resultando que elas raramente funcionam. E claro, não iriam funcionar quando eu estivesse ali.

Liguei os faróis, peguei o triângulo de sinalização, conforme todas as leis do trânsito. E só pra previnir, liguei também aquelas luzes que sempre ficam piscando, e que eu nunca aprendi o nome. Peguei o celular e disquei o número que estava no adesivo colado no porta-luvas, que era do reboque. Estariam chegando em vinte minutos.

Me tranqüilizei, e fiquei dentro do carro, com a porta aberta, e um pé no asfalto ainda quente àquela hora da noite. Engraçado, aquela rua não era movimentada. Por que diabos o asfalto estaria quente num horário onde até fazia um ventinho frio?, me peguei comentando com os meus botões.

Não, os meus botões não me responderam. Mas o susto que eu tomei foi equivalente.

- Bem, por quais diabos eu não sei, mas esse lugar sempre foi esquisito. Asmodeus, muito prazer.

Ainda olhei para os botões da minha camisa, pensando que eles poderiam ter me respondido, e então eu realmente estaria louco. Mas então notei que um destinto senhor estava parado do lado de fora do meu carro, estendendo uma mão com unhas esquisitas, e usando roupas que pareciam ter saído de um guarda-roupa do século XIV.

Me apresentei, ele retirou um cigarro do bolso e me ofereceu num gesto silencioso. Engraçado, nunca fumei, mas naquele momento senti uma vontade enorme de experimentar. Peguei o cigarro entre os dedos - daquele jeito que eu sempre vi nos filmes e achava tão estiloso - e ele prontamente acendeu um daqueles esqueiros prateados, que devem custar uma nota.

- O que houve com o carro?
- Hum, não sei. Apenas *cof cof cof* quebrou sozinho. Liguei pro reboque, acho *cof cof* que estarão chegando *cof cof* em breve.
- Nunca fumou antes?
- Bem, não realmente. Mas é... agradável.

O sujeito sorriu de um jeito quase imperceptível. E então eu consegui notar que o lugar inteiro estava mudando. O céu - se é que eu poderia chamá-lo assim - começou a mudar de tom, chegando a um vermelho que parecia ter saído de um daqueles filmes de terror de baixo orçamento. As tintas das paredes caíram de repente, e tudo parecia cheirar a tétano.

- Bem parecido com um filme que eu vi recentemente...
- É. Eles fizeram uma pesquisa de campo.
- Você está me dizendo que... Ah, bem, você só pode estar brincando, não é?
- Claro - uma pausa, que quase me tranqüilizou. - que não. Vamos, ligue o carro. Vamos fazer um tour pelo meu lar. Mas conhecido como Inferno.

Algo me dizia que se eu não ligasse logo o carro, ia acabar carbonizado como um pássaro que acabava de cair na estrada, com um grunhido alto e agudo. Esperei que entrasse no carro e girei a chave. Funcionou perfeitamente.

E lá estava eu, andando pelas ruas de um asfalto perfeito, apesar de um tanto quentes demais. No toca-fitas que já não funcionava tinha uns meses, tocava algo que parecia pop dos anos 80. Eu sempre achei que aquilo era coisa do demônio mesmo.

- Hum, eu achava que os buracos no asfalto eram coisa... de vocês. - falei, tentando quebrar o silêncio.
- Não, não somos nós que fazemos chover. Além do quê, é muito mais tentador uma pista em linha reta com um asfalto perfeito, não? Sim, sim. Os rachas foram inventados por nós.
- Hum, faz sentido... Mas... por que me trouxe aqui?
- Porque você foi o azarado de estar no meu perímetro quando eu estava passando por perto.
- Ah... Que sorte. - pausa. - Hum, mas eu vou voltar?
- Ainda não sei. Apenas continue dirigindo.

Eu podia saltar do carro. Mas com certeza não saberia fugir daquele lugar. Minha esposa devia estar muito brava comigo, pois completávamos... quantos anos de casamento mesmo? Ou era o aniversário dela? Bem, não importa. Ela realmente ficaria muito brava comigo. E minha esposa brava com certeza era pior que qualquer outro demônio.

- Bem, sabe, é que eu tenho compromissos... sabe, minha esposa. Bem, é uma data especial, e nós íamos sair para jantar... e...
- Ah, claro. Sexo. Bem, essa invenção não é nossa, mas certamente foi uma bela idéia deles. Eu entendo. Bem, você pode voltar aqui outro dia. E provavelmente será para todo o sempre. Então, terá muito tempo para conhecer tudo aqui.

E então o cenário mudou com a mesma rapidez. Estava na mesma rua escura e esquisita, e minha carona já não estava no carro. Mas as notas de "Jones, Jones, come doctor Jones, doctor Jones, doctor Jones wake up now..." ainda soavam na minha cabeça.

O carro funcionou e eu voltei pra casa. E não precisei pagar o reboque.

- Querido, que cheiro esquisito é esse na sua camisa? Parece enxofre...

  1. Isso é uma velharia, logo, uma republicação, embora nunca tenha aparecido aqui no Membrana. A questão é que Allana queria estar com humor e cabeça para escrever um texto digno de comemorar as 100 postagens do blog, mas não está com o mínimo humor/inspiração para isso. E como esse é um texto relativamente bom, e relativamente engraçado, então merece relativamente estar nesta ocasião tão especial para o blog.
  2. Allana queria saber fazer aquelas notas bonitinhas que Fernanda faz, mas não é uma blogueira profissional e a dita cuja não se encontra disponível para ensinar-lhe.
  3. Allana acha muito estranho falar de si mesma em terceira pessoa.
  4. 100 posts na Membrana que de Seletiva não tem nada! A equipe Membrana está preparando algumas surpresas, mas aparentemente só preparando mesmo. Sem previsão de quando vão ficar prontas.

terça-feira, fevereiro 20, 2007

¹ Fofoca de Carnaval
² Um Vestido (uma bobagem para satisfazer a curiosidade de alguns)



"Sem braço, sem biscoito"




É Carnaval. Isso é evidente, pelas marchinhas tocando a cada esquinha, a espuma maldita nos carros estacionados nas ruas e os bêbados e motoristas loucos que já tomavam conta das ruas uma semana antes.

Esse ano eu ainda aproveitei algo. Fui para um bloco e uma festa. Cuidei de um bêbado e resolvi que estava bom. Mas para onde fugir do carnaval? Para o shopping, oras!

Lá fui eu e uma amiga, para o shopping, pensando em tomar sorvete, aproveitar o ar condicionado e xeretar as promoções. Sorvete tinha, ar condicionado também. Promoção nem se fala, eu acabei comprando meu vestido de casamento*. O grande problema é que muitas pessoas pensaram na mesmíssima coisa. E, claro, a trilha sonora era composta de marchinhas de carnaval.

Cansadas de ficar dentro do shopping, respirando ar seco e vendo gente perambular de um lado para o outro sem ouvir direito as conversas interessantes dos outros, decidimos sair do shopping e sentar num dos bancos próximos à entrada principal.

Lá estávamos nós, observando o movimento frenético de entrada e saída dos táxis até que chegam duas senhoras e duas crianças, as mulheres evidentemente brigando. Minha amiga nota e chama minha atenção. Uma das mulheres é, provavelmente, a avó das crianças. A outra devia ser a mãe. Não dá para entender muito da discussão, mas a mulher mais nova enfia a mais velha e as crianças dentro do táxi próximo a nós, gritando: "Eu fico com quem eu quiser". Ela falou isso pelo menos 3 vezes. O táxi partiu com seus 3 passageiros, a mulher, com seu vestido de sainha plissada cor-de-rosa, voltou para dentro do shopping.

Eu e minha amiga ficamos conjecturando como teria sido o resto da conversa, o que a mulher mais velha teria dito e o que havia desencadeado tal discussão. Além, claro, de um ou outro pensamento maldoso, do tipo "ela fica com quem fizer o favor de querer ficar com ela, porque pelamordedeus, ninguém merece".

Voltamos para o shopping, saímos meia hora depois, já com o intuito de irmos embora, quando a mulher do vestido rosa passa por nós, devidamente grudada num homem. Ela se posiciona ao lado de um dos bancos externos do shopping e os dois se beijam como um casal de adolescentes de 15 anos em plena Micaroa já abastecidos com uma certa quantia (talvez não muito saudável) de álcool. Pois bem, ela realmente ficou com quem queria. Ou com quem queria ficar com ela. Ainda tentei ver se ela era casada, para ver se era esse o motivo pelo qual ela e a avó das crianças brigavam, mas não tive como ver sua mãe esquerda.

Uma pena. Vocês vão ficar com a fofoca incompleta. Sei que fui embora e, ao localizar meu carro, deparei-me com uma grossa camada de espuma em todos os vidros do lado direito e em parte do vidro dianteiro. Isso me fez esquecer a vida alheia rapidinho.


* O vestido de casamento: certo dia, diante de certa loja de roupas indianas, deparei-me com um vestido belíssimo, branco, longo e muito simples, exceto por alguns bordados, também em branco. Estava com mais duas amigas e aproveitamos para entrar na loja e olhar o preço, além de dar uma olhada nas bijuterias.

O vestido era caro. Muito caro. Uma das amigas que estavam comigo disse que, se eu quisesse me casar com aquele vestido, aí sim valia a pena. Nesse momento eu olhei pra ela, para o vestido e cheguei à conclusão de que sim, me casaria usando aquele mesmo vestido. Inclusive viajei um pouco na história, já compondo os detalhes de como seria o casamento.

Não provei o vestido. Deixei-o lá e fui embora, com a certeza de que o comprariam ainda aquela semana.

Qual minha surpresa quando, duas semanas depois, entro na loja, com outra amiga e o vestido ainda está lá. Dessa vez, me fizeram provar o dito cujo. Pra quê? Pra tentar meu juízo, lógico, pois a roupa caiu tão bem quanto eu imaginava. Para minha felicidade, o preço tinha baixado e ainda havia um desconto em cima desse novo preço.

Fiz a aquisição do vestido do meu casamento de nuvens. Um vestido que provavelmente vou usar para ir a um restaurante ou uma festa numa noite quente. Melhor do que guardá-lo para um dia incerto, pois ninguém sabe se, no futuro, haverá o homem certo, a praia certa e o nascer-do-sol certo.

quinta-feira, fevereiro 15, 2007

Conhecendo o Desconhecido - I





As hard as diamonds.




Os confortáveis sapatos pisavam no concreto da calçada de um bairro sul de Chicago. Nicole se perdia em pensamentos enquanto planejava a sua tarde: deveria se encontrar com Mabel, aquela jovem-rica-mimada que conheceu na noite anterior, e depois estaria supostamente livre. Planejava ir no hospital, visitar o Matt. Gostava de fazer isso de vez em quando, apesar de duviddar que ele pudesse ouvir as coisas que falava. Bem, ao menos ele era um bom ouvinte - não a interrompia. E aquela agora, Mabel? Ela estava em um hospital a noite passada. Será que alguém importante estava muito mal? Com certeza essa pessoa não estava bem, pois não estaria num hospital, não é?

Conseguia ser tão idiota às vezes. Por que não era como as pessoas normais, que pensavam em coisas como "e o que eu vou fazer esse fim de semana?", ou "será que eu deixei o gás ligado?". Certamente seria um problema se tivesse esquecido o gás ligado...

Por que a rua estava tão deserta? Devia ser o horário.

Não demorou a avistar Mabel Yonker. Os cabelos loiros brilhavam no sol da tarde, e ela lhe dirigiu um olhar de reconhecimento, seguido de um aceno. Imaginou se ela era loira de verdade. A própria Nicole já havia sido ruiva antes, quando morava na França. Pena que não podia pagar mais luxos assim. Achava azul uma cor muito bonita.

- E então, tudo bem? - perguntou Mabel, levantando-se. Era uma moça bonita, pôde reparar.
- Tudo sim. Quer um pouco? - ofereceu o copo plástico com ovomaltine do Bob's. Quando percebeu o olhar de estranhamento, explicou. - Meu almoço.
- É por isso que você é tão magra...

Nicole ignorou o comentário, sem saber se levava como elogio. Pelo menos não fazia parte das estatísticas da população obesa americana.

- E então, onde ela está?
- Bem ali, dois quarteirões acima.
- Eu não vim sozinha. Dois amigos meus estão comigo, e um deles você conheceu ontem. É aquele que vem ali. O outro está fingindo ler um jornal ali do outro lado...

Mabel continuou a fala, enquanto Nic0le refazia mentalmente os passos da tarde anterior. Voltava para casa, no final da tarde. A rua estava movimentada ontem, lembrava. Por que é que estava tão deserta agora? Voltava para casa. Devia estar pensando em alguma coisa, pra variar, quando viu uma mulher sentada no chão, chorando. As pessoas passavam por ela como se não estivesse ali, como se simplesmente não existisse. Não existia mais uma fagulha de humanidade nessa gente?

Se aproximou dela, e então percebeu porque ninguém mais a notava. A pele estava completamente queimada, desfeita em boa parte do corpo. Pedaços inteiros de carne se desprendiam do corpo e se esvaeciam antes de cair no chão. O choro era compulsivo e tinha um somo inumano, gutural. Nicole não sabia o que fazer. Não estav com medo - não muito, pelo menos. Quando ver espíritos se torna algo comum e habitual, você passa a encarar isso de um modo natural. Quase como respirar, andar, e todas essas coisas. Quase.

- Senhora... você está bem? - que pergunta mais estúpida, Nicole. É claro que ela não está bem.
- Você... pode me ver? Você pode me ver?

De um modo rápido e com uma voz falha, ela contou o que aconteceu. Assassinada; seu carro foi carbonizado Era aquele ali no final da esquina. Era professora universitária, trabalhava numa pesquisa, e agora sua aluna corria perigo. Mabel, o nome dela. Mabel Yonker.

- Eles irão atrás dela também... faça ela parar... faça ela parar! Diga a ela, diga que pare! - a mulher parou um pouco, tentando pensar. - Se ela parar... eu posso ir embora?
- Eu... espero que sim.

- O que disse, Nicole? - a voz de Mabel a fez voltar à realidade.
- Hã? Não, nada. Pensei alto. Você tem certeza de que... pode vê-la também?
- Não se preocupe com isso. Eu posso. Mas o que ela havia dito-
- Esperem. - falou o homem de meia-idade, cujo nome ela descobriu ser Simon. - Há algo... estranho nesse lugar. Vocês não podem sentir?

quarta-feira, fevereiro 14, 2007





As pessoas são egocêntricas, instáveis, egoístas. Ame-as apesar de tudo.





Na aula de direito civil ando aprendendo sobre o casamento, divórcio, partilha de bens.

Está tão fácil "contrair matrimônios" atualmente, se não se levar em conta o processo de habilitação, o planejamento da festa, o pagamento da celebração, a lista de convidados e o fato de quase nada sair como o planejado; acho que é a tal banalização do amor e sexo de que tanto falam.

Não sou a pessoa mais tradicional do mundo, mas acho que certos passos da vida deveriam ser, ao menos, melhor refletidos antes de serem dados.

Casamento não é um contrato bilateral com cláusula de arrependimento, não se deve simplesmente dizer: Se fulano de tal apresentar intolerância as minhas saídas noturnas de quarta num prazo de 1 ano a "obrigação matrimonial" estará dissolvida. Casamento não envolve apenas marido e mulher (ou mulher e mulher, ou homem e homem), casamento envolve família, envolve filhos, envolve perspectivas e sonhos.

Comumente escuto pessoas perguntarem: Quantos filhos você tem? Todos do mesmo casamento? É seu primeiro marido?

Não estou dizendo que as pessoas não têm o direito de se arrependerem, não estou dizendo que elas têm que ficar "até que a morte os separe" com alguém que não serve nem como vizinho de apartamento...o que estou dizendo é que algumas pessoas hoje encaram o casamento como um simples: vou testar, se não der certo não deu.

Acho que existem muitas outras formas de se "testar", como dividir um apartamento antes e ver se estão realmente prontos para convivência diária, para acordar e dar bom dia a uma pessoa possivelmente descabelada e com hálito duvidoso. Para fazer concessões sem abdicar de sua individualidade. [parece paradoxal escrito desta forma]

Disseram-me uma vez: se viver é difícil, conviver é o diabo.

Por quê fazer toda uma solenidade, se ater a mil trâmites burocráticos, deixar a família envolvida "até o pescoço"?

Qual seria a questão? Falta maturidade? Sobra paixão? Ou é a famosa banalização do amor e sexo sobre a qual tanto falam?

Sonho de Valsa: Uma Campanha Publicitária que deu Certo



"Sem braço, sem biscoito"




Eu juro como não entendo a atração por essa coisa. Eles conseguiram fazer uma massa de gordura hidrogenada com castanha falsa ficar enjoada, cobriram com um waffle e jogaram um chocolate ao leite um pouco doce demais por cima.

Pra início de conversa, eles começaram a vender para mulheres, em bombonières, e vendiam no peso. Era uma embalagem vermelha estranha, com o nome escrito num selo preto e uma imagem de um violão na frente. Os homens não compravam, era chocolate de mulher.

Passado algum tempo, eles aumentaram ligeiramente o tamanho do chocolate e passaram a vender por unidade. Os homens começaram a comprar, afinal de contas, a empresa vendia uma imagem "apaixonadinha" do chocolate, diziam que era demonstração de amor, colocaram um casal dançando valsa na frente e pronto. Quer coisa melhor? Ao invés de comprar belas caixas de chocolates finos e variados pras namoradas, os rapazes compravam um punhado de bombons e davam de presente, com uma conversa frouxa qualquer e as mulheres achavam lindo.

Nada contra querer economizar um pouco, mas vêem? O que estava se vendendo não era uma imitação barata de chocolate, era uma idéia. Era o tal amor ideal, o romance... É fácil embalar isso, não?

Passado mais algum tempo, o tamanho do bombom diminui novamente (e o preço aumenta). Eles inventam um tal de Sonho de Valsa branco e outro com recheio de morango (desses eu tenho até medo).

Desde que surgiu até os dias de hoje, essa coisinha ruim numa embalagem rosa bem-feita (isso eu admito) tem crescido muito. Acho que aí fica comprovado o poder do marketing e o quão influenciáveis as pessoas são. Mulher principalmente, apesar das mulheres de hoje serem mais inteligentes e incrivelmente menos bestas do que no início/meio do século XX.

Não considero esse bombom um chocolate. Chocolate é algo bom, muito bom, e... bom... o Sonho de Valsa tá ali, do lado da beringela. Fazer o quê, não é mesmo? Mas ainda assim acho fantástico como uma campanha publicitária bem-feita faz um produto decolar, seja ele bom ou não.

Quanto àqueles que gostam do bombom, o que posso fazer? Tem gosto pra tudo nesse mundo, não é mesmo? Nada é perfeito. E, depois, cada um tem que ter seus defeitos. Tem gente que gosta de música ruim, tem gente que gosta de bebida ruim, tem gente que gosta do chocolate ruim.



Esse texto é um daqueles que não devem ser levados tão a sério. Se eu acho o bombom ruim? Acho. Eles fizeram uma boa jogada publicitária para vender o produto? Fizeram. Mas nem venha me dizer que tenho algo contra quem gosta do bombom! =p

terça-feira, fevereiro 06, 2007

Coisas Que Não Se Diz Num Blog



"Love is just a game."




Não se diz num blog, por exemplo, que já morou um marginal mirim na casa vizinha à sua. Vai que ele descobre o blog e lê? Muito menos se diz que ele, com seus tenros 9 anos de idade, invadiu sua festinha de aniversário (sim, a sua, não a dele... ¬¬), jogou areia nas mesas e deu um murro na sua avó.

Não se diz num blog que você já perdeu amizades por ter dado a impressão de estar flertando com a pessoa, ela interpretar errado, você explicar que estava apenas sendo legal e simpática e ela ficar com raiva. Também não se diz o contrário, que você passou por antipática para não dar a impressão de estar dando mole e deixou de fazer uma amizade que teria sido legal.

Não se fala assim pra todo mundo que você tem segredos inconfessáveis. Sabe-se lá o que esse povo pode pensar! Seu segredo inconfessável pode ser apenas um certo amor por cobras ou um leve vício em chocolate. Ou endorfina. Ou que você filou naquela prova e, por ser "caxias" demais, sente culpa até hoje.

Não se diz abertamente que odeia Sonho de Valsa e que aquilo não pode nem ser classificado como chocolate, além de ser uma das coisas mais enjoadas que você já provou. Bom, eu digo. Mas claro que eu vivo num mundo à parte e acredito piamente que os amantes dessa porcaria não vão me apedrejar na rua.

Nem pensar em contar que, quando criança, você ajudava sua mãe a fazer aqueles biscoitinhos gostosos no dia da visita das suas tias-avós e avós. Isso porque sua mão era pequenina e você derrubava a massa dos biscoitos no chão, recolhia antes que alguém visse e jogava na assadeira, pra sua mãe colocar no forno. Claro que o calor matava os "germes", mas para as pobres e amáveis velhinhas, os germes eram aliens assassinos microscópicos que queriam acabar com a Terra.

Deosmelivreguarde de você abrir sua boquinha pra falar mal de fanáticos religiosos. Eles podem te seqüestrar, seqüestrar seu cachorro, explodir sua casa ou pior: tentar te converter. Imagina só! Extremistas são um perigo!

Blog é um troço tão público, mas tão público que acho que até aquele professor da universidade que deu duas aulas, sumiu e aplicou aquela prova que só merece uma classe de adjetivos, os quais não vou publicar aqui, porque isso é um blog de família, até esse professor acha seu blog, lê e pior: lembra da sua carinha e baixa ainda mais sua notinha se ele achar uma linhazinha sobre ele que ele não ache tão legal assim.

Blog é também uma das ferramenteas mais divertidas da internet. E é também um bom meio de falar um monte de besteiras, dizer que é literatura ou qualquer troço parecido e ninguém nunca vai saber o que é verdade e o que não é.

segunda-feira, fevereiro 05, 2007

Ok, I Believe!



"Love is just a game."




Há mais ou menos um mês fiz meu cadastro no Personare, um site de horóscopo personalizado. Bem interessante, ele. Manda pro seu e-mail as previsões de acordo com as mínimas mudanças nos planejtas. Inclusive meu "Marte natal" fez aniversário essa semana. Como pode ter sido, tão longe do meu próprio aniversário, eu não sei, mas quem sou eu pra discordar?

Sendo eu uma criatura meio cética, não acreditava em horóscopo e essas coisas, pelo menos não completamente. Sempre gostei, achei muito divertido, mas acreditar de verdade verdadeira, não.

Até os últimos dias pelo menos.

Chegou um e-mail me avisando que eu teria que escolher entre o lado profissional e o emocional/afetivo. No dia seguinte sou contratada para trabalhar como fotógrafa e uma das primeiras coisas que me dizem é: "Tenha paciência, porque os caras vão dar em cima de você, e muito". Aí eu penso: "Ok, tem alguma relação com meus horóscopo. Nenhum cara com quem eu me envolvese emocionalmente gostaria muito dessa história."

Pouco depois vem um e-mail falando que vou estar mais atraente e, de repente, todas as criaturas que esbarram em mim num dos corredores de um dos 500 cursos que faço lembram do meu rosto quando me encontram em outro lugar.

Também aconteceu de eu levar algumas cantadas ou de alguém parar para me olhar direito, mas isso não vem ao caso, porque o que é realmente importante vem a seguir.

O Personare me avisa que vou estar mais extrovertida, animada e saindo mais (confere exatamente com a semana passada), mas que ainda assim eu me mantivesse no posto de observadora, porque nessa época, por mais que eu gostasse de falar, "falar é prata, calar é ouro".

O mais divertido é que isso deve ser realmente importante. Acho que os planetinhas lá em cima se reuniram, chamaram meu ascendente e minha Lua natal e concordaram que eu devia ficar quieta, porque jogaram alguma coisa e, do nada, infecção na garganta. Claro que não foi uma infecção normal. Qual seria a graça? Foi daquelas para arrasar de vez com a garganta, tanto que já estou há 3 dias sem voz.

Ok. Eu acredito. I believe.